Biografia dos Santos

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“Não temo nenhuma dificuldade, incomodo,

padecimento ou clima

quando tenho a convicção de atuar em favor do plano

 para a salvação da África.”

 São Daniel Comboni

 

BIOGRAFIA DE PELO VATICANO

 

Daniel Comboni (1831-1881)

Daniel Comboni: um filho de camponeses-jardineiros pobres que se tornou o primeiro Bispo católico da África Central e um dos maiores missionários na história da Igreja.É mesmo verdade: quando o Senhor decide intervir e encontra uma pessoa generosa e disponível, acontecem coisas novas e grandiosas.

  Filho único – pais santos 

Daniel Comboni nasceu em Limone sul Garda (Brescia – Itália) a 15 de Março de 1831, duma família de camponeses ao serviço de um rico senhor local. O pai e a mãe, Luis e Domenica, eram afeiçoadíssimos a Daniel, o quarto de oito filhos falecidos quase todos em tenra idade. Eles formavam uma família unida, rica de fé e de valores humanos, mas pobre de meios económicos.E é exactamente a pobreza da família Comboni que obriga Daniel a deixar a aldeia natal para ir frequentar a escola em Verona, no Instituto fundado pelo sacerdote Don Nicola Mazza.

Nestes anos passados em Verona, Daniel descobre a sua vocação ao sacerdócio, completa os estudos de filosofia e teologia e, sobretudo, abre-se à missão da África Central, fascinado pelo testemunho dos primeiros missionários mazzianos que regressavam do continente africano. Em 1854 Daniel Comboni é ordenado sacerdote e três anos depois parte para a África juntamente com outros cinco missionários do Istituto Mazza, com a benção da mãe Domenica que lhe diz: «Vai, Daniel, e que o Senhor te abençoe». 

 No coração da África – com a África no coração 

Após quatro meses de viagem, a expedição missionária de que Comboni faz parte chega a Cartum, capital do Sudão. O impacto com a realidade africana é enorme. Daniel dá-se imediatamente conta das dificuldades que comporta a sua nova missão. O cansaço, o clima insuportável, as doenças, a morte de numerosos e jovens companheiros, a pobreza e abandono do povo impelem-no cada vez mais a seguir em frente e a não abandonar a missão iniciada com tanto entusiasmo. Da missão de Santa Cruz escreve aos seus pais: «Teremos que sofrer, suar, morrer, mas o pensar que se sofre e morre por amor de Jesus Cristo e da salvação das almas mais abandonadas do mundo é demasiado consolador para nos fazer desistir da grande empresa».

Ao assistir à morte em África dum seu jovem companheiro missionário, Comboni em vez de desanimar sente-se interiormente confirmado na decisão de continuar a sua missão: «Ou Nigrizia ou morte, ou a África ou a morte».

E é sempre a África e a sua gente que levam Comboni, uma vez regressado a Itália, a conceber uma nova estratégia missionária. Em 1864, recolhido em oração junto ao túmulo de São Pedro em Roma, Daniel tem uma iluminação fulgurante que o leva a elaborar o seu famoso Plano para a regeneração da África, um projecto missionário (que se pode sintetizar numa intuição, «Salvar a África com a África», e que é fruto da sua ilimitada confiança nas capacidades humanas e religiosas dos povos africanos.

 Um Bispo missionário original 

No meio de dificuldades e incompreensões não indiferentes, Daniel Comboni tem a intuição de que a sociedade europeia e a Igreja católica são chamadas a tomar em maior consideração a missão da África Central. Com este objectivo dedica-se a uma incansável animação missionária em todos os recantos da Europa, pedindo ajudas espirituais e materiais para as missões africanas, quer aos Reis, Bispos e grandes Senhores, quer ao povo pobre e simples. Como instrumento de animação missionaria cria uma revista missionária, a primeira em Itália.

A sua fé inquebrantável no Senhor e na África leva-o a fundar em 1867 e 1872, respectivamente, os seus Institutos missionários, masculino e feminino, posteriormente conhecidos como Missionários Combonianos e Irmãs Missionárias Combonianas.

Como teólogo do Bispo de Verona, participa no Concílio Vaticano I, levando 70 Bispos a subscreverem uma petição em favor da evangelização da África Central (Postulatum pro Nigris Africæ Centralis).

A 2 de Julho de 1877 Comboni é nomeado Vigário Apostólico da África Central e consagrado Bispo um mês mais tarde: é a confirmação de que as suas ideias e as suas acções, por muitos consideradas demasiado arrojadas ou até paranóicas, são extremamente eficazes para o anúncio do Evangelho e para a libertação do continente africano.

Nos anos de 1877-1878 sofre no corpo e no espírito, juntamente com os seus missionários e missionárias, a tragédia duma estiagem e carestia sem precedentes que dizimam a população local e abalam o pessoal e a actividade missionária.

 Com a cruz por amiga e esposa 

Em 1880, com o entusiasmo de sempre, o Bispo Comboni regressa à África pela oitava e última vez, decidido a continuar, lado a lado com os seus missionários e missionárias, a luta contra a praga da escravatura e a consolidar a actividade missionária através dos próprios africanos. Um ano depois, provado pelo cansaço, pelas frequentes e recentes mortes dos seus colaboradores e pela amargura de acusações e calúnias, o grande missionário adoece. A 10 de Outubro de 1881, com apenas 50 anos de idade, marcado pela cruz que, qual esposa fiel e amada, nunca o abandonou, morre em Cartum no meio da sua gente, consciente de que a obra missionária não morreria. «Eu morro, mas a minha obra não morrerá».

Daniel Comboni tinha visto bem. A sua obra não morreu; pelo contrario, como todas as grandes obras que «nascem e crescem aos pés da cruz», continua a viver graças à doação da vida feita por tantos homens e mulheres que escolheram seguir Comboni no caminho da árdua e entusiasmante missão entre os povos mais necessitados na fé e mais abandonados pela solidariedade humana.

 As datas fundamentais 

Daniel Comboni nasce em Limone sul Garda (Brescia – Itália) a 15 de Março de 1831. 

— Consagra a sua vida à África (1849), realizando um projecto que a partir de 1857, ano em que embarca para a África pela primeira vez, o leva várias vezes a arriscar a vida em extenuantes expedições missionárias. 

— Em 31 de Dezembro de 1854, ano da proclamação da Imaculada Conceição de Maria, é ordenado sacerdote pelo Bispo de Trento, o Beato João Nepomuceno Tschiderer. 

— Com a confiança em que os africanos se tornariam eles mesmos protagonistas da própria evangelização dá vida a um projecto que tem por finalidade «Salvar a África com África» (Plano de 1864). 

— Fiel ao seu lema «Ou Nigrizia ou morte», não obstante as dificuldades, prossegue com o seu projecto fundando em 1867 o Instituto dos Missionários Combonianos. 

— Qual voz profética, proclama a toda a Igreja, particularmente na Europa, que chegou a hora da salvação dos povos da África. Para isso ele, um simples sacerdote, não exita em se apresentar no Concílio Vaticano I para pedir aos Bispos que cada Igreja local se comprometa na conversão da África (Postulatum, 1870). 

— Com coragem pouco comum naqueles tempos, concebe as Irmãs missionárias como plenamente participantes na missão da África Central, e em 1872 funda o seu Instituto de Irmãs exclusivamente consagradas às missões: as Irmãs Missionárias Combonianas. 

— Pelos africanos consome todas as suas energias, e luta tenazmente pela abolição da escravatura.

— Em 1877 é consagrado Bispo e nomeado Vicário Apostólico da África Central. 

— Morre em Cartum (Sudão) consumido pelas canseiras e pelas cruzes na noite de 10 de Outubro de 1881. 

— Em 26 de Março de 1994 é reconhecida a heroicidade das suas virtudes. 

— Em 6 de Abril de 1995 é reconhecido o milagre operado por sua intercessão em favor de uma menina afro‑brasileira, Maria José de Oliveira Paixão. 

— Em 17 de Março de 1996 é beatificado em São Pedro por Sua Santidade o Papa João Paulo II. 

— Em 20 de Dezembro de 2002 è reconhecido o segundo milagre operado por sua intercessão em favor de uma mãe muçulmana do Sudão, Lubna Abdel Aziz. 

— Em 5 de Outubro de 2003 è canonizado em São Pedro por Sua Santidade o Papa João Paulo II.

 

Biografia do Bispo Daniel Comboni

(Fundador dos Missionários Combonianos)

 Nascimento

 Daniel Comboni nasce a 15 de Março de 1831 em Limone, pequena povoação situada nas margens..do lago de Garda, ao norte da Itália.

 Leitura da vida dos santos

 A leitura da “História dos Mártires do Japão revela-lhe o heroísmo da vida missionária. Este novo ideal impele-o a aperfeiçoar-se sempre mais e a alimentar o seu espírito com a oração. (p.9)

 Animação para ser missionário na África Central

 Em Janeiro de 1849 conhece o Padre Ângelo Vinco, que está de regresso das missões da África Central. A narração da sua experiência missionária convence o jovem Comboni…(p.9)

 Ordenação Sacerdotal

 A 31 de Dezembro de 1854 é ordenado sacerdote na catedral de Trento. Passa os primeiros anos sacerdotais a fazer o bem aos outros. Durante a epidemia de cólera de 1855, Comboni distingue-se na assistência espiritual e sanitária às vítimas da peste. (p.10)

 A família e a missão na Àfrica

 Na carta que envia a Dom Pedro Grana, pároco de Limone, datada de 4 de Julho de 1857, escreve: “A sua carta cheia de confiança impele-me a dar-lhe a conhecer o autêntico estado de alma em que me encontro…Como me parece já lhe ter dito alguma vez, sinto-me inclinado a seguir o árduo caminho das missões e, precisamente, desde há uns oito anos, o da África Central…Mas há dois grandes obstáculos que me fazem temer. O primeiro é abandonar os meus pobres pais, cujo consolo é este filho único. Mas este obstáculo penso superá-lo tendo em conta a natureza de nossa missão…O outro obstáculo é o desejo de assegurar a meus pais uma existência tranqüila, e isto consegui-lo-ei, liquidando todas as suas dívidas. Quando tiver superado estes dois obstáculos, estou decidido a partir. Mas afligi-me o pensamento de que os meus pais não estão de acordo e ficam tão sozinhos. Eu não tenho medo da vida nem das dificuldades das missões, nem de nada, mas o que se refere aos meus pais faz-me tremer…Se abraço a idéia das missões, converterei em mártires os meus próprios pais. Também não me parece justo pensar que quando eles morrerem terei livre o caminho das missões, pois teria então que desejar-lhes a morte. Esta não é uma idéia própria dum cristão e muito menos de um sacerdote….Pela minha parte sempre desejei morrer antes deles… (p.11-13)

 …No recolhimento e na oração Deus manifesta-lhe claramente a sua vontade: a África será o campo do seu apostolado…Assim o comunica ao pároco:

 “Terminei finalmente os santos exercícios e, depois de me ter aconselhado com Deus e com os homens, cheguei à conclusão de que as missões são a minha verdadeira vocação. Além disso o Padre Marani, traçando um quadro da minha vida e das circustancias passadas e presentes, assegura-me que a minha vocação para as missões de África é das mais claras e evidentes. E, apesar da situação dos meus pais que eu lhe expus com toda a sinceridade, disse-me: Vá! Eu dou-lhe a minha benção. Confie na Providência: o Senhor que lhe inspirou este projeto grandioso saberá consolar e cuidar dos seus pais. Por isso, decidi, definitivamente, partir para o próximo mês de Setembro. O Pe. Marani disse-me para fazer compreender bem aos meus pais a intenção do nosso Superior, ou seja: primeiro vamos e voltamos…Oh! Como me aflige o sacrifício destes pobrezinhos ao separarem-se de mim! A quantos sacrifícios submeteu o Senhor esta vocação! Mas confirmaram-me que Deus me chama e parto seguro. Sei que muitos, que não vêem para além dum palmo à sua frente, me amaldiçoarão e imprecarão contra mim, mas nem por isso vou deixar de seguir minha vocação…”(p.14-15)

 A 10 de Setembro de 1857 Daniel Comboni embarca no porto de Trieste embarca no porto de Trieste com mais 4 sacerdotes e um missionário leigo. A primeira etapa da viagem é a terra santa…(p.19)

 “Eu não posso exprimir com palavras as grande impressão e os sentimento que despertaram em mim todos estes preciosos santuários que recordam a Paixão e Morte de Jesus Cristo.”

 “O Santo Sepulcro fez com que ficasse extasiado, perguntando-me a mim mesmo: Aqui esteve 40 horas Jesus Cristo?…É este o túmulo que tantos santos beijaram,..?”(P.21-22)

 Visita ao Cairo

 Visitados os lugares santos, Comboni reata com os companheiros a viagem que o leva à sua missão, no coração do continente africano. A próxima etapa será a capital do Egito…(p.26)

 O dom da discrição

 “Visitamos várias vezes o bispo de Cairo que vive no convento dos franciscanos, onde nós nos hospedamos…Não lhes falo dos escândalos que têm lugar nas praças públicas, nas ruas e nos próprios mercados, porque não quero sujar a caneta descrevendo tantas ofensas públicas a Deus.” (p.29)

 “Não é possível descrever com palavras as graves privações suportadas pelos missionários, pelas religiosas e pelo pessoal das nossas missões…” (p.228)

 Gratidão à família

 Eu estou mais são e forte do que quando estava na Europa. Todos estamos alegres e tranqüilos e às vezes rio-me, recordando episódios de quando estava com vocês. Coragem, meus queridos pais, oração e resignação à vontade de Deus!…Agradeço-lhes vivamente o terem-me dado o generoso consentimento para seguir o caminho das missões….Adeus querido pai, querida mãe, vocês estão sempre vivos no meu coração…(p.33)

 …A 23 de novembro chegam a Korosko, onde se preparam para a travessia do deserto. A carta é dirigida ao pai e data de 27 de Novembro…

…“Querido papá, roga ao Senhor por mim e por todos nós. Certamente Deus te abençoará. Deves saber que o Senhor apenas premeia os seus servos. Tu és um deles, porque abraçaste a sua cruz.”…(p.65)

  A coragem em anunciar o evangelho a lugares distantes

 “Se por aqui passaram outros, passaremos nós também.”

 “Esqueci-me de contar-lhes o momento mais crítico da nossa viagem. O Nilo,..encontra-se ladeado de duas altas montanhas que formam um desfiladeiro ao longo de uns cinco quilômetros. Essa passagem é muito perigosa e com freqüência se dão muitos naufrágios… Mal tínhamos entrado com as nossas barcas neste labirinto, quando um vento fortíssimo rasgou a vela maior…face ao perigo..Padre João e eu…preparados para nos lançarmos ao rio que neste trecho está cheio de redemoinhos…Enquanto rezávamos a ave-maria e nos preparávamos para dar-nos mutuamente a absolvição, o vento empurrou-nos para um banco de areia e salvámo-nos. Descemos a terra e entoamos dois alegres cânticos. Agora encontramo-nos felizes e já enxutos, à espera de poder amanhã celebrar a missa. Bendito seja o Senhor! E bendita seja Maria, que está sempre conosco. (p.34-35)

 Na morte da mãe, buscou ser consolo para seu pai

 É necessária uma fé bem alicerçada e uma entrega total a Cristo para escrever o que escreveu Comboni, por ocasião da morte da mãe. Conhecemos o grande amor que sentia por ela e, apesar disso, em lugar de queixas encontramos palavras de agradecimento a Deus, em lugar de pranto, alegria: “Exultemos os dois”, escreve ao pai. (p.66)

“…Ah! Então a minha mãe já não existe?… Seja eternamente bendito Deus que assim o quer, seja bendita a mão providencial que se dignou visitar-nos neste vale de lágrimas e exílio…”! (p.68)

 “…Sim, meu queridíssimo pai, ela findou de chorar nesta terra e agora encontra-se finalmente na glória do Céu, partilhando com os filhos a alegria de um paraíso que nunca terminará, esperando que nós, vencendo na luta desta peregrinação, cheguemos a reunir-nos com eles. Eu estou muito contente porque ela está mais perto de mim do que antes, e tu deves também alegrar-te porque o Senhor escuta a prece dos nossos seres queridos que agora pedem por nós e pela nossa salvação diante do trono de Deus…” (p.68)

 “Aqui a morte está presente todo o dia. Não temos tempo para fazer os preparativos, de maneira que temos de estar sempre preparados, na graça de Deus e dispostos a morrer de um momento para o outro…Teu amadíssimo e muito agradecido filho, completamente pobre, Pe. Daniel Comboni, servo dos negros na pobre África Central. (p.70)

 Grande amor ao povo africano

 “Não temo nenhuma dificuldade, incomodo, padecimento ou clima quando tenho a convicção de atuar em favor do plano para a salvação da África.” (p.88)

 “A miséria lastimável dos pobres negros pesa imensamente no meu coração, e não há sacrifício que eu não me sinta disposto a abraçar pelo bem deles. (p.113)

 “Se o Papa, a Propaganda Fide e todos os bispos do mundo se me opusessem, eu baixaria a cabeça durante um ano, e depois apresentaria um novo plano: mas desistir de pensar na África, nunca, nunca…Tenho uma confiança imensa no Santíssimo Coração de Jesus e de Maria…”(p.113)

 “A África pode-se definir, como escrevi de Paris a Roma, “a raça negra ameaçada pela invasão do Islão”, situação muito deplorável em que nenhuma outra parte do mundo se encontra..” (p.135-136)

 A 8 de Dezembro de 1869 começa em Roma o Concilio Vaticano I. Daniel Comboni encontra-se no Cairo orientando os colégios que preparam os apóstolos africanos para a sua própria terra, conforme a linha traçada pelo Plano: “salvar a África por meio dos africanos”. A distância que o separa de Roma parece-lhe enorme. Queria estar lá para animar os bispos de todo o mundo a unirem-se no grande esforço para salvar o continente africano.(p.169)

 Ainda antes da inauguração do Concílio, Comboni aproveita o batismo de quatro negros para se dirigir diretamente a Pio IX. Exprime-lhe o seu otimismo na conversão de toda a África e o desejo de que todos os bispos sintam o dever de trabalhar pela salvação dos negros. A carta tem a data de 19 de Setembro de 1869:

 “…Entre os negros, Padre Santo, há ovelhas que pertencem ao vosso rebanho; também entre os negros existem corações capazes de vos amarem; também entre os negros, e é muito doce podê-lo assegurar por experiência própria, tem Deus preparado grandes satisfações para a Igreja e para Vós, seu Vigário…  (p.170)

 “Não é possível descrever com palavras as graves privações suportadas pelos missionários, pelas religiosas e pelo pessoal das nossas missões. As crianças, os alunos, e as pequenas acorriam aos missionários e às religiosas pedindo um pouco de água, pois ardiam de sede; e como eles não tivessem com que satisfazer os seus desejos, os pobrezitos e pobrezitas choravam e suscitavam a compaixão até das pedras; disputavam fraternalmente, para beber um pouco cada um, a água suja do lavatório onde se calhar o missionário e a religiosa se tinham lavado. Podia dizer mais…mas a caneta cai-me das mãos.” (p.228)

  Visita ao Oratório, onde vivia São João Bosco

 Escutemos o que a este respeito nos narra Lemoyne, biógrafo do santo:“…É grande o número de prelados e de ilustres personalidades que este ano chegaram para entrevistarem Dom Bosco. O Pe. Comboni, grande missionário da África, depois de ter estado aos pés de Pio IX, para lhe apresentar o seu plano para a regeneração da África, e de viagem para Paris, deteve-se em Turim e hospedou-se no Oratório de São Francisco de Sales.

 Foi grande o entusiasmo despertado nos jovens que o ouviram, maravilhados, falar das missões e sentiram nascer no seu coração um enorme desejo de o acompanharem…” (p.122)

 …a eficácia da palavra e presença de Comboni, que conseguia fazer vibrar os corações e enchê-los de entusiasmo pelo ideal missionário. (p.124)

 Contribuiu para que os escravos ficassem livres

 “…Todos os escravos que eu encontro, na cidade ou fora, amarrados etc.., mando-os levar para a missão…até agora já libertei mais de 500.” (p.202)

 Amor à cruz de Jesus

 “Sinto-me demasiado feliz em ser por Ele honrado com tantas cruzes, que são tesouros da sua divina graça.” (p.151)

…Daniel Comboni escreve ao cardeal Prefeito da Propaganda Fide nestes termos: “Escrevo poucas linhas porque me encontro destroçado por causa das febres, das tribulações, do esforço e do sofrimento do coração. As obras de Deus, por lei adorável da Providência, devem nascer e prosperar aos pés do Calvário…O apostolado nunca deixou de ser acompanhado de sacrifícios e do martírio. À Paixão e morte de Jesus Cristo sucedeu a Ressurreição. O mesmo acontecerá na África Central. (p.237)

 Sofre muitas perseguições

 …não temo ninguém no mundo, exceto a mim mesmo, que examino todos os dias e recomendo fervorosamente ao Coração de Jesus, de Maria e de São José; conheço bastante bem os inimigos da minha obra e não tenho nenhum medo deles, embora me tenham feito, e talvez me façam ainda, mal na Itália, França e Alemanha; porque as mentiras e os relatórios pouco ponderados tem as pernas curtas, e porque as obras de Deus devem passar pelo caminho da Cruz que é o único símbolo de salvação e de vitória. (p.245)

 Sabia expressar sentimentos de gratidão, e reconhecia o valor de cada pessoa

 Uma só palavra para lhe dar notícias das nossas irmãs.

 A Irmã Germana é a Marta da nossa expedição; comporta-se verdadeiramente bem. A semana passada avançamos lentamente, porém, agora temos um bom vento.

 A Ir. Madalena encontra-se em perfeita saúde; nunca a vi tão cheia de saúde.

 A Ir. Josefina está bem, embora tenha ficado doente do peito por ter trabalhado muito com os preparativos do Cairo e começou a fazer o mesmo no barco, quando tivemos dois dias e duas noites de Inverno; porém, eu obriguei-a, por obediência, a ficar na cama e agora melhorou. Fazemos o possível por curá-la; assim poderá terminar a viagem e trabalhar no Sudão. Dentro de quinze dias chegaremos a Schellal, no começo do vicariato. Dou graças ao senhor por me ter concedido as Irmãs de S. José.

 São umas heroínas as três que tenho. Defenda a minha causa perante a madre geral para que me mande mais seis, no próximo mês de Março. Dê-lhe notícias nossas e agradeça-lhe da minha parte o que fez por mim. Este novo mundo da África Central pertence a S. José. Rezamos sempre pela nossa madre geral, por si, pela madre assistente, pela Ir. Catarina, superiora de Roma e por todas as irmãs. Reze também por nós. Estamos nas mãos de Deus e refugiados no Sagrado Coração. Faço todos os dias um sermão às irmãs e às negras. Elas estão felizes, pelo que vejo; são boas. Mil saudações à madre geral e às suas queridas filhas. (Pe. Daniel Comboni-Pró-vigário da Africa Central)

Fonte: http://www.comboni.net

 Regulamento para os missionários

  Dado que o missionário deve ensinar não só com a palavra mas ainda mais e melhor com o exemplo, no que lhe diz respeito, cada um deverá procurar observar exatamente o horário comum da casa, participando solícito e com atitude correta em todos os exercícios de piedade ou procurando realizá-los no momento mais oportuno sempre que não tenha podido fazê-los em comum.

 Mostrar-se-á sempre obediente e respeitoso para com os superiores, tratará com caridade os seus companheiros e quando se vir na necessidade ter que castigar ou corrigir os que tiver a seu cargo, fá-lo-á com zelo caritativo e nunca como desafogo de rancor ou arrebatamento de ira.

 Manterá sempre um comportamento modesto e grave, e não se permitirá fazer barulheira ou qualquer outra coisa capaz de perturbar a tranquilidade e a paz, sua e dos outros. Não julgará e muito menos criticará a conduta dos outros, nem censurará os seus superiores, mas ocupar-se-á de si mesmo e cumprirá os seus próprios deveres; e quando surgir algum motivo de discórdia ou controvérsia seja com quem for, submeterá sempre o assunto aos únicos legítimos superiores, a cujo juízo deverá ater-se.

Na necessidade de entrar em casa feminina, deverá ser dada notificação prévia disso ao superior, expondo-lhe a causa, e procurar-se-á realizar quanto antes o assunto de que se tratar, sem permanecer lá mais tempo do que o necessário.
Contentar-se-á cada um com a comida comum e não pretenderá receber uma especial, sem autorização do superior; e em nenhum caso irá à despensa ou à cozinha para pedir alguma coisa fora da hora estabelecida.

 HORÁRIO
Horas 5 da manhã Levantar

“ 6 “ Missa, meditação e orações da comunidade

“ 7 “ Pequeno-almoço e tempo livre

“ 8 “ Trabalho, aulas para meninos, estudo, outras ocupações

“ 11.30 “ Leitura espiritual na igreja e visita ao Santíssimo

“ 12.00 Almoço. Visita ao Santíssimo.

“20.00 Exame de consciência e orações na igreja…

Fonte: http://www.comboni.net

 Aos 50 anos de idade

 Cinqüenta anos! Meu Deus, tornamo-nos velhos! E aumentam as minhas penas e cruzes. Mas sei que estas vêm de Deus e por isso conto com  a sua ajuda. (p.246)

 Vencendo a si mesmo, Comboni buscou levar, o entusiasmo pela missão, a todos missionários

 “A tão grandes sofrimentos morais juntam-se as febres; parecem querer a fibra de Comboni que, não obstante tudo, encontra força para vencer-se a si mesmo e infundir coragem aos missionários.” (p.261)

 Morte

 Por fim, entra em agonia: os dois padres assistentes administram-lhe os Santos Óleos e dão-lhe a benção papal que ele recebe com sinais da mais viva fé. Um repentino vomito de sangue faz compreender a todos que o momento chegara. Seis minutos mais tarde, o santo bispo entrega a sua alma generosa, plácido e amoroso como uma criança…Eram as dez da noite do dia 10 de Outubro de 1881 e o servo de Deus contava cinqüenta anos, seis meses e vinte e cinco dias. (p.265-266)

 Fonte: Luis Butera. A força de um ideal. Editorial além mar. Biografia do bispo Daniel Comboni: fundador dos Missionários Combonianos. Lisboa, 1976.


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