Biografia dos Santos

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“A respiração é sinal de vida,

 a devoção à Maria é sinal de salvação”

Beato Irmão Bernardo

Biografia pelos Maristas

1889, 18 de fevereiro, o Irmão Bernardo nasce em Camallera, perto de Gerona. No batismo, recebeu os nomes de Plácido João José.

1901, em 9 de março, ingressa no juvenato onde um dos irmãos o tinha já precedido.

1905, em 8 de setembro, emite os primeiros votos; em 1910, os votos perpétuos e em 1930, o voto de estabilidade.

Percorreu todas as etapas que os Irmãos conheciam naquela época: cozinheiro da comunidade, estudante, professor do curso primário, do secundário, diretor adjunto, superior de comunidade e diretor da escola.

1925: É nomeado superior da comunidade e diretor da escola das minas (minas de carvão) em Vallejo de Orbó. Essa escola se localiza no mesmo vale de Barruelo da qual dista apenas alguns quilômetros. O apostolado do Irmão será centrado na formação dos filhos dos mineiros.

1931: Os Superiores lhe pedem para assumir a direção da escola de Barruelo e ser orientador da comunidade, composta por seis Irmãos.
1934: no dia 6 de outubro é morto pelos revolucionários.

PLÁCIDO FÁBREGA JULIÀ  (Irmão Bernardo)

Em 6 de outubro de 1934, Há 70 anos, O Irmão Bernardo é assassinado em Barruelo, Espanha. Há 45 anos. A página que abre sua causa sintetiza o acontecimento com estas palavras: « O bom pastor dá sua vida por suas ovelhas », Jo 10,11…

 Amava estar com as crianças

 « Nove horas de aula diárias, escreve ele a um de seus antigos alunos, horas que me parecem minutos, porque encontra satisfação estar no aconchego de crianças e tudo que faço por eles parece-me muito pouco ! » (p. 67)[1].Como Marcelino, o Irmão Bernardo gostava de aconchegar-se das crianças para lhes falar de Deus. Um coirmão nos deixou esta lembrança:

 « Foi em Barcelona, um dia de passeio. Encontramos uma criança pobre, vestida de mordaças. O Ir. Bernardo me diz: « Quem sabe se esta criança pobre sabe que Deus existe ? ». A criança se achega para pedir uma esmola ou uma estampa. Antes de a dar, o Irmão Bernardo fala com a criança e vê que ela sabe o Pai Nosso e a Ave Maria. Ele lhe pede:

 • E quem te ensinou estas orações ?

• Minha mãe.

• Onde está tua mãe?

• Ela morreu.

• Há muito tempo ?

• Três meses.

• Você rezou bastante por ela?

E como a criança não respondia ele lhe pediu:

• E onde está tua mãe agora?

• No cemitério.

• Seu corpo sim, mas sua alma?

• Também !

• Não, meu filho, não sabes que a alma não morre? Não sabes que existe um céu?… (p. 102)

 Há poucos dias vosso pai me fez chegar à sua cabeceira e, colocando em suas palavras toda sua afeição paterna, ele me disse: « Irmão, toma cuidado de minhas crianças, e quando as vires diga-lhes que meu mais ardente desejo é que elas sejam bons religiosos »… Vós o sabeis bem, meus queridos, vosso pai está já no céu, mas fica-vos um segundo pai disposto a fazer por vós tudo o que faria o melhor dos pais. Vosso segundo pai, que amais muito e vos abençoa de todo coração (p. 149).

 Ele dizia dos filhos dos mineiros: «Eles têm o rosto um pouco escuro, é verdade, mas eles são almas de Deus » (p. 150). Meu muito estimado pequeno amigo Emílio: Não podes te imaginar a alegria e a satisfação que me trouxe tua

carta carinhosa. Que coração nobre e delicado Deus nosso Senhor te deu… Dizes-me que me pedes perdão de todos os pequenos desprezares que me causaste, e eu te digo que tudo está esquecido, eu tudo está perdoado, que me sinto feliz por ti (179).

 Buscava dar bom testemunho de vida

 Tudo isso amadurece numa forte vida íntima com o Senhor e a Boa Mãe, sem esquecer a mortificação e mesmo o cilício. Ele dizia: «Que posso fazer de bem aos alunos, se não sou o primeiro a viver o que eu digo ? » (p. 71).

 Coragem para evangeliza, mesmo em tempos de perseguição religiosa

 O Irmão Bernardo sentia-se ameaçado. A um coirmão de Lerida ele dizia: « Não sei o que se passará em Barruelo, mas cedo ou tarde passar-se-á algo horrível… Os pobres operários são fanatizados, eles são armados, eles se preparam todas as semanas…, eles ameaçam o pároco e as irmãs…Mas que tudo seja segundo a vontade de Deus ; é nas suas mãos que estamos. » (p. 197).

 Quando sua mãe soube que ele devia dirigir a escola de Barruelo, na região das minas, ela lhe disse:

 • Que Deus te proteja, meu filho. Os mineiros têm péssima reputação. Esperemos que eles não te matem.

• Eles não são tão maus, mãe, e se assim fora, há maior felicidade que a de dar sua vida por Deus e pelo evangelho ? (p. 199).

 Os amigos também reconheciam seu valor

O Irmão Laurentino, seu provincial, notificado da morte do Irmão Bernardo, este religioso íntegro (religioso cabal), escreveu: « Era um apóstolo infatigável da criança pobre, um religioso exemplar, um marista completo, superior, pai e modelo de seus Irmãos, um excelente recrutador de vocações…» Em 5 de outubro, festa de são Plácido, nome de batismo do Irmão Bernardo, as comunidades de Barrueloe de Vallejo de Orbò reuniram-se para festejar o diretor.Num poema de ocasião um dos Irmãos deseja ao Irmão Bernardo « uma felicidade eterna » (p. 94).

 Um jovem Irmão deve juntar-se à comunidade do Irmão Bernardo. O Provincial não lhe dá senão um conselho: « Esforça-te de ir sempre com Bernardo »… Após alguns dias o Irmão compreendeu: « Era como se me tivesse dito: poderei te aconselhar de ser piedoso, mortificado, zeloso, numa palavra, santo; mas é tudo isso que te recomendo pelo único fato de te colocar na companhia do bom Irmão Bernardo. Com efeito, ele será para ti um modelo de piedade, um espelho de abnegação e de regularidade, um exemplo de zelo, uma luz de

santidade, uma cópia e um resumo de todas as virtudes religiosas e maristas…Nele encontrarás um guia, um amigo, um irmão, um pai… » (p. 135).

 Ele tinha uma predileção especial pelos filhos dos mineiros, ele os via desprovidos para lutar pela vida. (p. 150). Seu objetivo era de fazer o bem a todos, mas de preferência aos filhos dos mineiros… Preocupava-se de encontrar meios para responder às necessidades dos outros, sobretudo das crianças mais pobres; para elas, todos os anos ele recebia roupas (p. 154). Ele distribuía Ir. Bernardo. também suas roupas velhas a jovens já crescidos quevinham lhe pedir. Nunca lhes pedia que idéias professavam.

 Para cobrir as despesas que isso representava ele dava cursos extraordinários (p. 155). Ele tinha uma virtude sólida quanto atraente; irradiava uma tal alegria e uma tal simpatia que não me lembro, nas saídas, que lhe recusassem o bom-dia, mesmo dos mais aguerridos socialistas (p. 178). No tempo que pude conhecer o Irmão Bernardo, apreciei duas grandes qualidades que se destacavam entre as outras: uma piedade sólida e um trabalho infatigável. Quando leu no jornal de que morte ele foi vítima, uma só idéia veio-me à mente: Deus o quis recompensar com a coroa do martírio (p. 180).

 Amava os inimigos

 Dois empregados da administração da Casa do Povo, ambos marxistas e ateus, deviam passar um concurso. Vieram simplesmente visitar o Irmão Bernardo para cursos de preparação. Bernardo nunca recusou tais pedidos e ainda menos desta vez. Durante dois meses ele deu uma hora por dia. Não quis ser pago: « É de coração! » diz ele (p. 152).

 Era o dia de sua festa patronal. Bernardo encontrava-se à mesa com seus Irmãos e aqueles que a comunidade de Vallejo de Orbò havia convidado. Informou-se que um jovem marxista pobremente vestido e sem trabalho estava à porta e pede esmola. Levanta-se imediatamente. Vendo os andrajos do infeliz, traz-lhe roupas, sapatos e o faz sentar-se à mesa. Uma vez refeito, o despede amavelmente (p. 152).

 Era generoso e caridoso

 Todos os anos ele recebia uma grande quantidade de roupas. As distribuía às famílias dos mineiros os mais pobres (p. 153). De boa vontade se fazia mendigo por seus pobres. Deram-lhe o apelo de « d’escroc » «el atracador », apelido que nada tinha de pejorativo (p. 155). Bernardo escreve a um de seus benfeitores: «Há alguns dias, indo à missa das 6h30min, encontramos duas crianças acocoradas na porta de igreja, dois órfãos, quase nus e morrendo de frio. Os trouxemos à escola e os vestimos dos pés à cabeça. Seria mais correto se dissesse que vós os vestistes dos pés à cabeça. » (p. 153).

 Um dia ele encontra uma pobre anciã, tão miserável que sua roupa não era mais que cordas. Logo tirou sua blusa e cobriu a pobre mulher (p. 155). Nos dias de chuva ou de muita umidade, alguns alunos não tinham para voltar para casa senão alpargatas. É nomeado superior da comunidade e diretor da escola das minas (minas de carvão) a Vallejo de Orbò. Esta escola está no mesmo vale de Barruelo, a alguns quilômetros. Seu apostolado centrar-se-á na formação dos filhos dos mineiros. Esta população trabalhadora, pobre e infiltrada pelo marxismo, ele a amará apaixonadamente. Consciente da pobreza destas famílias pretende criar para as crianças oportunidades de um futuro melhor.

 Devoção à Nossa Senhora

 A respiração é sinal de vida. A devoção à Maria é sinal de salvação (p. 118).

 Nós somos teus, Maria, porque vós sois nossa Mãe muita amada, porque vós sois nossa Rainha venerada; nós somos totalmente vossos porque Jesus, morrendo, nos entregou à vossa ternura e à vossa proteção (p. 119).

 Hoje, festa da Imaculada Conceição, tive a alegria de receber o Bom Jesus na igreja da Virgem dos Desamparados. Para não esquecer ninguém, levei o caderno de notas de meus alunos e li vossos nomes um a um pedindo à Santíssima Virgem que ela vos abençoe todos e que ela não permita que um só daqueles que Deus me confiou se perca. (Carta a um aluno; p. 121).

 Amava a oração

 Nossa miséria nos obriga a rezar… Ele tinha uma idéia tão elevada da oração que,…ele me dizia: « A oração é o ponto capital, é o termômetro do religioso » (p. 128).

 Martírio de Irmão Bernardo

 « Deviam ser quatro horas da manhã quando um tiro de petardo e de fuzil contra nossas janelas nos acordou… Impossível fugir senão pela porta que dava sobre o pomar e dali por um buraco atravessar o rio. Chegados neste lugar e vendo que hesitamos, o Irmão Bernardo nos diz: « Coragem, Irmãos, Deus nos protege », e encabeçou o grupo. Os seis Irmãos, atravessam o rio. Após alguns metros o Irmão Bernardo deu de frente com um atirador que lhe gritou: « Liberdade !» (era a palavra de ordem, precisa responder: «é por ela que lutamos »,). O Irmão Bernardo lhe disse: «Em nome de Deus não atire. Sou o diretor da escola e eis noveanos que me dedico à educação dos filhos dos mineiros. »… Maso outro lhe descarregou dois golpes de fuzil. Ouvi as últimas palavras do mártir: « Virgem Santa ! Senhor ! perdoa-me, perdoa-lhe, Senhor ! Ai ! Mãe. » (pp. 182-183).

 (…)

Celestino Mediavilla, o assassino, assegurou que o motivo da vingança não foi nem político, nem uma vingança pessoal. Ele reconhecia no Irmão Bernardo uma pessoa boa, que fazia o bem aos filhos dos mineiros… Mas era a ordem de matar padres e religiosos e de incendiar a igreja da paróquia e a escola dos Irmãos. Era a lógica marxista (p. 206).

 Setenta anos passados … Irmão Bernardo, ficou como ponto de referência para todos aqueles que buscam a luz. Sua vida é uma maravilhosa página desta… história…: vítima de uma ideologia já desmoronada….

 A humanidade entrou no terceiro milênio guardando sua sede de testemunhos. Irmão Bernardo… ele ali está para dizer que… só o Cristo dá sentido e alegria e que ele merece o amor até o sangue.

 Fonte: As páginas indicadas são aquelas da Informatio; esta constitue a primeira parte da Positio ou do conjunto do trabalho que apresenta uma causa de beatificação ou de canonização.

 
 
 


Fonte: As páginas indicadas são aquelas da Informatio; esta constitue a primeira parte da Positio ou do conjunto do trabalho que apresenta uma causa de beatificação ou de canonização.

http://www.champagnat.org/

BEATO IRMÃO BERNARDO, ROGAI POR NÓS

 

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