Biografia dos Santos

São Camilo de Lelis – 14 de Julho

Posted on: julho 14, 2010

“Cada um considere o pobre como a pessoa de Cristo

e esteja pronto a servi-lo com afeto de mãe”
 

São Camilo

Biografia de São Camilo de Lelis pelo Vaticano

MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II
POR OCASIÃO DOS450 ANOS DO NASCIMENTO
DE SÃO CAMILO DE LELIS
FUNDADOR DOS CAMILIANOS

 Ao Padre ANGELO BRUSCO
Superior-Geral dos Clérigos Regulares
Ministros dos Enfermos
(Camilianos)

1. A alegria que acompanha a celebração do Grande Jubileu da Encarnação adquire uma particular tonalidade para a Família Camiliana, que se prepara para recordar os 450 anos do nascimento de São Camilo de Lelis, ocorrido em Bucchianico a 25 de Maio de 1550. Uno-me de bom grado à acção de graças dessa Ordem, por ele fundada, assim como à das Congregações das Ministras dos Enfermos de São Camilo e das Filhas de São Camilo, dos Institutos seculares das Missionárias dos Enfermos, Cristo Esperança e Kamillianische Schwestern, assim como à da Família Camiliana leiga, que sucessivamente nasceram do carisma e da espiritualidade do grande Santo da Região dos Abruzos.

A comemoração adquire um particular relevo no mundo da saúde e do sofrimento, não só pelo generoso empenho dos filhos de São Camilo em favor dos doentes, mas sobretudo porque em 1886 o Papa Leão XIII proclamou o vosso Fundador Padroeiro dos doentes e dos hospitais; em 1939 o Papa Pio XI o aclamou Padroeiro dos agentes no campo da saúde; e em 1974 Paulo VI o proclamou Padroeiro da saúde militar italiana.

A coincidência dessa celebração com o Ano jubilar assume, além disso, um significado muito particular, porque o inteiro itinerário humano e espiritual de São Camilo se inseriu no contexto das grandes datas jubilares, das quais ele hauriu um profundo desejo de conversão e de generosos propósitos de servir Cristo nos irmãos doentes. Com efeito, nasceu no Ano Santo de 1550, converteu-se em 1575 e, durante o Jubileu do ano 1600, aperfeiçoou as orientações para a actuação do carisma da caridade misericordiosa para com os doentes. Essas coincidências constituem para essa Ordem e para as Famílias religiosas a ela ligadas um especial convite a acolher as graças do Grande Jubileu e do aniversário do nascimento do Fundador, como ocasião de renovada fidelidade ao Senhor e ao carisma camiliano.

2. São Camilo de Lelis viveu num período particularmente complexo, no qual dominavam profundos anseios à santidade, mas também tenazes resistências a uma vida evangelicamente inspirada. Com a sua rica personalidade e o seu testemunho de caridade, ofereceu à sociedade do seu tempo preciosos estímulos de renovação espiritual, contribuindo de maneira original para o projecto de reforma da Igreja, promovida pelo Concílio de Trento. A sua vida, sob a influência do Espírito, mostrou-se como que uma narração maravilhosa do amor de Deus criador e redentor, que manifesta de modo especial a sua ternura misericordiosa de médico das almas e dos corpos.

A sua obra ao serviço dos que sofrem apresenta-se como uma autêntica escola, da qual o Papa Bento XIV reconhecerá a novidade no serviço prestado com amor e competência, isto é, unindo aos conhecimentos científicos e técnicos os ricos gestos e atitudes da humanidade atenta e partícipe, que tem as suas raízes no Evangelho. Nas Disposições e modos que se devem seguir nos hospitais para servir os doentes pobres, por ele redigidos em 1584, propôs intuições e directrizes que foram retomadas em grande parte pela ciência de enfermagem dos nossos dias. Ele afirma a importância de considerar com atenção e respeito todas as dimensões do doente, da física à emotiva, da social à espiritual. Num conhecido trecho das Regras, convida a pedir ao Senhor a graça “de um afecto materno para com o seu próximo”, de maneira a “poder servi-lo com toda a caridade, tanto na alma como no corpo. De facto, com a graça de Deus desejamos servir os enfermos com aquele afecto que uma mãe amorosa costuma ter para com o seu único filho doente”.

Contudo, São Camilo com o seu exemplo ensina sobretudo a fazer do serviço aos enfermos uma intensa experiência de Deus, que leva a procurar constantemente o Senhor na oração e nos sacramentos. A sua vida parece ressaltar o gesto da mulher a que se refere o Evangelho de São João (cf. 12, 3). Também ele unge os pés de Jesus, presente naqueles que sofrem, com o unguento precioso da caridade misericordiosa, inundando toda a Igreja e a sociedade com o perfume do seu ardor apostólico e da sua espiritualidade. O seu testemunho ainda hoje constitui um forte apelo a amar Cristo, presente nos irmãos que carregam o fardo da enfermidade.

3. No decurso dos séculos, esse apelo, acolhido por tantas almas generosas manifestou amplamente a fecundidade do carisma de Camilo de Lelis. Assim essa Ordem, realizando os ardentes desejos do amor sem limites do seu santo Fundador, estendeu os seus ramos nos cinco Continentes, difundindo-se nestes últimos cinquenta anos em vinte novos países, cuja maior parte está em vias de desenvolvimento. Recentemente, obedecendo ao desejo do Sucessor de Pedro, fez brilhar a cruz de São Camilo também na Arménia e na Geórgia, proclamando o Evangelho da caridade para com os doentes entre aqueles povos, durante muitos anos oprimidos por regimes contrários à religião cristã.

Que dizer, depois, daqueles que, abraçando os ideais e o modelo de vida de São Camilo, alcançaram os cumes da santidade? Nesta circunstância, desejo recordar em particular os membros eleitos da grande Família Camiliana, que eu mesmo tive a alegria de elevar à honra dos altares: Henrique Rebuschini, religioso dessa Ordem; Josefina Vannini, Fundadora das Filhas de São Camilo, Maria Domingas Brun Barbantini, Fundadora das Ministras dos Enfermos de São Camilo.

Mas não posso esquecer, ao mesmo tempo, os religiosos camilianos que, ao longo dos séculos, “sacrificaram a sua vida no serviço às vítimas de doenças contagiosas, mostrando que a dedicação até ao heroísmo pertence à índole profética da vida consagrada” (Vita consecrata, 87). Como não ver neste florescimento de santidade uma confirmação da validade do carisma camiliano, como caminho para a perfeição da caridade?

4. A celebração do 450° aniversário do nascimento de São Camilo constitui para os seus Filhos um importante convite a enfrentar, com fidelidade e criatividade, os desafios do mundo contemporâneo, e a demonstrar com renovado empenho a actualidade dos seus ensinamentos e do seu carisma.

No início do terceiro milénio cristão, os Camilianos são chamados, de modo especial, a testemunhar fielmente Cristo, divino Samaritano, através duma vida santa e fervorosa, sustentada pela oração constante e por uma experiência alegre da misericórdia divina. Eles contribuirão assim para ajudar a comunidade eclesial a procurar descobrir o rosto do Senhor crucificado, em toda a pessoa que sofre.

Será necessário, portanto, cultivar uma sólida espiritualidade para superar os fáceis riscos de um pragmatismo sem alma, esquecido da verdade fundamental, segundo a qual a salvação de quem sofre e morre é obra da graça de Deus. Seguindo o exemplo do santo Fundador, todo o Camiliano seja um verdadeiro contemplativo em acção, conjugando constantemente consagração e missão.

5. Tal opção tornará esta Ordem capaz de infundir nas estruturas sanitárias uma forte inspiração evangélica, hoje particularmente necessária no mundo sanitário e da saúde, insidiado por enormes conflitos éticos, provocados por um preocupante afastamento da ciência e da tecnologia do autêntico respeito pelos direitos da pessoa humana nas diversas fases do seu desenvolvimento.

Nesses contextos difíceis, os Religiosos Camilianos são chamados a empenhar-se com generosa dedicação, para que nas instituições de saúde os doentes sejam sempre considerados como “senhores e patrões”, segundo a feliz expressão de São Camilo. Eles, além disso, dedicarão particular cuidado para que o doente se torne consciente de poder ser sujeito activo de evangelização, através da oferenda do próprio sofrimento, em comunhão com Cristo crucificado e glorificado (cf. Christifideles laici, 53-54; Vita consecrata, 83).

A sua atenção seja dirigida, além disso, para a promoção de uma cultura respeitosa dos direitos e da dignidade da pessoa humana através dos Institutos académicos, em particular o “Camillianum“, dos Centros de pastoral e das estruturas sanitárias, já presentes em várias nações.

6. Os filhos de São Camilo sabem que são chamados a privilegiar “os doentes mais pobres e abandonados, bem como os idosos, os inválidos, os marginalizados, os doentes em fase terminal, as vítimas da droga e das novas doenças contagiosas” (Vita consecrata, 83). A opção de estar ao lado dos pobres, promovendo a saúde comunitária e testemunhando o amor da Igreja pelos homens, resulta particularmente urgente nos países em vias de desenvolvimento, onde a situação de indigência agrava as condições de saúde da população, favorecendo a difusão das nossas doenças sociais, em particular da toxicomania e da sida, expressões de degradação moral da civilização e de injustiças sociais, que levantam numerosos problemas humanos e éticos.

Conheço o notável empenho do Instituto na assistência às vítimas destas doenças e na relativa obra de formação e de prevenção. Ao congratular-me convosco pelos notáveis resultados alcançados, sobretudo nos últimos anos, formulo votos por que os filhos de São Camilo tenham sempre mais a peito essas dramáticas situações, dedicando-se-lhes de maneira generosa, competente e sistemática.

7. Também no vosso Instituto foi aberto recentemente um capítulo rico de esperanças, por causa do enorme grupo de leigas e leigos que optaram por viver a sua vida cristã à luz do carisma e da espiritualidade camiliana. Ao exprimir o meu encorajamento a essas colaborações promissoras, faço votos por que o empenho de formação e a participação na vida da Ordem possam trazer “inesperados e fecundos aprofundamentos de alguns aspectos do carisma, reavivando uma interpretação mais espiritual do mesmo e levando a tirar daí indicações para novos dinamismos apostólicos” (Vita consecrata, 55).

À Família Camiliana leiga, novo fruto da árvore frondosa que nasceu da fé e do amor do Santo de Bucchianico, dirigem-se a minha saudação particular e o convite a aprofundar a própria adesão a Cristo, através da prática dum serviço generoso aos doentes, sobretudo aos mais pobres.

De coração formulo à inteira Ordem os votos por que viva o 450° aniversário do nascimento de São Camilo na alegria e no compromisso apostólico e, enquanto confio esperanças e projectos à Virgem Imaculada, Rainha dos Ministros dos Enfermos e Saúde dos doentes, desejo que, assim como o foi para o Fundador, também para todo o Camiliano o Ano jubilar seja ocasião de fervor, de santidade e de graça.

Com estes votos, concedo-lhe com afecto, caro Padre, a Bênção Apostólica, assim como aos Religiosos seus Coirmãos e a quantos compõem a grande Família Camiliana, e também a todos aqueles que beneficiam do seu serviço caritativo e competente.

Vaticano, 15 de Maio de 2000.

PAPA JOÃO PAULO II

http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/2000/apr-jun/documents/hf_jp-ii_spe_20000515_camilliani_po.html

Biografia de São Camilo de Lelis pelos Camilianos

Pertencente de uma nobre e tradicional família, Camilo de Lellis foi militar e pelo seu caráter, expulso da tropa. Viciado em jogo, levava vida profana e decadente. Perdeu todos os seus bens. No momento mais melancólico de sua vida, em uma situação de mendicância, Camilo foi tocado pela graça divina, arrependendo-se de todos os seus pecados, passando a dedicar sua vida a servir, por espírito de caridade, aos doentes pobres em hospitais. E diante de tanta dedicação, fundou a Companhia dos Servidores dos Enfermos, conhecidos como Camilianos. E não é por menos que tornou-se patrono dos enfermos e dos hospitais

Seu sobrenome remonta à história da igreja, época de Teodoro de Lellis, o Cardeal Pio II. Mas São Camilo de Lellis fez a própria história e deixou sua fé e sua dedicação aos enfermos disseminadas por todo o mundo.

São Camilo era italiano de Abruzzo, mas precisamente da cidade de Bucchianico. Em 1550, ano de seu nascimento, sua família carregava no sangue virtude, coragem e brio dos que lutaram nas Cruzadas.

 Seu nascimento coroou o casamento de tantos anos da senhora Camila, a mãe, que até os 60 anos de idade não tinha conseguido dar um herdeiro ao esposo João.

 E foi com 17 anos que Camilo alistou-se como voluntário no exército de Veneza. Naquela época, pôde conviver com o drama dos enfermos que agonizavam diante de várias doenças. Foi dessa época também que Camilo passou a viver com uma dolorosa úlcera no pé, que o acompanhou até o último dia de vida. Nesse período, também sofreu a perda do pai e sua vida enveredou-se para os prazeres mundanos, como o da jogatina.

 A vida de Camilo mudou completamente. Sofreu diante da falta de condições financeiras e de saúde. Doente, não conseguiu local para internar-se, o que o fez partir para Roma, pedindo auxílio no Hospital Santiago, justamente para tratar da chaga no pé direito. Camilo não tinha dinheiro para pagar o tratamento e ofereceu-se para trabalhos de servente e de enfermeiro.

 Mal cicatrizada a ferida, Camilo, sem nenhum recurso financeiro, soube que o país recrutava voluntários para combater os turcos. E lá foi ele. Não parou tão cedo. Em 1573, mais um combate. Neste ano, quase restabelecido economicamente, Camilo, mais uma vez, rendeu-se aos prazeres mundanos e atirou-se aos jogos. Perdeu tudo. Ficou a zero, reduzido à miséria. Retornou a Nápoles e prometeu se fazer religioso franciscano.

 Um ano depois, Camilo esqueceu-se do voto que fizera de se tornar religioso franciscano e mergulhou novamente no jogo. O jogo e a bebida tornaram-se vícios em sua vida. Ficou novamente na miséria. Partiu para Veneza. Passou frio e fome. Não tinha onde morar, nem dormir. Em uma das derrotas no jogo, deu como pagamento a própria camisa. Depois de muito perambular, conseguiu abrigo no convento dos capuchinhos, momento em que lembrou do voto de tornar-se religioso. Converteu-se realmente.

 Camilo retornou ao Hospital Santiago, desta vez como mestre da casa. Apesar de doente, tratou dos enfermos como de si. Em 1581, com a saúde precária, decide tratar dos doentes gratuitamente. Na época, Camilo foi levado a agir assim diante da exploração, desonestidade e falta de escrúpulos dos médicos para com os doentes. Em 1582, Camilo teve a primeira inspiração de instituir uma companhia de homens piedosos que aceitassem, generosamente, a missão de socorrer os pobres enfermos, sem preocupação de recompensa.

Aos 32 anos voltou aos estudos, sendo ordenado sacerdote aos 34 anos. Aos 18 de março de 1586, o papa Sixto V aprova a Congregação Religiosa fundada por Camilo.

 Em 21 de setembro de 1591, o papa Gregório XIV eleva a Congregação de Camilo ao “status” de Ordem Religiosa.

 Na guerra que logo em seguida houve na Hungria, os “Camilianos” trabalharam como primeira unidade médica de campo, cuidando dos feridos.

Não bastou a Camilo tomar consigo apenas bons enfermeiros e alguns até médicos, os doentes careciam também de assistência religiosa. É evidente que a alma bem cuidada dispõe melhor o corpo para suportar os sofrimentos e sobrepor-se à doença. Vale destacar que antes de ser santo, Camilo não tinha qualquer ligação de fé no Senhor.

Muito doente, Camilo renunciou ao cargo de Superior Geral de sua Ordem Religiosa em 1607.

Faleceu em Roma aos 14 de julho de 1614. Sua festa é celebrada aos 14 de julho, data de sua morte.

Nos primeiros dias de julho de 1614, já no seu leito de morte, recebeu a última comunhão e deixou as seguintes recomendações:

 “Observai bem as regras. Haja entre vós uma grande união e muito amor. Amai, e muito, a nossa Ordem, e dedicai-vos ao apostolado dos enfermos. Trabalhai com muita alegria nesta vinha do Senhor. Se Deus me levar para o Céu, vos hei de ajudar muito de lá. As perseguições que sofreu nossa obra vieram do ódio que o demônio tem ao ver quantas almas lhe escaparam pelas garras. E já que Deus se serviu de mim, vilíssimo pecador para fundar miraculosamente esta Ordem, Ele há de propagá-las para o bem de muitas almas pelo mundo inteiro. Meus padres e queridos irmãos: eu peço misericórdia a Deus e perdão ao padre Geral aqui presente e a todos vós, de todo mau exemplo que eu pudesse ter dado, talvez mais pela minha ignorância, do que pela má vontade. Enfim, eu vos concedo da parte de Deus, como vosso Pai, em nome da Santíssima Trindade e da bem-aventurada Virgem Maria, a vós aqui presentes, aos ausentes e aos futuros, mil bênçãos”.

 Camilo de Lellis morreu no dia 14 de julho de 1614. Seu féretro foi marcado por muita comoção e acompanhado por uma multidão. Mas um milagre era visto naquele dia: enquanto preparavam o corpo de Camilo para o funeral, os médicos, estarrecidos, notaram que a chaga havia desaparecido.

Em 1746, durante uma festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, o Papa Bento XIV, no dia 29 de junho, declara Santo o nome de Camilo de Lellis.

Em 1886, Leão XIII declarou São Camilo, juntamente com São João de Deus, Celestes protetores de todos os enfermos e hospitais do mundo católico.
No dia 28 de setembro de 1.930, Pio XI proclamou Camilo ” Protetor dos profissionais da saúde”

 http://www.camilianos.org.br/historia.asp

Biografia pela Congregação das Filhas de São Camilo de Lelis

Quando criança e jovem revelou vivacidade descomedida. Gostava de jogo, detestava a disciplina, aborrecia o trabalho e o estudo. Aos 13 anos perdeu sua mãe e aos 17 ficou órfão de pai. Até os 25 anos viveu entre aventuras bélicas, na Dalmácia e na África, nos exércitos de Veneza e depois de Espanha, mais ávido de jogo que de sonhos de glória. Os dados e as cartas foram sua paixão. Perdeu tudo no jogo: património, armas e até a camisa.

A natureza dotou-o de temperamento enérgico: o que queria devia conseguir. Não havia freio nem obstáculo que lhe barrasse os passos.

Mas um dia apareceu-lhe uma chaga no pé direito que o deixou parado, embora por breve tempo, no hospital de S. Tiago, em Roma. Mal viu a ferida cicatrizada, partiu para novas aventuras de terra e mar. No Outono de 1574 estava na miséria mais completa. Para não mendigar aceitou, muito a contra gosto, trabalhar como ajudante de pedreiro na construção de um convento de Capuchinhos em Manfredônia. Após duras resistências, caiu vencido pela graça, no dia 2 de Fevereiro de 1575.

Ingressou na Ordem dos capuchinhos e seu engajamento na prática do bem foi constante. Mas a chaga do pé abriu-se novamente e Camilo teve de retornar ao hospital de S. Tiago.

Naquele ambiente de dor amadureceu, durante quase 9 anos, sua vocação à caridade (1575 – 1584). Tamanho era o seu amor pelos doentes que chegava a se esquecer de si mesmo. Os capuchinhos, após repetidos testes, acabaram por considerá-lo inapto para sua Ordem, por causa da chaga no pé. Camilo então, consagrou-se à assistência dos doentes.

Controlou rapidamente as más inclinações do seu temperamento e as colocou a serviço do seu ideal. São Felipe Neri, seu director espiritual, nem sempre conseguia moderar-lhe os ímpetos e os ardores. Em 1584, ordenou-se sacerdote com o intuito de fundar uma “Companhia de homens de bem” que se consagrassem por amor de Deus ao serviço dos doentes. No dia 8 de Setembro daquele mesmo ano, deu o hábito religioso aos seus primeiros seguidores.

Em princípio de Janeiro de 1585 alugou, e mais tarde comprou, a chamada casa da “Madalena”, que haveria de se tornar a casa mãe da ordem.

No dia 18 de Março de 1586, o Papa Sisto V reconheceu e aprovou a Companhia dos Ministros dos Enfermos, até então conhecida como Companhia de Camilo. O mesmo Pontífice concedeu-lhes o privilégio de levar, visível sobre o peito, pregada no hábito e no manto, uma cruz vermelha. No dia 29 de Junho de 1586, festa de S. Pedro e de S. Paulo, Camilo e seus companheiros apareceram em público com o sinal de bênçãos previsto pelo sonho materno.

   

O Papa Gregório XIV elevou a companhia dos Ministros dos enfermos à dignidade de Ordem Religiosa, com um quarto voto de assistir os doentes, mesmo que acometidos de peste ou outras doenças infecciosas. Em 1591, na festa da Imaculada Conceição, Camilo e mais 25 de seus colegas emitiram os votos solenes.

Em 1588 a Ordem já tinha fundado casa em Nápolis e se espalhou em pouco tempo. Em 1594 já se estabelecia em Milão, Génova e, mais tarde, em Florença, Bolonha, Mântua, Ferrara, Messina, Palermo, Viterbo, Quieti, Buquiânico e Borgonovo.
Em toda parte aceitava a assistência dos doentes a domicílio e nos hospitais, cuidando de todos os serviços, mesmo os mais humildes.

Morreu com 64 anos, no dia 14 de Julho de 1614, na casa de S. Mª Madalena. A ordem continuou a espalhar-se por todo o mundo e esteve também em Portugal até o 25 de Abril quando foram expulsos com as outras ordens religiosas.

Em 1746 o Papa Bento XIV o elevou à honra dos altares. Leão XIII declarou –o celeste padroeiro dos enfermos e dos hospitais. Pio XI proclamou-o padroeiro dos médicos, enfermeiros e todo pessoal sanitário.

Em 1892 nasceu o ramo feminino camiliano, através da pessoa de um Padre camiliano, o BEM AVENTURADO LUÍS TEZZA que transmitiu o espírito de S. Camilo:
“Curar os corpos para salvar as almas, assistir os enfermos como uma amável mãe ao seu único filho doente; ouvindo sempre as palavras do Senhor: “Estive doente e me curaste, vinde benditos de meu Pai ( Mt 25,36); e, Tudo o que fizeres a um destes pequeninos a Mim o fizestes”” àquela que teria sido a primeira Filha de S. Camilo, a BEM AVENTURADA MADRE JOSEFINA VANNINI, a todos os efeitos fundadora da nossa Congregação com o Fundador padre Tezza. Hoje as irmãs FILHAS DE S. CAMILO estão espalhadas pelo mundo: com a casa central em Roma, trabalham em outras 14 casas na Itália, Estão na África, Índia, Colômbia, Peru, Brasil, Argentina, Polónia, Alemanha, Geórgia, Filipinas, México, Ungria, Espanha, em Portugal estão em Lamego desde 1990 e têm apenas duas irmãs portuguesas uma de Lamego e uma da Guarda.

Trabalham em diversas obras próprias e não como: Hospitais, ambulatórios, dispensários, lares de idosos, escolas de enfermagem, assistência a domicílio, leprosários, casa para doentes com Sida, nas Missões.

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