Biografia dos Santos

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“Meu Senhor, eu te amo! Quero ser tua para sempre.” 

Beata Catarina Tekakwitha            

 

Biografia pelo Vaticano

PAPA JOÃO PAULO II

ANGELUS

Domingo, 22 de Junho de 1980

 (…)

A Beata Catarina Tekakwitha, a primeira Virgem Iroquesa, nasce em 1656 na tribo Agniers ou Mohawks, na região que hoje corresponde ao Estado de Nova Iorque, mas irá depois para o Canadá. Esta jovem pele-vermelha, pobre e analfabeta, mas rica da graça de Deus e sábia da sabedoria da Cruz, faz voto de virgindade perpétua, e morre com apenas 24 anos. Ela ensina-nos que aos olhos de Deus tem valor a fé viva e operosa, a doação de, si à vontade do Senhor, e o amor pelo próximo levado até ao sacrifício e ao perdão.

 Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/angelus/1980/documents/hf_jp-ii_ang_19800622_po.html

 CERIMÔNIA DE PROCLAMAÇÃO DE CINCO NOVOS BEATOS:
JOSÉ DE ANCHIETA, MARIA DA ENCARNAÇÃO, PEDRO DE BETANCUR,
 FRANCISCO DE MONTMORENCY-LAVAL E CATARINA TEKAKWITHA

HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II

22 de Junho de 1980

  (…)

6. Esta admirável coroa dos novos beatos, dom beneficente de Deus à Sua Igreja, é completado por esta doce, frágil mas também forte figura de jovem mulher que morreu quando tinha apenas 24 anos de idade: Catarina Tekakwitha, o «Lírio dos Mohawks», a donzela iroquesa, que na América do Norte do século XVII foi a primeira a renovar as maravilhas de santidade de Santa Escolástica, Santa Gertrudes, Santa Catarina de Sena, Santa Angela Merici e Santa Rosa de Lima, precedendo no sofrimento do Amor, a sua grande irmã espiritual, Teresa do Menino Jesus.

 Gastou a sua curta vida em parte na região que é agora o Estado de Nova Iorque e em parte no Canadá. É amável, gentil e diligente pessoa, empregando o tempo a trabalhar, rezar e meditar. Na idade de 20 anos recebe o Baptismo. Mesmo quando seguia a sua tribo, nas estações da caça, continua as suas devoções, diante de uma rugosa cruz talhada por ela mesma na floresta. Quando a família insiste para que se case, ela responde muito serena e calmamente que tem Jesus como único esposo. Esta decisão, atendendo às condições sociais das mulheres nas tribos índias naquele tempo, expõe Catarina ao risco de viver como fora da casta e na pobreza. É gesto corajoso, desusado e profético. A 25 de Março de 1697, com a idade de 23 anos, consentindo o seu director espiritual, Catarina faz voto de perpétua virgindade; quanto sabemos é a primeira vez que tal voto é feito entre os Índios da América do Norte.

 Os últimos meses da sua vida são ainda mais pura manifestação da fé sólida, decidida humildade, calma resignação e radiante alegria, embora no meio de terríveis sofrimentos. As suas últimas palavras, simples e sublimes, sussurradas no momento da morte, resumem, como nobre hino, uma vida da mais pura caridade: «Jesus, eu amo-vos».

 Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/homilies/1980/documents/hf_jp-ii_hom_19800622_proclamazione-beati_po.html

 

Biografia pelo Frei Elzeário Schmitt

 Introdução

 A história conta que estas coisas sucederam no Canadá, pelo ano de 1664…Tecavita, da família dos Algonquins, tinha 6 anos de idade quando se tornou órfã de pai e mãe.…seu irmão,…queria ser para a menina um segundo pai. E as tias lá longe, no outro lado do rio Ottawa, queriam todas ser para ela outras tantas mães…A pobre órfã estava sobre a guarda de duas tias….

 Gostava de rezar quando criança

 E então a menina rezava… “Meu Senhor, eu te amo! Quero ser tua para sempre.” (p.22)

Em sua memória de criança tinham-se gravado, pedaços de orações…E assim, unida a Deus, Tecavita. E assim, unida a Deus, Tecavita se fortalecia na dor da orfandade…(p.23)

 Era muito piedosa e tinha amor à oração

 …a pequena órfã, de manhã cedinho, penetrava na floresta e ali rezava demoradamente, diante duma cruz feita por ela mesma, de dois galhos:

 -Meu Senhor, eu te amo. Quero ser cristã. Quero ser tua, agora e para sempre. Leva para o céu o papai, a mamãe, meu irmãozinho. Faze o padre dar-me o Batismo!(p.27)

 (…)

 Obrigada, ó Grande Senhor, Deus dos cristãos! Sinto que preciso ficar longe do mal, ser piedosa, fiel, paciente, calada, pura, e querer bem a todos…(p.37)

 Aos 14 anos de idade

 Estando a menina com 14 anos, precisou (o padre) prepará-la em longas conversas, longe dos índios adultos,…O missionário viesse o que viesse, estava disposto a fazer de Tecavita uma cristã perfeita, não apenas pelo sacramento do Batismo, mas pela dedicação completa ao serviço de Deus…(p.25)

 O casamento

 (Ao ser perguntada se queria se tornar esposa de um índio…)

Beata Catarina Tekakwitha responde: “Eu sou cristã. Aceito..se ele ficar cristão e não tomar outra…”

O casamento foi em maio de 1658, quando veio…o missionário francês, do lago Ontário, em visita às cativas cristãs Delavares. No ano anterior, o missionário dera…as necessárias instruções: que ensinasse ao noivo pagão…as pequenas orações cristãs e o comportamento de um cristão…Desse primeiro matrimônio cristão celebrado entre os mohaques, nasceram duas crianças cristãs, que na sua mais verde infância perderam o pai afetuoso. Mas a varíola..que entre Algonquins e Mohaques, anos a fio, ceifou muitas vidas,…Como vimos, após o pai, o irmãozinho de Tecavita, batrizado pela própria mãe, foi chamado por Deus.

 ..o tio, arrancou Tecavita da mais desolada orfandade,…e levou-a para sua casa, para longe mesmo das duas tias-avós, que já tinha cuidado antes dela…

Tio…ao voltar do enterro…disse à mulher: “Toma cuidado dela! É como um passarinho caído do ninho. Mas agora ela é nossa.”

 O sonho de tornar-se cristã

 Beata Catarina Tekakwitha disse:

 -Padre, quero ser missionária! Quero levar a Deus estes índios meus irmãos. Depois, quero ser somente de Jesus Cristo, meu Grande Irmão crucificado por mim e por eles!

 -Então, Tecavita, queres receber o Batismo cristão nestes dias, para seres de Deus?

 Quero muito padre. Mas sinto uma grande dor. É que… (meu tio)… não quer. Preciso antes rezar muito…Padre, quero muito receber o Batismo. Mas peço para esperar mais um ano. Quando o padre vier de novo, vamos falar juntos com…(o meu tio)…Então ele deixa, porque vou rezar bastante… (p.26)

O missionário sabia: se a menina estava disposta a fazer o imenso sacrifício de esperar mais um ano inteiro para o Batismo, era porque tinha certeza que suas orações fariam,…(seu tio)…mudar de idéia. (p.36)

 Já dois anos antes, o padre Lambertville, ao visitar a aldeia, verificara como o sofrimento daquela total orfandade e seu isolamento religioso estavam transformando Tecavita em verdadeiro anjo no meio de uma tribo estrangeira. (p.27)

 Várias pessoas da tribo tem o coração convertido após 01 ano

 E o ano passou…Tecavita foi boa, paciente, rezou muito. O padre Cholonec encontrou…(o tio de Tecavita)… sorridente e hospitaleiro como nunca. Desde a última visita…(do padre)…mês por mês, o velho cacique,…vinha percebendo a transformação. Não apenas Tecavita se transmudara em verdadeiro anjo da pequena tribo mohaque, mas as próprias mulheres estavam mais unidas: reinava entre as famílias uma paz doméstica antes desconhecida. Tudo marchava melhor….Muitas mães também já rezavam. O velho índio doente, à margem do rio, todos os dias recebia visitas de caridade, eram frutos…E desde o dia em que Tecavita fora buscar de volta na floresta o garotinho enxotado brutalmente pela mãe, passando a cuidar dele em sua própria tenda, nunca mais mãe mohaque fez com algum filho coisa semelhante…Assim, naquela tarde, o velho índio sentou-se com o missionário à porta da tenda…De repente, o missionário criou ânimo..(e perguntou:…)

 -…Cacique, em tua tenda e em tua tribo floresce um lírio, que o Deus dos cristãos quer para si…Prometes à tua Tecavita deixá-la tornar-se cristã?

 O velho índio…suspirou, inclinou-se mais para o padre e disse:

 -Prometo. Agora prometo. Isto agrada-me!…Mas quero que ela continue trabalhando na minha tenda! (p.42)

 O batismo de Tecavita

 No dia seguinte, no barraco da Missão,…(Tecavita)…ia ser batizada, junto com algumas mulheres que ela indicara ao missionário. Também havia quatro velhos índios que iam tornar-se cristãos naquele dia. Era a colheita das lágrimas, do sofrimento calado, das renúncias, da caridade para com o próximo e das grandes orações de Tecavita. (p.42)

 -Padre, dizia ela, acho que amanhã minha alegria será tão grande, que vou morrer! (p.43)

 Sofria calada, perdoava de coração,e ainda se colocava a serviço de novo (com muito mais amor)

 O vestido novo para Tecavita, de algodão amarelo e brilhante,…uma grinalda de jasminzinhos selvagens…Pelo chão, longas grinaldas de cipreste do Canadá, entrelaçadas de violetas grandes, colhidas pelas meninas à margem do rio…

 De noite, na tenda,…(o tio)…surpreendeu as mulheres nos preparativos….com pesado passo arrancou as flores da mãos das mulheres, esmagou a coroa de Tecavita…as flores voando trituradas contra as paredes da tenda… (e disse:…)

 -Fora com isso!…Estes colares, estas fitas, estas flores não são de ninguém! Tudo é meu! Fora! Fora!

 (…)

 Pai! Pai! Tu prometeste a tua Tecavita! Deixa, pai! … farei mais ainda pela tua tribo! …(então ele)…empurrou sua filha adotiva, e ela caiu de joelhos sobre os festões despedaçados…(p.44)

 Foi longa a noite, pois as mulheres tiveram de fazer tudo de novo. E com redobrado capricho, com redobrado carinho, puseram-se à obra. A presença corajosa de Tecavita…a todos animava. (p.46)

 (…)

 A cerimônia já tinha começado. O padre Cholonec estava todo de branco e estola rocha. Estava todo venerável…(disse a Tecavita)…

 -Catarina, eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

 (…)

 O tio..foi-se..através da multidão… devota, mais para perto do altar. Todos lhe abriam passagem com respeito e grande admiração. Ninguém o esperava ali….Então três..lágrimas perderam-se por entre as rugas fundas do rosto…(p.46,47;49)

 Para Tecavita, a festa teve seu segundo ponto alto quando, após a corrida..ela irrompeu na tenda para abraçar, com riso e lágrimas, o tio…O guerreiro se erguera e acolhera o abraço com entusiasmo, apertando contra si sua protegida, com enlevo que jamais tivera…Tal foi a quarta-feira da Semana Santa do ano de 1674 na Missão dos Mohaques. Tecavita, isto é, Catarina, tinha 15 anos de idade. (p.50)

Devoção à Nossa Senhora

 Tecavita..no dia 15 de agosto estava diante de sua cruz no bosque. Este era o seu lugar mais querido. Ajoelhada na relva, levantava suas mãos:

 -Pai nosso que estais nos céus…

 Já conhecia todas as festas da Religião. Hoje, mais do que nunca, ela precisava rezar a Nossa Senhora.

 -Mãe de Jesus, deixai que eu continue pura e boa, trabalhadeira e caridosa, paciente e calada quando…(meu tio)… (se zanga em voz alta)… quando eu sofro, quando a saudade da mamãe me dói tanto…E abençoai também o meu propósito de vos servir, Senhora. Quero consagrar minha vida a vosso Filho, que morreu por mim na Cruz, e só quero amar…

 Coragem para doar a vida em amor a Jesus

 Não pôde concluir…A mão lhe apertava a garganta. Com um grito, a mocinha levantou-se, virou-se a custo…(um índio com uma faca na mão a ameaçava)…

 -Se não renunciares a teu Deus, aqui está minha faca! Olha!…Eu te mato!

 (…)

 Tecavita disse:…

 -A minha fé não pode morrer. Tu só podes matar meu corpo.

 (E assim, Tecavita, dirige uma oração a Deus:…)

 – Ajuda-me nesta hora, …sou tua para sempre…

 E a arma cai da mão do índio trêmulo.

 (Depois de presenciar o poder de Deus, que defende a pobre Tecavita, o índio responde…)

 -Nada posso fazer contra Ele. Adeus. (p.51-54)

 

Quando sofria perseguição,

em vez de desanimar;

transformava tudo em novo apostolado.

 Mas o grito da índia fora ouvido. Algumas mulheres tinham acorrido, a tempo de verem a sombra do índio penetrando no bosque. Ao pé da cruz, a faca…Tecavita chorava desconsoladamente, mas teve de relatar o que lhe sucedera. As mulheres levantaram os braços ao céu, em altos brados,…(O seu tio) não disse nada. Mas proibiu à sua protegida que voltasse ao bosque desacompanhada. Dali por diante, precisava levar crianças. Desta nova humilhação [pois preferia rezar sozinha] Catarina fez novo apostolado. Ensinava às crianças a rezarem ao Deus dos cristãos e, mais do que antes,…agora as iniciava no conhecimento da religião verdadeira: quem era mais poderoso que o raio, mais forte do que o vento, e morava no coração de todos os meninos bons e das meninas mansas…(p.54)

 A fuga de Tecavita

 Meses depois, voltava o missionário. Catarina agora podia ir à Missão…O padre Cholonec soube da história, e viu a necessidade de agir rápido.

 – Catarina, tua vida aqui não está segura. Não poderás ficar mais na tenda (de seu tio)…Estou muito preocupado. Quero que vás para Salto, para a casa da tua madrinha… (seu tio) não deve saber. Foge, Catarina! Espera a próxima noite,…leva o que é teu e corre à casa de teu padrinho…

 -Mas, padre, como posso deixar o tio, meu benfeitor?… Ele foi bom para mim. Eu gosto dele, e ele vai me perseguir!

 … (- seu tio)… é teu benfeitor, e rezarás por ele. Mas ele não gosta mais de ti, desde que te chamas Catarina. Ele odeia os cristãos. (O seu tio…) quer que fujas daqui… E nós precisamos de ti em toda a Missão! No Salto ficarás contente…Lá terás trabalho…Coragem, menina! Nossa Senhora te protegerá bem até o outro lado. Não temas. Não temas e …reza! (p.54-55)

  Tecavita fugiu na noite…de dezembro. A jovem índia chegou à tenda do padrinho toda ofegante com sua trouxa, o vestido e os pés encharcados…

 De repente, o zunido duma flecha que se finca por aí…Outra…Outra…Na escuridão, o perseguidor só tem o instinto do índio, não tem pontaria…(o seu tio)…continua atirando…É noite, e não pode ferir sua menina. O sibilo das flechas acompanha cada arquejo dos fugitivos.(p.57)

 A primeira Comunhão

 Em setembro veio o padre Cholonec, e ficou contentíssimo. Prometeu a Catarina dar-lhe a santa comunhão em dezembro. Foi a maior notícia que a mocinha ousava sonhar. E instruía-se ela mesma. O missionário dava ensinamento aos homens, às mulheres e aos filhos. Catarina assistia encantada e tudo guardava no seu coração. À noite, ao pé do fogo, com assistência das mulheres curiosas, aprofundava os conhecimentos religiosos de Tecavita, em lições que ela achava curtas, e, mal viajava o padre Cholonec recomeçava mais fervorosa, nova e ardente a missão da Índia apóstola. Agora, já não eram só crianças que vinham ao catecismo encantador. Vinham as moças, as mulheres. Aos domingos, enchia-se a capelinha. Contava-se, rezava-se, e a catequista dos Mohaques ensinava a vida de Jesus. (p.74-76)

 Dezembro – No Canadá, o Natal cai no inverno.No Salto, naquele ano de 1677, tinha chovido na véspera, fazia frio e o céu estava encoberto ainda…As nove mulheres que iam receber Jesus tinham todas uma grinalda na cabeça,…Os cinco homens tinham na cintura uma faixa de cores. Tecavita queria ser a ultima, a mais indigna. Seu coração de passarinho abandonado tremia de anseios pelo seu Rei e Senhor. Ela o amava muito, ela o amava unicamente, e tinha dado muitas provas disso.

– O corpo de Cristo guarde a tua alma para a vida eterna.

 Quando o Padre deu a Santa Hóstia a Catarina, ela estava chorando. Desta vez era de pura alegria, uma alegria como ninguém teve naquele dia em todo Canadá…

 Foi o melhor Natal da Missão do Salto. (p.84-85;89)

 

 Tecavita sofre perseguições

 O sucesso de Catarina, seu destaque absoluto na Missão do Salto, não deixavam de causar inveja em outras mocinhas de sua idade…Tecavita era algonquim; portanto de tribo inimiga. Em cochichadas maledicências, …exploravam este fato para prejudicar a pobre órfã, e assim quebrar-lhe a influência até junto aos meninos. Diziam, maliciosamente, que Tecavita estava olhando para os índios jovens…(p.77)

 Consolações na Missão

 Ali…na capela da Missão, ela se refugiava, horas caladas, para fazer suas orações ingênuas e ardentes. Ela precisava de muitas forças…Rezava pela missão, pelo padre, pelos seus meninos, pelos que falavam dela…rezava à Mãe de Deus, agora sua única Mãe, para que ela curasse a grande tristeza do seu coração. (p.78)

 Amor a Pureza

 Não desejava agradar a ninguém. E queria ser pura. Também seu corpo devia ser de Deus…A Mãe de Jesus precisava ajudá-la, e portanto a oração era sua única arma…(p.79)

 Ajudou a converter a índia Teresa

 Sim, havia a Teresa, outra indiazinha, a cuja amizade o padre Cholonec a tinha confiado. Era uma jovem rude, teimosa, um caso difícil na Missão. Os próprios índios da tribo de Tecavita, os Algonquins, haviam incendiado a aldeia dos pais de Teresa, e a menina, salva por parentes refugiados, vivia com eles no Salto. Dos pais de Teresa, e de seus dois irmãozinhos, nunca mais se soubera. Era um caso de orfandade parecido ao de Tecavita. Esta lhe dizia:

 -Vem comigo, Teresa! Serviremos a Jesus Crucificado e rezaremos juntas.

 Teresa se transformou em pouco tempo. Inteligente, aprendeu as lições de religião em companhia das crianças. Para cantar os hinos da Missão, ninguém com voz tão magnífica. Depois de quatro meses, Teresa era auxiliar de Tecavita, e já a escola da Missão do Salto pôde ser dividida em dois grupos…

 A visita do Padre Cholonec

 Em outubro, voltou o padre Cholonec. Trouxe rosários. Explicou e ensinou a rezar. Foi uma alegria grande para todos. Deus dois grandes, de contas brancas, a Catarina e a Teresa. Deixou uma porção para as catequistas distribuírem a quem merecesse. O missionário disse que voltaria pelo Natal a fim de, especialmente nesse dia, recompensar o trabalho das duas, dando-lhe Jesus na Hóstia Santa. E se houvesse outros dignos, maiores de 15 anos, que elas o preparassem também…Todos tomavam parte na preparação. Foram dois meses de intensa piedade e..fervor. Catarina gastava todo o tempo livre rezando, debaixo do carvalho ou na capela da Missão. Muitas vezes, Teresa a acompanhava. Também ela ia fazer a primeira comunhão. (p.82)

 Penitência

 Mas a apóstola do Salto não redobrou apenas o fervor missionário. Começou também a fazer penitência. Não comia mais frutas. Dava aos outros todas as que os meninos lhe colhiam. Debaixo do vestido, começou a usar um cipó apertado, cheio de pequenos nós, e ninguém sabia. Os nós espetavam a pele com qualquer movimento que ela fazia. (p.83)

 Queria muito imitar a vida dos santos

 Uma velha santa, índia, lhe tinha contado o que sabia do padre Lambertville: a história de Santa Clara de Assis, de São Francisco de Assis, Santa Maria Madalena…Tecavita queria imitar. (p.83)

 Tecavita escolhia sempre o ultimo lugar

 Em começos de dezembro veio rio acima, mandada pelo padre Cholonec, uma caixa de roupas novas para…distribuir entre os que iam receber a primeira Eucaristia. A madrinha confiou a distribuição a Tecavita. Quando a caixa foi aberta, …todos os indiozinhos batiam palmas. As camisas e os vestidos eram coloridos, assim como os índios gostavam. Como iam sobrar roupas, Catarina escolheu para si o vestido mais simples, um cinza quente e áspero. (p.83)

 A chegada das Irmãs Missionárias

 Na primavera o missionários trouxe …(as freiras)…Era uma espécie de sociedade própria para aqueles índios, idealizada pelo padre Cholonec, com licença de seu bispo…Para a Missão do Salto…todos se esmeravam em servir as Irmãs e levaram-lhes tudo o que podiam dar.

 A casa encheu-se de utilidades…As Irmãs, por sua vez, conhecendo da língua apenas algumas palavras, respondiam com amabilidade de gestos e cativante bondade…O padre Cholonec, que pertencia à Congregação francesa de São Sulpício, já tinha escrito, para a direção das Irmãs, um caderno cheio das principais palavras do dicionário iroquês. Tecavita, Teresa e as crianças, que não largavam as quatro missionárias, cedo ensinaram-lhe o resto…as Irmãs ensinavam a Tecavita a melodia, e ela ensinava às Irmãs a letra. Era toda uma vida nova e fascinante que se abria agora sobre a Missão do Salto. E Tecavita quase não dormia mais de alegria. (p.93-95)

 O sonho de ser Irmã e consagrar-se inteiramente a Deus

 Tecavita…correu à casa das Irmãs. Agora ela ia realizar o sonho de sua vida. Já havia falado ao padre Cholonec no mês passado:

 -Padre, eu quero viver com as Irmãs da Missão. Quero ser uma delas. O padre sabe que eu sou só de Deus…Passo noites sem dormir, só pensando. (Minha madrinha) está procurando outro noivo para mim, eu sei….,

 Padre! Deixe-me sair daquela casa. Quero consagrar-me a Deus para sempre! O padre Cholonec prometeu atendê-la na visita seguinte. Pediu que nesse meio tempo ela continuasse boazinha, serviçal, amável, e não desse tristeza à madrinha. Mas o padre não sonhava que da vez seguinte já fosse encontrar a pobre órfã instalada na casa das Irmãs, à espera dele. (p.96)

 Tecavita, Irmã Catarina, consagrou-se a Deus no dia 25 de março de 1679. Foi numa cerimônia simples. Já toda vestida de branco, como as irmãs, entrou na igrejinha repleta…Agora já não era mais delas, mas ao mesmo tempo ainda era delas, continuando a ensinar-lhes o bem, a pureza, o amor a Jesus Crucificado….Continuou a cantar com elas, a passear com elas…Era o anjo da Missão. (p.97-99)

Irmã Catarina Tecavita pega varíola

 …Radiante estava Irmã Catarina. Até que a varíola voltou.Primeiro, as manchas começaram a aparecer no rosto e nas mãos de algumas crianças….As crianças doentes foram isoladas pelas Irmãs numa casa abandonada…Duas semanas de canseiras, vigílias, angústias e orações de Tecavita… Naquela manhã de abril ela levantou com febre…O rosto muito pálido tinha manchas de sombra…Irmã Catarina pediu para ser hospitalizada no meio das suas crianças doentes de varíola…Madre Inês determinou que ficasse no coventinho, junto com as Irmãs. Elas iam multiplicar esforços, para que ao menos esta preciosa vida fosse poupada…E na febre altíssima, Nossa Senhora falou a Tecavita. Foi aquilo mesmo que, duzentos anos mais tarde, ela ia dizer a outra menina sofredora, em Lourdes:

 Prometo que te farei feliz. Mas não neste mundo… Tecavita morreu na quarta-feira da semana santa do ano de 1681. Havia indiozinhos chorando por todos os cantos. (p;99-103)

 E ninguém já não negava mais; mesmo…(as meninas) que a princípio a hostilizavam, cedo reconheceram que se tinham enganado…Hoje eram as que mais choravam. (p.103)

 Tornara-se verdade aquilo que o padre Cholonec tinha dito à santinha dos Iroqueses, anos antes: “O caminho para um grande amor (a Deus) só pode ser um: o longo sofrimento”. (p.105)

 E no Canadá, Iroqueses, Mohaques e Algonquins, todos os índios, começaram a venerar sua santinha linda, Tecavita, Flor do Prado. (p.108)

 Fonte: Frei Elzeário Schmitt. Tecavita. A rosa branca dos iroqueses. Edições Paulinas.1987

 BEATA CATARINA TEKAKWITHA, ROGAI POR NÓS

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