Biografia dos Santos

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O Pentecostes foi o momento de efusão do Espírito Santo sobre Maria Santíssima e os apóstolos quando estavam reunidos no cenáculo em oração. Antes de o Espírito Santo descer acontece a escolha do discípulo que substituiria o lugar de Judas, o traidor. Matias é o escolhido. Deus é tão bom que quis que o novo discípulo recém chegado participasse da graça de receber o Espírito Santo em Pentecostes. É a própria parábola do pai de família que se concretiza. Todos os onze discípulos acompanharam Jesus em toda sua vida publica de evangelização. Estiveram fiéis, durante anos, com Jesus. A bondade de Deus é tão grande que lhes reservou a graça de receber o Espírito Santo. Jesus prometeu aos discípulos, após a Ressurreição: “porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui há poucos dias.”(Atos 1, 5). Aos onze discípulos e a Maria Santíssima era esperado que fosse enviado o Espírito Santo, o paráclito, conforme o desígnio de Deus. No entanto, a infinita bondade de Deus sempre nos encanta com sua excelência no amor. Deus tem um desígnio especial para o Matias. Sim, ele que não era um dos doze, e, foi escolhido para o lugar de Judas, teve a graça de iniciar seu discipulado com a vinda do Espírito Santo sobre ele e os discípulos. Quão profundos são os desígnios de Deus e a quão abundante é sua bondade e misericórdia. Deus só esperou o momento de escolher Matias para logo em seguida enviar o seu Espírito Santo sobre Maria Santíssima e os discípulos. Esta misericórdia de Deus nos leva a refletir a parábola do pai de família. Em Mateus 20, 1-16, encontramos um belíssimo ensinamento sobre a Bondade de Deus:

 Com efeito, o Reino dos céus é semelhante a um pai de família que saiu ao romper da manhã, a fim de contratar operários para sua vinha. Ajustou com eles um denário por dia e enviou-os para sua vinha. Cerca da terceira hora, saiu ainda e viu alguns que estavam na praça sem fazer nada. Disse-lhes ele: – Ide também vós para minha vinha e vos darei o justo salário. Eles foram. À sexta hora saiu de novo e igualmente pela nona hora, e fez o mesmo. Finalmente, pela undécima hora, encontrou ainda outros na praça e perguntou-lhes: – Por que estais todo o dia sem fazer nada? Eles responderam: – É porque ninguém nos contratou. Disse-lhes ele, então: – Ide vós também para minha vinha. Ao cair da tarde, o senhor da vinha disse a seu feitor: – Chama os operários e paga-lhes, começando pelos últimos até os primeiros. Vieram aqueles da undécima hora e receberam cada qual um denário. Chegando por sua vez os primeiros, julgavam que haviam de receber mais. Mas só receberam cada qual um denário. Ao receberem, murmuravam contra o pai de família, dizendo: – Os últimos só trabalharam uma hora… e deste-lhes tanto como a nós, que suportamos o peso do dia e do calor. O senhor, porém, observou a um deles: – Meu amigo, não te faço injustiça. Não contrataste comigo um denário? Toma o que é teu e vai-te. Eu quero dar a este último tanto quanto a ti. Ou não me é permitido fazer dos meus bens o que me apraz? Porventura vês com maus olhos que eu seja bom? Assim, pois, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos. [ Muitos serão os chamados, mas poucos os escolhidos.](Mateus 20, 1-16).

 Deus é bom. a Sua Bondade e Misericórdia é infinita. O operário que trabalhou por último foi o primeiro a ser pago pelo trabalho que executara. Teve ainda o benefício de receber o mesmo que os outros receberam mesmo tendo trabalhado só uma hora. Deus revela neste ensinamento que: “os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos.” A escolha de Matias se encaixa perfeitamente nesta parábola. Foi o último discípulo a ser escolhido para substituir o lugar vago de Judas. Não tinha feito nenhum trabalho. Não tinha enfrentado mares tempestuosos, nem as perseguições dos fariseus. Matias conheceu em infinita abundância o beneplácito de Deus na sua escolha. Em toda atividade primeiro se realiza o trabalho e depois recebemos o pagamento merecido. Matias, sem merecer, nem ter iniciado a evangelização, recebeu como pagamento a amizade e companhia de Maria e os discípulos. Este pagamento já era suficiente para ser eternamente agradecido. A companhia de Maria já seria suficiente para eternamente louvar e bendizer a Deus. Mas Deus, em sua insondável misericórdia concedeu a Matias ainda a graça infinita de receber o Espírito Santo em Pentecostes. Matias é a obra prima da misericórdia e bondade de Deus. “Assim, pois, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos.”(Mateus 20, 16). Em Atos 1, 13-26, podemos refletir esta misericordiosa escolha de Matias:

 “Tendo entrado no cenáculo, subiram ao quarto de cima, onde costumavam permanecer. Eram eles: Pedro e João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelador, e Judas, irmão de Tiago. Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele. Num daqueles dias, levantou-se Pedro no meio de seus irmãos, na assembléia reunida que constava de umas cento e vinte pessoas, e disse: Irmãos, convinha que se cumprisse o que o Espírito Santo predisse na escritura pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus. Este homem adquirira um campo com o salário de seu crime. Depois, tombando para a frente, arrebentou-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram. (Tornou-se este fato conhecido dos habitantes de Jerusalém, de modo que aquele campo foi chamado na língua deles Hacéldama, isto é, Campo de Sangue.) Pois está escrito no livro dos Salmos: Fique deserta a sua habitação, e não haja quem nela habite; e ainda mais: Que outro receba o seu cargo (Sl 68,26; 108,8). Convém que destes homens que têm estado em nossa companhia todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós, a começar do batismo de João até o dia em que do nosso meio foi arrebatado, um deles se torne conosco testemunha de sua Ressurreição. Propuseram dois: José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome Justo, e Matias. E oraram nestes termos: Ó Senhor, que conheces os corações de todos, mostra-nos qual destes dois escolheste para tomar neste ministério e apostolado o lugar de Judas que se transviou, para ir para o seu próprio lugar. Deitaram sorte e caiu a sorte em Matias, que foi incorporado aos onze apóstolos.”(Atos 1, 13-26).

 Quão bonito é notar que, logo após, a escolha de Matias, Maria Santíssima e os discípulos recebem o Espírito Santo de Deus. Acontece o Pentecostes.(Atos 2, 1-15). Assim, também nós, ao regressarmos à Igreja Católica, recebemos a graça abundante de participar do serviço eclesial, pela infinita bondade de Deus.

 O Papa Bento XVI,[1] na sua homilia em 14 de maio de 2010 nos ensina:

 O escolhido foi Matias, que tinha sido testemunha da vida pública de Jesus e do seu triunfo sobre a morte, permanecendo-Lhe fiel até ao fim, não obstante a debandada de muitos. A «desproporção» de forças em campo, que hoje nos espanta, já há dois mil anos admirava os que viam e ouviam a Cristo. Era Ele apenas, das margens do Lago da Galiléia às praças de Jerusalém, só ou quase só nos momentos decisivos: Ele em união com o Pai, Ele na força do Espírito. E todavia aconteceu que por fim, pelo mesmo amor que criou o mundo, a novidade do Reino surgiu como pequena semente que germina na terra, como centelha de luz que irrompe nas trevas, como aurora de um dia sem ocaso: É Cristo ressuscitado. E apareceu aos seus amigos, mostrando-lhes a necessidade da cruz para chegar à ressurreição.

Uma testemunha de tudo isto, procurava Pedro naquele dia. Apresentadas duas, o Céu designou «Matias, que foi agregado aos onze Apóstolos» (Act 1, 26)

 O papa Bento XVI[2] em sua homilia em 12 de outubro de 2006 nos ensina:

 Em conclusão, queremos recordar também aquele que depois da Páscoa foi eleito no lugar do traidor. Na Igreja de Jerusalém a comunidade propôs dois para serem sorteados: “José, de apelido Barsabas, chamado justo, e Matias” (Act 1, 23). Foi precisamente este o pré-escolhido, de modo que “foi associado aos onze Apóstolos” (Act 1, 26). Dele nada mais sabemos, a não ser que também tinha sido testemunha de toda a vicissitude terrena de Jesus (cf. Act 1, 21-22), permanecendo-lhe fiel até ao fim.



[1] http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/homilies/2010/documents/hf_ben-xvi_hom_20100514_porto_po.html

[2] http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2006/documents/hf_ben-xvi_aud_20061018_po.html

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