Biografia dos Santos

Santa Lúcia Filippini

Posted on: julho 5, 2010

Aonde fordes, levai o sorriso de Maria

Santa Lúcia Filippini

DISCURSO ÀS PARTICIPANTES NO CAPÍTULO GERAL DAS MESTRAS PIAS DE SANTA LÚCIA FILIPPINI

29 de Janeiro de 2001

 Caríssimas Filhas

de Santa Lúcia Filippini

 

1. Sinto-me feliz por vos receber e a cada uma de vós dou as cordiais boas-vindas. Agradeço-vos esta visita, com a qual, por ocasião do vosso Capítulo Geral Ordinário, desejais renovar a expressão da vossa plena fidelidade e adesão ao Sucessor de Pedro.

Vós estais empenhadas há anos em vários Países do mundo e pondes-vos com amor ao serviço do Evangelho, atentas às necessidades dos pequeninos, dos pobres e dos que sofrem, procurando inspirar o vosso ministério educativo em Jesus Mestre, num estilo de seguimento que faz apelo ao amor esponsal. Continuai por este caminho, cooperando na difusão do Evangelho da caridade nos novos âmbitos de apostolado que o Senhor vos confia. A experiência, maturada pelo vosso Instituto durante longos anos  de  serviço  a  Cristo  e  à  Igreja, constitui, no início do novo milénio, um feliz preliminar para uma época de vida consagrada e apostólica ainda mais fecunda.

2. O vosso Capítulo Geral tem lugar quando se acabou de concluir o Grande Jubileu do Ano 2000. Ele trata um tema que é para vós de grande interesse:  “As Constituições, lâmpada para os meus passos, luz para o meu caminho” (Sl 118). A escolha do tema deseja ressaltar a necessidade de uma renovada referência à Regra, porque nela e nas Constituições se encerra um itinerário de seguimento qualificado por um específico carisma autenticado pela Igreja (cf. Vita consecrata, 37).

Por conseguinte, o objectivo fundamental do Capítulo é consentir aos membros uma interiorização mais consciente das Constituições, a fim de viverem uma autêntica espiritualidade comunitária, que seja testemunho profético dos valores do Reino. Perante o alastrar-se de uma mentalidade secularizada, a observância fiel da Regra será para vós, queridas Irmãs, uma válida ajuda para vos fortalecerdes na tendência ao  Absoluto,  não  vos  conformando com o espírito deste mundo, mas progredindo dia após dia na conformação a Cristo.

A assembleia capitular oferece-vos a oportunidade de voltar de novo, com humildade e coragem, às origens do vosso Instituto, haurindo nele um vigor mais intenso para responder aos desafios que agora se apresentam às vossas iniciativas apostólicas. Olhando para a singular experiência do Cardeal Marcantonio Barbarigo e da jovem Lúcia Filippini, podereis realizar a desejada renovação das estruturas e dos métodos, mantendo firme a referência à Regra e às Constituições, que reúnem um itinerário de seguimento de Cristo de acordo com o vosso específico carisma educativo, pedagógico e assistencial. Através de uma maior adesão a Ele, pedra angular, que “é o mesmo ontem, hoje e sempre” (Hb 13, 8), o dom que o Espírito Santo fez aos vossos Fundadores poderá continuar a animar a vossa experiência quotidiana.

3. Neste momento, não posso deixar de pensar de novo em quando, nos finais de 1600, o Cardeal Marcantonio Barbarigo, coadjuvado pela jovem Lúcia Filippini, deu início a uma ampla acção de apoio humano e espiritual dos jovens, dedicando-se também ao melhoramento da condição feminina e ao restabelecimento moral e cultural do clero e do povo? Precisamente para esta finalidade foram constituídas, por volta de 1692, as “Escolas da Doutrina Cristã” para as jovens do povo, na perspectiva do saneamento da família e da sociedade. Desta forma, surgia um corpo de professoras válido e estável, capaz de realizar, com fidelidade e criatividade, aquele projecto de intervenção educativo que Barbarigo e a jovem Lúcia Filippini tinham idealizado.

O vosso Capítulo Geral, que tem lugar no alvorecer do terceiro milénio, constitui quase uma pausa para considerar o caminho até agora percorrido e avaliar o início, mais do que nunca prometedor, de uma nova época de serviço eclesial na Itália, na Europa e nos territórios de missão nos quais estais presentes. A Igreja, caríssimas Irmãs, espera muito de vós:  do vosso exemplo e da vossa generosa dedicação apostólica.

Estais chamadas a exercer um particular ministério educativo, que se manifeste em constantes sinais de amor, sobretudo em benefício dos pobres, e que, através  das  escolas,  favoreça  não  só um sólido crescimento cultural dos alunos, mas também a sua consciente aproximação às verdades perenes do Evangelho.

4. Para que possais prosseguir com bons resultados este vosso apostolado, seja vossa solicitude prioritária cultivar uma espiritualidade pessoal e comunitária que saiba harmoniosamente fundir a salvaguarda da interioridade e a generosa dedicação às vossas numerosas actividades apostólicas e caritativas.

Para alcançar este objectivo, durante os trabalhos do capítulo reconhecestes oportunamente na formação para a vida consagrada, no espírito de oração, na comunhão fraterna e na missão na Igreja e no mundo, os caminhos privilegiados para continuar a ser, a exemplo dos Fundadores, uma presença significativa no nosso tempo. Perante o crescente indiferentismo religioso, estais chamadas a realizar a vossa missão específica, sobretudo no campo escolar, tendo em consideração as dificuldades relacionadas com os diversos contextos culturais e locais. Sede corajosas e entusiastas, sem vos deixardes condicionar pelos obstáculos de qualquer tipo que podereis encontrar.

Revivei em vós o ardente sentimento de Paulo, que exclamava:  “Ai de mim, se não evangelizar” (1 Cor 9, 16). Na escola dos vossos Fundadores, ponde o vosso apostolado sob a protecção da Mãe de Deus, Maria, que a Igreja venera “como mãe amantíssima, dedicando-lhe afecto e piedade filial” (Lumen gentium, 53). Estou certo de que, desta forma, suscitareis em numerosas jovens o desejo de encontrar Cristo e de o servir com “coração indiviso” nos irmãos débeis e indefesos.
Com estes sentimentos, concedo-vos de coração, caríssimas Irmãs, uma especial Bênção, que faço extensiva a todas as pessoas, sobretudo jovens, com as quais vos empenha a tarefa apostólica da vossa Família religiosa.

http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/2001/documents/hf_jp-ii_spe_20010129_figlie-santa-lucia_po.html

 Santa Lúcia Filippini

Início

 Quando a nossa Lúcia nasceu – no dia 13 de janeiro de 1672 – Tarquínia, seu berço natal chamava-se Corneto, cidade da Etrúria meridional, situada a 149 metros acima do nível do mar…Lúcia foi o quinto e último rebento da família, pois sua mãe, à idade de apenas 27 anos, fechava os olhos do corpo para abrir os da alma. Na luz da glória celeste.(p.11).

…Sete anos depois da morte de sua mãe, também seu pai deixava esta vida terrena, para unir-se à sua dileta esposa….Nutris pelos tios profundo respeito, era dócil, obediente e de boa vontade retribuía o afeto que deles recebia.(p.13).

 Seu amor a Jesus na Eucaristia era tão grande que não passava dia sem que O fosse visitar no tabernáculo.(p.17).

 O Cardeal…benevolentemente concedeu-lhe a audiência: ficou surpreendido com a simplicidade, com o candor, com a sensatez de Lúcia e dela ouviu os votos e as aspirações.Pouco tempo depois, com o consentimento dos tios, chamou-a a Montefiascone, destinando-a ao Mosteiro de Santa Clara, onde com o estudo e a oração ela se preparava para a missão que Deus lhe reservara.(p.21).

 Lúcia contava apenas com vinte anos; está no pleno vigor de suas forças e já preparada para um novo gênero de apostolado, planejado pelo zeloso Purpurado. Ainda desta vez Lúcia aceita a opinião de Barbarigo, que a coloca à frente de uma nova fundação: O Instituto das Mestras Pias. Transmite-lhe as Regras a observar e entrega-lhe o novo hábito que vestirá.(p.21).

 Frases

 “O amor é uma força que atrai e conquista os corações: a caridade é o efeito do amor que leva à conquista das almas.”(p.23).

 “Deus nos chamou para servi-Lo nos pobres, nos sofredores, nos necessitados, a trabalhar para o advento do Reino de Cristo no mundo; continuemos…Enquanto vivemos, devemos combater, vigiar, sobretudo orar para que mo mundo não nos prenda com suas seduções. Em nome do Senhor, sempre para a frente.”(p.27).

 “Jesus morreu por nós, mas nós ainda não morremos por Ele.”(p.29).

 Desejaria ardentemente multiplicar-me para gritar por todos os lados e para dizer a todas as pessoas: Amai, amai muito o Senhor!”(p.29).

 “No mundo há necessidade de compreensão e caridade”.(p.31).

 “Exorto-vos, caras filhas, a conduzir uma vida digna da Vocação, para a qual fostes chamadas; com total humildade e mansidão, com paciência, suportando-vos reciprocamente e na caridade, solícitas em conservar a unidade de espírito. Aonde fordes, levai o sorriso de Maria.”(p.35).

 Testemunho – pedia perdão

 Procurava não desgostar ninguém e se, uma vez ou outra, supunha estar em falta, pedia logo desculpas: “Perdoai-me, pelo amor de Deus”. Alma pura tinha horror a toda e qualquer culpa e manifestava preferir morrer a pecar.(p.15).

 O Papa

 O nome e a santidade da jovem apóstola se expandem por todo o Lácio. O Papa Clemente XI a chama a Roma: Lúcia, acompanhada de algumas Irmãs, parte de Montefiascone para a Cidade Eterna, colocando-se à inteira disposição de Sua Santidade. Também em Roma o Instituto das Mestras Pias se afirma e adquire maior prestígio. E até hoje continua a dar copiosos frutos.(p.25).

 Perseguições

 As pessoas más viam sinistramente este seu apostolado, motivo por que a denunciaram ao tribunal do Santo Ofício, declarando que agia contrariamente a Fé. Diante destas acusações, Lúcia não se perturbou, nem sentiu seu fervor diminuir. E os juízes do Sagrado Tribunal, depois de bem terem examinado as acusações, a liberaram absolvida e a encorajaram a prosseguir na sua atividade.(p.28-29).

 Amor a pobreza

 Muito embora estivesse sobrecarregada de obrigações, achava sempre tempo para atender a obras de misericórdia. Seguia exatamente aquilo que o Papa Clemente XI lhe havia dito na primeira audiência: “Onde há um pobre a socorrer, ali está Jesus”.(p.31).

 Prodígios

 Um dia, surpreendida por um pavoroso tufão, invoca a ajuda divina e logo após o tempo serena. Outra vez, com o sinal da cruz cura uma mulher a que se devia amputar um braço.(p.33).

 Alegria

 Ela vivia só e inteiramente para Deus, alegre por poder cumprir Sua santíssima Vontade. Todos os dias recebia Jesus na Eucaristia, porque, sem Jesus, aquele dia era considerado perdido para ela.(p.35).

 Canonização

 Suas forças chegaram ao fim…Era o dia 25 de março de 1732.(p.37).

A Igreja, no dia 13 de junho de 1926, a eleva à glória dos Bem-aventurados, e no dia 22 de junho de 1930 a inscreve no álbum dos santos. O Santo Padre Pio XI, de saudosa memória, exaltou a nobre figura de Santa Lúcia Filippini, e à Itália e ao mundo proclamaou sua santidade, associando-a ao apostolado de Rosa de Viterbo e Catarina de Sena. O Instituto das Mestras Pias Filippini tem por objetivo a educação, a instrução moral e civil da juventude;(p39-40).

 Fonte: Valentino Turetta. A mestra Santa. Santa Lúcia Filippini. Imprimatur em 11 de novembro de 1965.

 

Anúncios
%d blogueiros gostam disto: