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Biografia de São Pedro Canísio pelo Vaticano

CARTA DO PAPA JOÃO PAULO II
AOS BISPOS ALEMÃES POR OCASIÃO
DO IV CENTENÁRIO DA MORTE
DE SÃO PEDRO CANÍSIO

  

Veneráveis Irmãos no Episcopado

1. Quando, a 2 de Setembro de 1549, São Pedro Canísio obteve a bênção do Papa Paulo III para a sua missão na Alemanha, ajoelhou-se junto do túmulo de Pedro, Príncipe dos Apóstolos, para orar. Aquilo que viveu interiormente plasmou-o de maneira tão profunda, que num trecho das suas confissões afirma: «Tu sabes, ó Senhor, quão intensamente naquele dia me confiaste a Alemanha. A partir de então, a Alemanha ocupou sempre mais os meus pensamentos e desejei ardentemente oferecer a minha vida e a minha morte pela sua salvação eterna» (1). Este era o programa de vida, ao qual permaneceu heroicamente fiel até à sua serena morte, no dia 21 de Dezembro de 1597.

Na sua Encíclica Militantis Ecclesiae, de 1 de Agosto de 1897, o meu estimado Predecessor, Leão XIII, definiu justamente e com honra, «segundo Apóstolo da Alemanha» aquele que o Papa Pio IX beatificara a 20 de Novembro de 1864 (2).

Quando, no dia 21 de Maio de 1925, foi elevado às honras dos altares pelo Papa Pio XI, adquiriu o título de Doutor da Igreja.

Na Sua amorosa providência, Deus fez de São Pedro Canísio o Seu embaixador, num período em que a voz do anúncio católico da fé nos Países de língua alemã corria o risco de se calar. Nisto reentram ambos os pólos em cujo campo de tensão se manifestaram a personalidade personalidade e as obras do Doutor da Igreja: a Alemanha, que então estava constituída por um território muito mais extenso que o de hoje, e a verdade da fé católica que esteve exposta a diversas críticas.

2. Como cooperador na difusão da verdade (cf. 3 Jo 8), Pedro Canísio serviu de múltiplos modos a Igreja na Alemanha. Também quando se dedicou a actividades políticas e organizativas, o objectivo da sua obra permaneceu o anúncio da verdade, e foram sempre a catequese e a pastoral o fio condutor da sua rica produção. Tanto o apreço extraordinário que obteve das autoridades eclesiásticas e seculares, como os obstáculos que os seus detractores tentaram erguer no seu caminho, demonstram o modo como conviveram nele sinceridade e bom senso.

O Santo dedicou particular atenção aos jovens, em cuja formação intelectual e religiosa via um pressuposto essencial para um futuro católico da Alemanha. Esta actividade era reconhecida pelos seus coirmãos na Companhia de Jesus, cujo fruto foi a criação, em poucos decénios, de uma elite espiritual que se tornou o elemento propulsor daquela época cultural, na qual o que o Concílio de Trento havia semeado produziu uma abundante colheita.

Uma experiência tão encorajadora faz-nos compreender qual é o grande significado que poderia revestir actualmente uma escola, impregnada pelo espírito do Evangelho, intimamente conexa com a vida da Igreja e empenhada em altos ideais culturais. Deste modo, caros Irmãos, recomendo-vos vivamente a promoção da instituição escolar católica, que na Alemanha, de resto, está há muito tempo organizada de modo exemplar. Quem serve os jovens, serve o futuro da Igreja e da cultura. Por esta razão uma educação juvenil, baseada na Igreja, é um serviço indispensável para um fecundo florescimento cultural e religioso da Alemanha, pela qual vale também a pena fazer sacrifícios de carácter financeiro e ideal.

3. O facto de Pedro Canísio, não obstante a sua incansável actividade eclesial, ter deixado também uma vasta obra de carácter teológico, suscita admiração e maravilha. Se se avaliarem os teólogos com base nas suas qualidades criativo-especulativas e na sua disposição crítico-histórica, é difícil encontrar nele uma originalidade particular e grandes divagações espirituais. Que o Santo estivesse muito longe dessas exigências, certamente é atribuível ao facto que, nas confusas condições do tempo em que viveu, se sentia enviado ao serviço da verdade da fé como Pastor de homens: «Desejo despertar nos outros e em mim mesmo um fervor maior, a fim de que o depósito católico da fé, que o Apóstolo não nos confiou sem motivo e que é preferível a todos os tesouros deste mundo, seja conservado preciosamente intacto e autêntico, pois dele dependem a sabedoria cristã, a paz em geral e a santidade do homem» (3).

Pedro Canísio imergiu-se de maneira consciente na corrente da santa Tradição, que os Apóstolos tinham iniciado e transmitido, a fim de que ela, como Tradição viva, unisse todas as novas gerações de fiéis às origens da Revelação em Jesus Cristo. Canísio reuniu em si a erudição do espírito, a santidade de vida e — segundo um ideal típico da sua época plasmada pelo Humanismo e pelo Renascimento — também a fineza e a elegância da expressão verbal, de maneira que imediatamente após a sua morte foi definido «o Santo Agostinho do seu tempo».

Aproximar a ciência teológica às Escrituras e à Tradição, segundo quanto foi estabelecido pelo Magistério da Igreja, e confirmá-la através da vida pessoal, é uma mensagem para todos aqueles que hoje se dedicam ao ensino da Teologia. A obra de Pedro Canísio demonstra que a ciência teológica só se torna fecunda se for posta ao serviço da verdade revelada. Esta tarefa só pode ser desenvolvida por aqueles teólogos que, com o seu ponto de vista, não se põem numa distância crítica da Igreja, mas permanecem nela como seus membros que crêem, esperam e amam. Por isto o teólogo deve, como um sismógrafo, seguir as mutações repentinas das ciências humanas, e em vez de se lhes tornar escravo, deve pôr os seus conhecimentos à luz da fé e avaliá-los sob este ponto de vista. Somente deste modo poderá ser um interlocutor honesto e fidedigno para as ciências profanas, cujas investigações têm em todo o caso uma orientação ética. A Igreja é, portanto, o espaço vital do teólogo. Assim como o peixe não pode viver fora d’água, de igual modo o teólogo só pode permanecer fiel à sua própria identidade, se enraizar firmemente na vida da Igreja as suas especulações e interrogativos, as suas pesquisas e obras.

4. Pedro Canísio não tinha a peito apenas os «grandes» da Igreja e da política. Dirigia-se também aos «pequeninos », em particular às crianças. Numa carta, escreve: «Outros podem tomar como pretexto o próprio trabalho, podem ter em vista cargos mais altos, que prestam à Igreja máximos serviços. (…) Podem também justificar-se, afirmando não quererem tornar-se eles mesmos crianças entre as crianças. Cristo, a Sabedoria do próprio Deus, não voltou atrás e tratou as crianças com confiança » (4).

Quando se lhe apresentava uma ocasião, dedicava-se pessoalmente a instruir na fé as crianças; ao mesmo tempo procurou ter a possibilidade de se dirigir às novas gerações dos Países católicos de língua alemã, expondo por escrito o ensinamento religioso e moral nos Catecismos. Da sua força de identificação às capacidades de aprendizagem dos seus leitores, brotaram três catequeses dirigidas a três diversos grupos diferentes pela complexidade de linguagem, mas substancialmente idênticas na estrutura e conteúdo. Embora o tempo em que Canísio actuou fosse dramático e cheio de provas lacerantes, o Santo permaneceu fiel ao seu princípio de renunciar a inflamadas polémicas, de não fomentar polarizações e de expor em primeira linha a doutrina católica, sem citar os inimigos nem sequer agredi-los.

A respeito disso, recordo a minha Carta Apostólica Catechesi tradendae, que retoma a herança do «Doutor da Igreja do anúncio» e desenvolve os princípios da catequese hodierna. Estruturada de maneira sistemática, ela quer oferecer o essencial da doutrina católica, com a necessária integridade e, em relação ao grau de formação do seu destinatário, introduzi-la em todos os âmbitos da vida cristã (5).

Se uma consciência amadurecida pressupõe uma cultura sólida, é necessário um firme conhecimento da fé para que o homem, no decurso da sua vida, que hoje por vezes o faz sentir como se caminhasse à beira dum precipício, seja capaz de distinguir entre o verdadeiro e o falso, o bem e o mal, a via para a santidade e o caminho errado.

Aos numerosos homens e às muitas mulheres que se empenham no serviço nem sempre fácil da catequese, dirijo a minha mais profunda gratidão. Depois das mutações políticas nos Países do Leste, a tarefa da catequese assumiu uma nova dimensão. Este serviço da Igreja é dirigido não só às crianças e aos jovens, mas também aos adultos. No vosso País vivem, de facto, muitas pessoas que foram defraudadas da verdade sobre Jesus Cristo ou, ainda que outrora acreditassem nela, depois a excluíram deliberadamente da própria vida. Estou-vos grato pelos múltiplos esforços catequéticos que fazeis para oferecer, a quem procura dar um sentido à própria vida, uma fonte cuja água não só permite aplacar a sede ardente mas «dá a vida eterna» (Jo 4, 14).

5. A primeira fonte, na qual Pedro Canísio bebia como num elixir de longa vida, foi constituída pelas Sagradas Escrituras. Referia-se a elas sobretudo quando pregava. Quer se encontrasse no interior das catedrais ou nas cortes dos príncipes, quer nas paróquias ou nos conventos, o púlpito era para ele o lugar privilegiado para o serviço da verdade. Ele mesmo, certa vez, disse que na Igreja de Deus não existe ofício mais digno, eficaz e abençoado que o do pregador, que o exerce com fidelidade e expõe ao povo, explicando-a, a interpretação correcta da Palavra de Deus. Ao contrário, o cristianismo jamais é tão danificado como quando confia a pregação àqueles que ensinam o erro (6).

Reflectir sobre o grande pregador Canísio recorda-nos que, entre as formas da dissertação religiosa, a pregação tem um papel de primeiro plano. Com efeito, ela não é só um modo de criar comunhão através da comunicação, mas é o eco da voz do próprio Jesus Cristo, que exorta os homens: «Completou-se o tempo e o reino de Deus está perto: Arrependei- vos e acreditai na Boa Nova» (Mc 1, 15).

Na nossa época o ofício do pregador representa um desafio particular. Por causa da mensagem dos meios de comunicação social, a cujo poder de penetração, muitas vezes reforçado pelas imagens, o homem consegue subtrair-se com dificuldade, por causa da sua tendência à simplificação e do carácter discutível dos valores que eles transmitem, o pregador muitas vezes se sente como «alguém que grita no deserto» (cf. Mt 3, 1-3). Apesar disto, a pregação constitui também hoje uma grande possibilidade de transmissão da fé. A respeito disso, o contacto pessoal que se instaura entre aquele que prega e aquele que escuta, assume um significado particular. O carácter imediato do encontro permite à mensagem mostrar a própria autenticidade. O pregador não é só aquele que ensina, mas é sobretudo aquele que dá testemunho. A Palavra é expressa através de um intermediário, de maneira que a pregação ressoe dum certo modo, como o eco do anúncio de Cristo: «Quem vos ouve é a Mim que ouve» (Lc 10, 1). Por este motivo é indispensável que o próprio sacerdote, em particular por ocasião da celebração eucarística, exerça o seu ofício de pregador.

Com base nesta exigência prioritária encorajo todos aqueles, a quem é confiado o anúncio, a prepararem-se a fundo através do estudo, da oração e da reflexão, para exercer esta tarefa. Se a Palavra das Sagradas Escrituras for para o pregador como o pão quotidiano, tornar-se-á para ele mais fácil anunciar a Boa Nova aos seus fiéis como Palavra de vida.

6. Como já recordei no início da minha Carta, o segundo Apóstolo da Alemanha hauriu inspiração para a sua missão de vida, orando junto do túmulo do seu grande Santo Padroeiro, o Apóstolo Pedro, e recebeu de um Sucessor deste último, o Papa Paulo III, a bênção para a sua missão.

Com profunda gratidão podemos hoje afirmar que a unidade entre a Santa Sé e os Bispos alemães é muito firme. Os sinais desta proximidade e desta comunhão espiritual, que constantemente me ofereceis, muito me alegram. Também inúmeros sacerdotes e fiéis me demonstram a sua generosidade e a sua devoção. Da sua parte, a Santa Sé sempre atribuiu o máximo valor ao vínculo profundo que a une à Igreja na Alemanha, e expressou-lhe muitas vezes o seu particular apreço. Eu mesmo, durante as minhas três viagens apostólicas, manifestei a minha proximidade à Igreja na Alemanha. Como sabeis, o Sucessor de Pedro, ao qual o Senhor confiou a missão de confirmar os próprios irmãos, sente-se vinculado ao exemplo do Apóstolo das Gentes, São Paulo, e ocupa-se de todas as comunidades. Por isto, valha aquilo que o Papa Pio IX disse durante o Concílio Vaticano I: «Esta suprema autoridade do Bispo de Roma, veneráveis Irmãos, não oprime, mas ajuda; não destrói, mas edifica; consolida na dignidade, une no amor, fortalece e tutela os direitos dos seus Coirmãos, os Bispos» (7). As numerosas pessoas que experimentaram a opressão política ou ideológica sabem quanto isto é verdadeiro.

A missão do Bispo de Roma vem-nos à mente também quando enfrentamos a questão da unidade dos cristãos. Desde o tempo de Pedro Canísio, em que já tinha sido estabelecida a dolorosa divisão da fé no Ocidente, a relação da Igreja católica com as comunidades eclesiais surgidas da Reforma mudou de modo radical. Recordo-vos o Decreto sobre o Ecumenismo Unitatis redintegratio, do Concílio Vaticano II, e também a minha Encíclica Ut unum sint, e exorto-vos a estudar os princípios do verdadeiro ecumenismo, que neles estão contidos, e a pô-los em prática com honestidade. O Primado do Bispo de Roma constitui um serviço irrenunciável para a unidade. «Presidir na verdade e no amor, para que a barca (…) não seja despedaçada pelas tempestades e possa chegar um dia ao porto almejado» (8), nisto consiste a tarefa urgente do Sucessor de Pedro. Por este motivo, exorto-vos a assumir juntamente comigo a comunhão espiritual como critério dos vossos esforços orientados para a unidade, tanto da Igreja na Alemanha como com as comunidades eclesiais separadas. Ao mesmo tempo, renovo a oração que há dez anos elevei na presença do Patriarca Ecuménico, Sua Santidade Dimítrios I: «O Espírito Santo nos dê a Sua luz e ilumine todos os pastores e os teólogos das nossas Igrejas, para que possamos procurar, evidentemente juntos, as formas mediante as quais este ministério possa realizar um serviço de fé e de amor, reconhecido por uns e outros» (9).

Veneráveis Irmãos!

São Pedro Canísio, Doutor da Igreja, no decurso dos cinquenta anos do seu incessante empenho, na heróica obediência ao serviço prestado à verdade, muitas vezes com sofrimento, semeou aquilo que, não muito tempo depois da sua morte, deu abundantes frutos. O seu caminho ao serviço da fé católica levou- o a todos os Países da Europa central, de Nimega, sua terra natal, a Roma e a Messina, de Estrasburgo à minha terra natal, Cracóvia, e enfim a Friburgo. Os confins nacionais eram estranhos à sua obra; ele considerava-se ao serviço da Igreja, que vai para além das nações. O que na confusão do tempo em que viveu ele só podia imaginar é hoje, no limiar do terceiro milénio, a nossa esperança: com a nossa ajuda, Deus está prestes a fazer florescer «uma grande primavera cristã» (10), uma jovem Igreja no velho continente europeu. A Mãe de Deus e Mãe da Igreja, que o segundo Apóstolo da Alemanha venerou com as palavras, os escritos e a oração, vos conceda, a vós e àqueles que vos são confiados, o bom conselho: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2, 5).

Concedo-vos de coração a minha Bênção Apostólica.

Vaticano, 19 de Setembro de 1997.

JOÃO PAULO II

 Notas

1) Petri Canisii Epistulae I, 54.

2) ASS 30 (1897) 3-9, sobretudo o número 3.

3) «Meditationes seu Notae in Evangelicas Lectiones», em: Societatis Jesu Selecti Scriptores II, Friburgo I.B., 1955.

4) Petri Canisii Epistulae VII, 333 s.

5) Cf. Catechesi tradendae, 21.

6) Petri Canisii Epistulae et Acta VI, 627.

7) Collectio Lacensis VII, 497 s.

8) Ut unum sint, 97.

9) Homilia de João Paulo II durante a Celebração eucarística na Basílica de S. Pedro, na presença de Dimítrios I, Arcebispo de Constantinopla e Patriarca Ecuménico (6 de Dezembro de 1987), 3: AAS 80 (1988), 714.

10) Redemptoris missio, 86.

http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/letters/1997/documents/hf_jp-ii_let_19970925_canisio_po.html

Biografia de São Pedro Canísio pelas Irmãs Canisianas

São Pedro Canísio nasceu em Nimega (Ninwegen), Holanda no dia oito de maio de 1521. Seus pais Jacob Kanisius e Aegidia Van Houweningen eram muito religiosos e o educaram na fé. A mãe, de modo especial, marcou profundamente a vida de Canísio pelo exemplo e profunda piedade, muito querida por todos, era uma verdadeira “Serva do Senhor”, como escreveu mais tarde Canísio.

 Enquanto estudava conheceu o padre Nicolau Van Esche que passou a ser seu confessor, ensinou-lhe a meditar e deu-lhe o conselho de ler o Evangelho diariamente. Este padre teve grande influência na vida de Canísio e o ajudou a refletir sobre o futuro e a vocação.http://www.canisianas.com.br/ 

Aos vinte e dois anos de idade, Canísio toma uma grande decisão e ingressa na recém fundada Companhia de JESUS na qual é Ordenado Sacerdote na Festa de Pentecostes, no dia treze de junho de 1546 na cidade de Köln – Alemanha. Sendo um dos primeiro Jesuítas, ele muito colaborou com Inácio de Loyola, ajudando a consolidar a Companhia de Jesus especialmente na Alemanha.

Trabalhou também na Áustria e Suíça. Nestes três países desempenhou, além do trabalho religioso, um importante papel na área da Educação. Fundou vários colégios, foi professor e Reitor da Universidade de Ingolstadt.

Para responder aos apelos de sua Congregação e da Igreja, Canísio enfrentou inúmeros desafios como: transferência percorreu centenas de quilômetros a pé, transpor montanhas, superar as intempéries do tempo como a chuva ou a neve, os insultos dos adversários na fé, os cargos que lhe eram impostos pela obediência.

Pedro Canísio viveu na conturbada época de Reforma liderada por Lutero e da Contra-Reforma organizada pela Igreja para conter a expansão do Protestantismo. Sendo uma pessoa culta, de uma fé convicta e ao mesmo tempo de muito bom senso e serenidade foi designado por seus superiores para muitas e árduas missões as quais sempre cumpriu em atitude de obediência.

Diversas vezes como representante da Igreja esteve diante de reis desempenhando o papel de conciliador/diplomata; foi presença importante em Conferencias, Congressos e até no Concílio de Trento como Conselheiro nos assuntos relacionados à Teologia. Para defender a fé católica e combater as heresias que se espalhavam assustadoramente pela Europa, o Papa o incumbiu de escrever os primeiros catecismos da Igreja. Por esta razão hoje podemos chamá-lo de o Padroeiro dos Catequistas!

Canísio viveu seus últimos dezessete anos na cidade de Friburgo/ Suíça onde fundou o Colégio São Miguel que funciona até hoje e ainda é considerado um dos melhores da cidade. Localizado dentro do colégio está o quatro de São Pedro Canísio, hoje transformado em capela em memória ao grande Educador e Santo da Cidade.

Faleceu em Friburgo no dia 21de dezembro de 1597. Em 1864 foi beatificado pelo Papa Pio IX. Em 1897 recebeu o título de “Segundo Apostolo da Alemanha” através do Papa Leão XIII. Em 21 de maio de 1925, foi Canonizado pelo Papa Pio XI e Elevado Doutor da Igreja.

Dia de são Pedro Canísio: 21 de Dezembro

Lema da Vida de São Pedro Canísio: “PERSEVERA” – diante de qualquer situação, por mais difícil que seja, perseverar na confiança e na fé em Deus. CANÍSIO, UM HOMEM DE DEUS

Da vida de São Pedro Canísio o que hoje deve ser lembrado e seguido é: O seu exemplo de humildade, o amor a Nossa Senhora e a vida de profunda intimidade com Deus.

A HUMILDADE, embora sendo uma pessoa de profundo conhecimento não foi arrogante diante dos mais simples e não se orgulhou pelas vezes ocupou um cargo ou foi chamado a pregar nas catedrais ou palácios. Em todos os seres humanos respeitou a dignidade de filhos de Deus. Por humildade, ele não aceitou ser Bispo, cargo que lhe foi oferecido por mais de uma vez.

AMOR E DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA, durante toda a vida, São Pedro Canísio cultivou um intenso amor filial à Mãe de Deus a qual dedicava especialmente a Oração do Terço. Nos lugares por onde passou sempre se preocupou em fundar uma Congregação Mariana. Em Friburgo, já idoso, cansado e doente ele subia diariamente até o pequenino Santuário de Notre Dame, em Bürglen, para expressar o seu carinho através das orações à sua mãe celeste.

A devoção e o carinho que São Pedro Canísio sentia por Nossa Senhora, fez com que na hora da morte, aos setenta e seis anos de idade, ele tivesse uma “visão” da Mãe de Deus, que veio para consolá-lo naquela hora tão difícil.

A INTIMIDADE COM DEUS, apesar de ser um homem muito ocupado com funções e trabalhos diversos além das incontáveis viagens, São Pedro Canísio sempre reservou tempo para a Oração e Intimidade com Deus. Muitas vezes ele rezava com tanta intensidade que quase entrava em êxtase e ficava nestes momentos “ausente” da realidade. Na oração ele encontrava o vigor e a coragem para perseverar na busca da santidade.

Confissões de São Pedro Canísio.

Armando Cardoso, SJ, Tradução e Introdução. 1998.

Introdução

 Nasceu em 8 de maio de 1521 em Nimega, cidade da Alemanha naquele tempo, hoje pertencente a Holanda. Batizado, recebeu o nome de Piter Kanis, neolatinizado em Pedro Canísio…Aos 3 anos do filho, moribunda, Egídia fez o marido prometer que jamais abandonaria o catolicismo, num tempo em que o luteranismo invadia vastas regiões da Alemanha. Jacó casou-se com Wandelina can den Berg, que recebeu Pedro com afeto de mãe. (Introdução.p.8).

 Seu pai o destinou à magistratura e, para isso, ao estudo do Direito, para o qual o rapaz não sentia inclinação nenhuma, preferindo estudar Filosofia e Direito Canônico em Colônia. Aos 19 anos conseguiu o doutorado, que aperfeiçoou em Lovaina. Já então havia feito voto de celibato, contra a vontade do pai, que oferecia uma moça nobre e rica. (Introdução.p.8).

 Mas em 1543, aos 22 anos de idade, teve notícia de um sacerdote de uma nova Ordem religiosa, chamado Pedro Fabro. Foi a mogúncia para vê-lo e foi por ele persuadido a fazer os Exercícios Espirituais, que deram novo rumo à sua vida. Recebido como noviço jesuíta, voltou a Colônia, terminou Teologia e ordenou-se sacerdote em 1546, ano em que acabou de preparar para a imprensa as Obras de São Cirilo de Alexandria. Encarregado de delicada tarefa, a de alcançar de Carlos V a remoção do arcebispo de Colônia, bandeado para o protestantismo, conseguiu pleno êxito. (Introdução.p.8-9).

 Chamado de novo a Roma por Inácio, recebeu ordem de preparar-se para a Profissão Solene. Antes dessa missa pública, foi ao Vaticano rezar perante a tumba de São Pedro e sentiu claramente que Deus o destinava para apóstolo da Alemanha e lhe dava um anjo para acompanhá-lo. Diante do altar do Santíssimo Sacramento, Jesus manifestou-lhe a chaga do Coração e mandou que bebesse nessa fonte toda a força de seu futuro apostolado. (Introdução.p.8-9).

 Não houve cidade da Alemanha que ele não tenha visitado e enriquecido por sua pregação. (Introdução.p.10).

 O êxito do trabalho de Canísio em viena fez com que seu nome fosse proposto para ser o Bispo da capital da Áustria. Canísio escreveu aflito a Santo Inácio: “Ajuda-me! Não dê permissão! Faça o que puder!Pouco depois recebeu carta de Roma: “Graças ao Padre Inácio você fica livre do cargo de Bispo!”(p.258. Dom José Carlos de Lima Vaz., SJ. Santos – Vida e Fé. Editora Vozes.2008).

 …Um Jesuíta de praga escrevia a Roma: “É admirável como o povo venera nosso Padre Provincial Canísio. É querido pelos católicos, os hussitas, os protestantes e os judeus. (p.260. Dom José Carlos de Lima Vaz., SJ. Santos – Vida e Fé. Editora Vozes.2008).

 Só alcançou um pouco de descanso de 1565 a 1577, período em que rebateu as Centúrias Magdeburgenses, história da igreja sob o prisma dos Protestantes, escrita por eles. Canísio, bem fundamentado, redigiu três volumes de 800 páginas cada um, ficando incompleto o terceiro, por se agravarem suas doenças. (Introdução.p.11).

 Desde os 59 anos de idade, Canísio é um homem cansado…Foi um fortim avançado contra o luteranismo, de um lado, e  calvinismo, de outro. Percorreu toda a Confederação com sua pregação e seus escritos. Animou  devoção a Maria e as peregrinações a seus santuários. São Carlos Borromeu e São Francisco de Sales convidavam-no para novos trabalhos.  Fez-se necessária a intervenção dos Superiores para que ele pudesse tratar de suas doenças, que o levaram à morte no dia do apóstolo São Tomé, 21 de dezembro de 1597. Foi beatificado em 20 de novembro de 1884, por Leão XIII, como 2º Apóstolo da Alemanha, sucessor de São Bonifácio, sendo canonizado e declarado doutor da Igreja por Pio XI em 2 de maio de 1925. (Introdução.p.12).

 Sempre ser agradecido e humilde.

 Era o ano deste teu nascimento, ó Jesus Cristo, meu criador e redentor benigníssimo, 1521, quando quiseste que eu, ‘filho da ira e servo do pecado’, viesse à luz deste mundo. Concedeste-me pais católicos, honrados e bastante ricos, Jacó e Egídia. Deste-me por pátria a região de Géldria e a cidade de Nimega. Escolheste para o meu nascimento o dia 8 de maio. Não muito depois purificaste-me com o sagrado batismo. Assim, eu, “concebido e nascido em pecados”, recebia o “banho da regeneração” e o “espírito da adoção”, renascia entre os filhos de Deus, participava de tua graça, para te servir perpetuamente, com os santos, na santa Igreja, agora militante e depois triunfante.

 Que retribuirei ao Senhor, que, sem mérito algum meu, gratuitamente me chamou, adotou, justificou, quando eu nem desejava nem entendia este grande benefício? A um vil homenzinho, Ele o “fez digno de participar da sorte dos santos e o tirou do poder das trevas, transportando-o para  reino de seu amor, em que temos a redenção e o perdão de todos os pecados. “Bendito seja o Senhor, porque glorificou  a sua misericórdia para comigo na cidade fortificada! Bendito seja o “Pai de família que contratou e conduziu para operário de sua vinha” a mim, bem de manhã. Bendito o “Espírito Santo, pelo qual foi difundido o amor de Deus em meu coração, fui feito seu templo e fui selado para o dia da ressurreição! Reconheço, ó Cristo, a tua graça e proclamo, ó Deus, a tua benignidade: uniste ao meu corpo uma alma imortal, ajuntaste-me um perpétuo anjo da guarda, conservaste-me no seio materno durante nove meses e, apenas nascido, quiseste fazer-me e educar-me como cristão entre cristãos. Nem calarei, para a tua glória, que me deste uma família e até um pai que perseverou na religião católica, firmado pela piedade de minha mãe. Esta, ao morrer, tão prudente religiosa, advertiu o esposo para fugir da nova fé que pululava entre os nossos compatriotas e para reter com todos os dentes a religião católica. (Livro I, p.18-20).

Foi Também dom especial de tua graça quereres que eu nascesse não só para o mundo, mas ainda renascesse espiritualmente, depois do batismo, na religião católica, no mesmo dia, quanto me lembro, 8 de maio, mais célebre pela aparição do arcanjo São Miguel. Então, minha mãe tua serva, me gerou pecador. Ela, por sua piedade, muitas vezes, assim ouvi dizer me recomendou a Ti com solicitude e lágrimas, como filho único…Portanto, Bendize, ó minha alma, ao Senhor e tudo o que há em mim ao seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de agradecer todos os dons que sua divina bondade, te demonstrou e ainda algumas vezes renovou.(Livro I, p.22-23)

 Se “nada há comparável a um amigo fiel, acima de qualquer peso de ouro ou prata, devo considerar grande dom, concedido a mim por ti, a consecução de muitos amigos em Colônia, sinceros amantes da salvação de minha alma. Aí comecei o ensino da Doutrina Sagrada e a pregação, apoiados em tua graça. (Livro I, p.42).

 Tu, Senhor “me preveniste com tua misericórdia” de muitos modos me arredaste de pecados mais graves e precedeste meus pés, para não entrarem pelo caminho largo que conduz à perdição os amadores do mundo.(Livro I, p.46).

 Não posse esquecer as boas e santas almas dos que freqüentei com consolação e proveito quando menino e adolescente. Vivi em Arnheime, Nimega, Boscovike, Ostervike, Dieste, Lovaina. (Livro I, p.48-49).

 Verdadeiramente o Altíssimo me assistiu quando, por sua inspiração, deixei Colônia e me dirigi sozinho para Mogúncia. (Livro II, p.73).

 Permaneci em Roma até o fevereiro seguinte. Com grande gosto, convivi com Padres muito queridos e entreguei-me alegremente a santas meditações e ministérios próprios de nosso Instituto.(Livro II, p.87).

 Em 8 de março, dez Irmãos desta tua Companhia despediste em Roma e os guardaste em Nápoles até o dia da Santa Ceia de teu Filho, à espera do momento para embarcar. Ali quisestes espargir o bom odor de teus servos, acrescentando-lhes fruto nada desprezível. Enfim, robustecidos de corpo e alma, os confiaste a um navio firme e a um navegador experiente.

Mas durante a navegação, experimentamos as estupendas obras de teu poder, desconhecidas aos mais dentre nós. Lançados à fúria das ventanias e ao temor dos piratas, respiramos depois pela tua graça. Inopinadamente, tu nos dirigiste para onde maravilhosamente aportamos, a saber, as duas cidades da Calábria. À primeira fomos arrastados pelo ímpeto da tempestade, sem saber a tua vontade  , com que reforçaste a saúde abalada de alguns, dando-lhes tua az. Tu lhes concedeste providencialmente também a celebração da Penitência, acrescentando, com alegria de todos, a Comunhão, em tua mesa e por nossas mãos, do Cordeiro Pascal. (Livro II, p.88-89).

Reflexão

 Gastava boa parte do tempo na ociosidade com brincadeiras, bobagens, tolices..(p.25).Não cedia facilmente, se alguma vez era admoestado ou repreendido, tanto era o meu inchaço, tanta a temeridade, o amor próprio, a tolice, a petulância que ocupavam minha mente.(p.30, Livro I)

 Frase

 Oh! Se pudessem os adolescentes puros conhecer os seus bens, como os rodeariam de cuidado e esforço, para guardar inteiro esse tesouro verdadeiramente áureo da castidade.(p.36. Livro I)

 Virgindade

 Portanto, nos meus 19 anos de idade, se não me engano, tu me concedeste e confirmaste o que era mais perfeito, para que eu, espontaneamente, dedicasse a minha virgindade e, amante da virgindade, me prendesse por voto ao perpétuo celibato. Desse fato nunca me arrependi.(p.38.Livro I).

 Misericórdia

 Contudo, meu Deus e Criado, “minha vida e salvação, tu “não rejeitaste nada do que fizeste”, mas “amas tudo o que existe”, e disseste com juramento: “não quero a morte do pecador, mas que se converta e viva”. Por isso respiro em tuas misericórdias tão numerosas e tão enormes, ó Pai clementíssimo, “Pai das misericórdias” inumeráveis, incomensuráveis, incomparáveis.(p.62. Livro I)

 Oração

 A sua morte seja a minha vida! O seu sangue e as suas chagas lavem os meus males! Como a minha carne me seduziu frequentemente para a culpa, assim a carne de tão amado e inocente Filho e irmão me refaça para o perdão e te dobre para a misericórdia! Que o fruto da paixão e morte do redentor do mundo se aplique à remissão de todos  os pecados por mim já designados e à consecução e aumento dos dons espirituais mais necessários. (p.67.Livro I).

 Catecismo

 Estava em Viena junto do Rei Fernando e ensinava matérias sagradas, parte nas aulas, parte na igreja. Ele quis que eu trabalhasse não só pela voz, mas também com a pluma na mão, em favor de seus austríacos de fé corrompida, e escrevesse um tal catecismo que suavemente erguesse os caídos e reconduzisse ao caminho os transviados, com a graça de Deus….Assim, aprovado…foi também comentado frequentemente em aulas, como em Paris, Colônia, Lovaina. A mesma obra foi aceita na Polônia, na Espanha, na Itália e na Sicília. Desagradou somente aos protestantes…Ladraram publicamente contra este catecismo. Pois, aos que amam as trevas da noite não pode a luz deixar de ser odiosa.(p.110. Livro II)

 ..Por decreto imperial, determinou-se celebrar um Colóquio Teológico entre Católicos e Protestantes em Wormes. Foi no ano de 1557.(p.112.Livro II).

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