Biografia dos Santos

São Gaspar Bertoni

Posted on: julho 5, 2010

Os pequenos pecados são como os “pivetes”

que entram pelas janelas para abrir as portas aos ladrões profissionais”.

São Gaspar Bertoni 

 

Biografia de São Gaspar Bertoni pelo Vaticano

GASPAR BERTONI (1777-1853)

Presbítero 
Fundador da Congregação dos Sagrados Estigmas

de Nosso Senhor Jesus Cristo

 Gaspar Bertoni, filho de Francisco e de Brunora Ravelli, nasceu no dia 9 de outubro de 1777, em Verona, cidade na época pertencente à república de Veneza. Foi batizado no dia seguinte pelo tio, Pe. Tiago, na paróquia de São Paulo Campo Marzo. Seus pais pertenciam a famílias de vida cristã exemplar e de condições econômicas razoáveis.

Após a morte de sua irmãzinha, Gaspar, como filho único, recebeu ótima educação no lar e nas escolas municipais que frequentou; naquele tempo, estas eram dirigidas por jesuítas. Pe. Luís Fortis, que seria mais tarde superior geral da Companhia de Jesus, teve grande influência em sua vida.

A primeira comunhão, aos onze anos, foi para Bertoni uma experiência inesquecível. Ele decidiu ingressar no seminário com dezoito anos, frequentando o curso de teologia como aluno externo; o professor de Moral, Pe. Nicolau Galvani, foi seu diretor espiritual.

Quando cursava o primeiro ano de teologia, o exército francês invadiu a cidade de Verona (1.6.1796), ocasionando muitas desgraças e sofrimentos na vida do povo durante vinte anos.

Ainda seminarista, movido por um grande espírito de caridade, cuidou de pessoas feridas e doentes, ajudando em uma obra fundada por Pedro Leonardi.

Foi ordenado sacerdote no dia 20 de setembro de 1800. Após a ordenação teve que enfrentar uma sociedade em convulsão e exigindo iniciativas que trouxessem soluções para os graves problemas do momento.

Encarregado de cuidar da juventude da paróquia, para a qual fora destinado, entregou-se inteiramente a este apostolado, desenvolvendo nele toda sua capacidade de organização. Fundou um primeiro Oratório nos moldes de ” Coorte Mariana “, visando a formação humana e cristã dos jovens. Em 1807 o governo proibiu as atividades das associações religiosas. Então, Pe. Gaspar adiou a realização de seus projetos para tempos melhores.

Neste período, entretanto, assumiu a direção espiritual da obra de Santa Madalena de Canossa (maio de 1808), na casa de São José. Neste mesmo local começou a orientar também a Serva de Deus Leopoldina Naudet em seu crescimento espiritual e na caminhada em vista de um instituto religioso, que recebeu depois o nome de Irmãs da Sagrada Família. Auxiliou, igualmente, outra Serva de Deus, Teodora Campostrini, orientando-a em sua vocação e apoiando-a na fundação de outro instituto feminino.

Em setembro de 1810, Pe. Gaspar ficou encarregado da direção espiritual dos clérigos que moravam no seminário. Algum tempo antes, ele já havia reunido em sua casa alguns jovens sacerdotes, proporcionando-lhes uma formação espiritual e científica verdadeiramente sólida.

Nesta atividade, agora junto aos seminaristas, ele elaborou um programa de formação que tinha como base a fidelidade plena ao Papa; naquela época o Papa Pio VII fora feito prisioneiro por Napoleão. Na concepção de Pe. Gaspar a reforma da Igreja devia começar dentro dos seminários, fazendo com que os futuros ministros do Senhor se conscientizassem dos valores evangélicos. De fato, o seminário, que anteriormente passara por séria crise econômica e grave decadência moral, voltou a desempenhar seu verdadeiro papel na formação sacerdotal, chegando a ser comparado a um mosteiro.

Aproveitando-se da mudança de governo, Pe. Gaspar tentou reavivar a fé cristã no povo através da pregação de missões populares, atividade que encontrou oposição da parte do governo austríaco. Contudo, ele continuou o apostolado da palavra, dedicando-se à cataquese. A 20 de dezembro de 1817 o Papa Pio VII conferiu-lhe o título e as faculdades de “Missionário Apostólico”.

Embora fazendo-se todo para todos, a fim de ganhar todos para Cristo, Pe. Gaspar destinou muito tempo à vida de oração e de contemplação, como se pode deduzir do que está escrito em seu “Memorial Privado”. Neste diário espiritual também se pode ler como Deus, por meio de uma inspiração especial, o levou a fundar uma família religiosa.

A 4 de novembro de 1816 foi morar em uma casa, anexa à igreja dos Estigmas de São Francisco; daí que, o povo acostumou a chamar os religiosos que aí residiam de ” estigmatinos “. Foi nesta igreja que ele propagou a devoção à Paixão e às Chagas do Senhor. Transformou a casa em uma escola aberta aos filhos de gente simples, trabalhando gratuitamente para a Igreja e para a sociedade. Juntamente com os companheiros de comunidade levou uma vida de penitência e sacrifício, vivenciando um projeto de vida espiritual fundamentado na contemplação e na ação apostólica. Esta abarcava a educação da juventude, a formação do clero e a pregação missionária numa ampla disponibilidade a serviço dos bispos.

Em maio de 1812 esteve à beira da morte devido a uma doença grave. Sarou quase por milagre, mas a debilidade física provocada por esta enfermidade não o deixou mais até o fim da vida. Embora vivesse continuamente enfermo, deu exemplo de paciência heróica, entregando-se completamente nas mãos de Deus.

Acamado e sofrendo terrivelmente, ainda assim foi conselheiro espiritual de muitas pessoas que o procuravam, entre as quais se destacam o Beato Carlos Steeb, os Servos de Deus Pe. Nicolau Mazza e Pe. Antonio Prôvolo; estes três dirigiam instituições e obras de caridade. Muitas outras pessoas vinham de longe para pedir seus conselhos.

Sua perna direita passou por quase trezentas operações. Em meio às dores atrozes que o atormentavam, esforçava-se por imitar Cristo sofredor, jamais se queixando. Pelo contrário, oferecia seu lento holocausto pelo bem da Igreja. Nos últimos momentos de sua existência o enfermeiro perguntou-lhe: “Padre, o senhor precisa de alguma coisa?”. “Preciso sofrer”, respondeu.

Apesar dos sofrimentos e da doença, manteve sempre uma grande esperança cristã, por causa de sua fé em Cristo, Aquele que conserva no corpo ressuscitado os sinais da Paixão. Nutriu também grande devoção aos Santos Esposos, Maria e José, que são os padroeiros da Congregação Estigmatina. Faleceu santamente às 15.30 hs. do domingo dia 12 de junho de 1853.

A Congregação dos Sagrados Estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo, abençoada por seu Fundador, cresceu e se difundiu gradualmente em outras cidades da Itália, nos Estados Unidos, no Brasil (onde conta, atualmente, com seis bispos), no Chile, nas Filipinas, e em missões nos seguintes países: Africa do Sul, Costa do Marfim, Tailândia e Tanzânia.

Fonte: http://www.vatican.va/news_services/liturgy/saints/ns_lit_doc_19891101_bertoni_po.html

 Biografia pelos estigmatinos:[1]

 São Gaspar Bertoni
1777 – 1853
Fundador da Congregação dos Sagrados Estigmas

Nascido em Verona, cidade do norte da Itália, em 9 de outubro de 1777, viveu em uma época em que a cidade era palco de constantes conflitos entre os franceses e austríacos, que disputavam a sua posse.

Como conseqüência, a cidade curtia as amarguras da fome e dos desmandos da libertinagem; os feridos lotavam os hospitais, as crianças pobres não tinham escola, a juventude estava desorientada e esquecida, e até o próprio clero sofria as influências daquele ambiente nada salutar.

Nesse contexto o jovem Gaspar cresceu, enfrentando ainda alguns dramas familiares, como a morte de sua única irmã, mais

nova, a incapacidade do pai de administrar os bens da família, e por fim a separação dos pais, decidida de comum acordo entre eles.

Por sugestão de seu pároco, da Paróquia de San Paolo, entrou para o Seminário e, em 20 de setembro de 1800, quando estava com quase 23 anos de idade, era ordenado sacerdote, ao som de tiros de canhão.

Ainda como seminarista ele já se dedicava aos doentes, e cedo também começou o seu trabalho com a juventude, resgatando-a daquele ambiente hostil da cidade. Esse trabalho foi tão frutuoso que ele chegou a ser reconhecido como “Apóstolo dos Jovens”.

Convocado por seu bispo para resgatar a dignidade do clero, aí também realizou um excelente trabalho, a ponto de o Seminário passar a ser notado como exemplo de ordem e disciplina, e os padres e seminaristas como modelos de dedicação e serviço.

Pe. Gaspar revelou-se, também, notável conselheiro. Pessoas dos lugares mais distantes, governantes e até seu próprio bispo procuravam-no para um aconselhamento.

Chamado a colaborar nas missões populares na Paróquia de San Fermo, ele também foi excelente pregador, tanto que chegou a receber da Santa Sé o título de “Missionário Apostólico”.

Mas havia ainda uma grande obra para a qual Deus iria chamá-lo a realizar, e que, aos poucos, foi se delineando para ele: a fundação de uma congregação religiosa.

Naquela época, as ordens religiosas eram perseguidas e até suprimidas. Eram proibidas reuniões ou quaisquer agrupamentos, tidos como possíveis indícios de rebeldia e oposição aos “patrões” da cidade, que se revezavam entre franceses e austríacos.

Mas Pe. Gaspar, inspirado por uma visão diante do altar de Santo Inácio de Loyola, fundador dos jesuítas, ordem cuja supressão vigorava naquela época, passou a perceber, aos poucos, a vontade de Deus para a realização deste corajoso projeto.

Em 4 de novembro de 1.816 ele entrou com alguns companheiros em um prédio que lhe fora destinado inicialmente a servir de escola. Esse prédio era anexo à Igreja dos Estigmas, que tinha esse nome por ser dedicada às chagas, ou estigmas, de São Francisco de Assis.

Assim, além da escola, naquele ambiente de pobreza e penitência nascia, também, uma ordem religiosa que, após a morte de São Gaspar, recebeu o nome de “Congregação dos Sagrados Estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo”, popularmente conhecida como “Estigmatinos”.

Inspirado no título com que fora agraciado pela Santa Sé e no reconhecimento que tinha para com a autoridade dos bispos, que são os sucessores dos apóstolos, a quem Jesus deu a missão: “Ide e ensinai” (Cf. Mt 28,19), ele assim definiu a finalidade de sua congregação: “Missionários Apostólicos em auxílio aos Bispos”.

Pe. Gaspar dedicou toda a sua vida a fazer sempre a vontade de Deus. Apoiado na oração, ele sempre conseguia perceber e tudo realizar segundo a vontade de Deus.

Desde os seus 35 anos de idade enfrentou sérios problemas de saúde, que antes o levaram à beira da morte, e depois o mantiveram preso ao leito durante grande parte de sua vida, suportando terríveis dores e sofrimentos, mas sem que uma queixa saísse de seus lábios.

Fez de suas enfermidades instrumentos de redenção e louvor a Deus. Chamava-as de “Escola de Deus”: são ocasiões que nos dá a misericórdia de Deus para perdoar muitas faltas que cometemos e não fazemos penitência. Devemos vivê-las na perspectiva da fé, como uma luz religiosa, pois Deus quer a nossa salvação também através da doença e, como conseqüência, do sofrimento.

De seu leito de dor continuou suas atividades como mestre, pregador de exercícios espirituais e sobretudo como conselheiro dos que a ele acorriam. Todos os que o consultaram (bispos, magistrados, sacerdotes e fiéis) admiravam-se pela sua sabedoria, e de comum acordo o consideraram como “Anjo do Conselho”.

Muitos doentes que ele abençoou foram curados, e depois de sua morte ainda outros milagres já foram registrados por sua intercessão ou pelo contato com suas relíquias.

Pe. Gaspar morreu santamente no dia 12 de junho de 1.853, aos 76 anos incompletos, e foi canonizado pelo Papa João Paulo II em 1 de novembro de 1.989, no dia da festa de “Todos os Santos”. Os milagres para o seu processo de beatificação e canonização foram realizados no Brasil, nas cidades de Rio Claro e Rio de Janeiro.

Sua festa litúrgica é celebrada em 12 de junho.

….
Pe. Gaspar colocava no amor cristão, na caridade para com Deus antes e acima de tudo, a base da castidade. Dizia:

“Numa alma tomada pela caridade não existe a libidinagem”.

Aos padres e religiosos afirmava:

“Deus nos chama a competir na terra com a pureza dos anjos”.

Assim, nas constituições, lembra aos membros de sua congregação que devem consagrar-se inteiramente a Cristo e que, por essa razão, devem conservar-se castos de corpo e de alma.

Estabelece-lhes os seguintes meios, a fim de se manterem puros e progredirem na virtude da castidade:

§ Oração e Sacramentos

A esse respeito, realça a Confissão e a Eucaristia. Escreve: “Todos tenham grande empenho em aproximar-se, freqüentemente, e com as devidas disposições, dos sacramentos da Confissão e da Comunhão”.

§ Mortificação

Do paladar, da vista, do ouvido, da língua, do tato.

§ Fuga do Ócio

Para evitar o ócio, quer que se apliquem a trabalhos manuais, ou, principalmente os sacerdotes, ao estudo, que e também um trabalho.

§ Cuidado com os sentimentos

Devem ter muito cuidado com os sentimentos, pois pouco a pouco podem

descambar para a sensualidade.

Aos que iam procurá-lo como penitentes, era tanta a força do seu exemplo, tão grande o brilho da fisionomia, e tão influente o ardor da sua palavra quando se referia à castidade, que atingia profundamente até os mais viciados, de modo que se convertiam, reestruturavam a vida e passavam a servir de exemplo.

….

Usava dos objetos com muito cuidado, para não estragá-los, já que o pobre não pode dar-se ao luxo de desperdiçar as coisas. Aplicava esta diligência até nos objetos pequenos e menos caros, como uma folha de papel e semelhantes. Tomava para si o que fosse mais estragado, porque queria viver realmente a pobreza, como um verdadeiro pobre.

Ao ter que aconselhar seminaristas ou sacerdotes envolvidos em dúvidas diante das ordens do bispo, ele só tinha uma palavra: Obediência. Aliás, estabelecia esta virtude como o mais claro sinal de que alguém era chamado à vida sacerdotal. Faltando a disposição de obedecer, faltava também a melhor prova da vocação. Nem sempre o bispo encontrava fácil acatamento às suas ordens. Então, diante do impasse, apelava para Pe. Gaspar. Este entrava em contato com o renitente e, com palavras carregadas do amor de Deus, e com fervorosas admoestações, até mesmo com os exercícios espirituais de Santo Inácio, atingia o objetivo: levava à obediência a pessoa rebelde.

Uma atitude, para ele inconcebível, era a desobediência ao Papa.

O Papa representa Jesus Cristo na terra; por isso, suas disposições e ordens devem ser respeitosamente seguidas.

Abaixo do Papa, os bispos também mereciam dele a maior veneração. À sua congregação prescreveu a vida de missionários para auxílio aos bispos. Com isto, precedeu os tempos, pois o Concilio Vaticano Segundo, mais de um século depois, veio ressaltar este múnus.

Tanta era a sua respeitosa disponibilidade de obediência ao Papa que lia as suas encíclicas de joelhos!

A virtude da obediência, em Pe. Gaspar, via na autoridade, fosse lá quem fosse a pessoa, o representante de Deus.

E como praticava ele a obediência em seu convento, dado que era ali o superior? Antes de tudo, procurava fazer sempre diligentemente aquilo que parecia ser a vontade de Deus.

Podia ter escolhido para si o melhor quarto da casa. Mas não. O seu quarto foi o pior, o menos cômodo e o mais frio de todos. Ali, nada de aquecimento, qualquer que fosse, mesmo no mais duro inverno. Somente aceitou o aquecimento, quando, enfermo, o médico deixou ordem nesse sentido.

Certa vez, um grande inimigo de Pe. Gaspar e de seus Oratórios o ofendeu violentamente. Apelando para todas as forças da mansidão, Pe. Gaspar reagiu tanto contra si mesmo para se manter calmo que sofreu um desmaio e foi ao chão. Desmaiou, mas não cedeu à raiva. O corpo sucumbiu, enquanto o espírito sublimou-se em Deus. Os jansenistas eram uns hereges muito atrevidos. Como Pe. Gaspar não lhes dava tréguas, começaram eles também a persegui-lo. Ofendiam-no onde quer que o encontrassem, mesmo em público. Pe. Gaspar se calava. Podia, se quisesse, reduzir ao silêncio toda aquela gente maldosa. Bastava que argumentasse com toda a ampla ciência que possuía, mas preferiu calar-se e mansamente suportar.

 Conselheiro

 A Pe. Gaspar não afluíam apenas os sacerdotes e candidatos ao sacerdócio, ou os religiosos e candidatos à vida consagrada. Leigos de responsabilidade e desejosos de vida espiritual o consultavam, seguiam suas orientações com toda a segurança de estarem acertando diante de Deus. Buscavam nele orientações para assuntos espirituais, antes de tudo, mas, sempre que necessário, expunham problemas de ordem doméstica ou de assuntos da vida pública ou privada. Procuravam-no para isso pessoas da classe alta, da classe média ou do povo simples, de toda a profissão e situação social. Quando alguém tinha um problema difícil de resolver, o refrão que ouvia era sempre este: “Vá conversar com Pe. Gaspar”.

 São Gaspar Bertoni – Um santo para o nosso tempo. Pe. Lidio Zaupa

 Início

 Na tarde de 9 de Outubro de 1777, a cem metros da paróquia de S. Paulo in Campo Marzo, em Verona, às dezesseis horas em ponto, na Rua de Soto (hoje rua Nicola Mazza), a senhora Bertoni dava à luz um menino que se tornaria importante para a cidade de Verona.(p.1).

 Ninguém então o teria imaginado, embora muitos dos parentes o pressentissem, porque tinha sido esperado com paciência.(p.1).

 Mamãe Brunora já havia decidido que, se fosse menino, seu nome seria Gaspar. Entre os antepassados, outros com o mesmo nome haviam-se distinguido pelo talento e capacidade de administrar o notável patrimônio Bertoni. O último foi o avô do nosso Gaspar.(p.2).

 No final de 1788 Gaspar recebeu a primeira Comunhão. A lembrança daquele

encontro permaneceu viva durante a vida, tanto que vinte anos mais tarde, já sacerdote, anotava no seu “Memorial Privado”: “Grandíssima devoção e afeto como no dia da primeira Comunhão, e que nunca havia tido depois”.(p.5)

 Dos testemunhos de alguns companheiros, se descobre o jovem Gaspar muito

diferente do menino tímido do tempo da infância. Sua inteligência e suas capacidades fizeram dele um líder “alegre e engraçado”, como anota o companheiro Pe. João Batista Conati. Sabia manter a companhia alegre com gracinhas e imitações de personagens importantes e conhecidas. A paixão pela música o levava a organizar com os colegas concertos vocais ou instrumentais, dirigidos por ele. Já havia feito um nome e sabia reunir amigos também fora do âmbito escolar.(p.5-6).

 Amor aos doentes

 O jovem Gaspar, com outros companheiros do seminário, passava o tempo livre nos hospitais entre feridos e doentes. A assistência noturna foi-lhe exigida mais de uma vez e ele jamais se negou. Foi um período de grande generosidade e de total dedicação; uma formação humana e cristã que, junto com o ensinamento da teologia, produziu uma mentalidade aberta a todas as necessidades da gente pobre.(p.9-10)

 Ordenação sacerdotal

 Gaspar concluiu o curso teológico aos 22 anos. Já estava maduro para uma etapa fundamental de sua vida. No dia 9 de março de 1799 recebeu a ordem do subdiaconato; um ano depois, aos 12 de abril, foi ordenado diácono.

As vicissitudes familiares voltaram a perturbar o jovem. O pai, perdido o emprego na Prefeitura quando terminou a Chancelaria dos Reitores vênetos, mostrava-se sempre mais nervoso e, justamente em abril de 1800, os pais decidiram a separação de comum acordo; um drama que marcou muito Gaspar, embora jamais haja comentado. Aos 20 de setembro, às portas dos 23 anos, depois de ter recebido licença de Veneza, capital, Pe. Gaspar foi ordenado sacerdote.(p.10-11)

 Amor aos jovens

 O jovem padre, entusiasmado com a nova missão, criava iniciativas continuamente; boas leituras para manter os rapazes unidos, sólidas exortações espirituais, momentos de entretenimento e de jogos. Nascia assim em Verona o primeiro Oratório. Os inícios não eram fáceis, embora o entusiasmo fosse grande. A balbúrdia e o vozerio dos meninos colocaram em duras provas a paciência da irmã do pároco e da empregada. Com o pretexto de urgentes reformas, forçaram o pequeno grupo a procurar um outro local.(p.15).

 Trabalho no Oratório

 Para Pe. Gaspar o objetivo último era o de levar os rapazes à freqüência dos sacramentos. O encontro com Deus era o motivo de todo seu trabalho. Assim jamais faltava, no final dos jogos, uma visita na igreja a Jesus na Eucaristia; aqui se encontrava a força para viverem em paz. Ninguém devia faltar à missa dominical e ao catecismo; eram obrigações que se tornaram categóricas, nos dias de festa, para todos os inscritos. Também se insistia continuamente sobre a pureza de costumes para todos e em todas as idades. “Através da pureza – dizia – se edifica no coração do homem o templo vivo do Espírito Santo; antes, o próprio corpo se torna instrumento da glória de Deus e mais ainda, sua morada”.(p.18).

 O Oratório de S. Paulo tornou-se famoso em toda cidade. Os mais zelosos pastores se interessaram em saber se a experiência podia ser difundida.(p.19)

 Amor aos presos

 Há uma outra atenção que não pode ser esquecida no jovem cooperador de S. Paulo:é pelos encarcerados, fechados então no vizinho convento de Santa Maria da Vitória dos Jerônimos. Também naquele tempo os cárceres estavam superlotados. Presos políticos, delinqüentes comuns, menores desviados; era uma humanidade disparatada que colocada junta não fazia mais que multiplicar incômodos e violências de todo tipo. Pe. Gaspar era familiar aos encarcerados; suas visitas eram aguardadas com ansiedade. Seu biógrafo lembra que “nos cárceres visitava e confortava o transviado, e com a doçura da exortação e da instrução, o levava não somente a suportar com paciência o castigo merecido, mas a agradecer o Senhor porque, na sua sabedoria e caridade, serviu-se daquele meio para reconduzi-lo ao caminho certo, dando-lhe uma liberdade maior: a graça de Deus”.(p.22).

 Frase

 “Procurar somente Deus, ver Deus em todas as coisas: isto é um tornar-se superior a todas as coisas humanas” (30 de julho). É a tradução concreta, na vida, das palavras de Jesus: “Vocês estão no mundo, mas não são do mundo”.(p.24).

 Perseguição

 Aos 25 de abril de 1810 Napoleão, com um decreto de supressão de todas as ordens religiosas masculinas e femininas, inflingia um duríssimo golpe na própria vida da Igreja. O intento era golpear as forças religiosas mais vitais para domesticá-las a sua vontade.(p.29).

 Enfermidade

 O ano de 1824 marcou uma outra etapa dolorosa na vida de Pe. Gaspar. A perna direita inchou rapidamente e, à altura da tíbia, apareceu um pequeno tumor que se estendeu progressivamente até o joelho. O médico, o tio José Ravelli, tentou no início a cura por meio de emplastros, mas sem resultado. Decidiu-se pela intervenção cirúrgica. Foi chamado o célebre doutor Luís Manzoni que tentou com diversas incisões debelar o mal. Os resultados foram desastrosos também pelos terríveis sofrimentos a que era submetido o paciente.(p.51-52)


[1] http://www.estigmatinos.com.br/s-gaspar.htm

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