Biografia dos Santos

Beata Maria Anna Sala

Posted on: agosto 24, 2010

Biografia pelo Vaticano

 

SOLENE RITO DE BEATIFICAÇÃO
DE TRÊS SERVOS DE DEUS:
DON LUIGI ORIONE
IRMÃ MARIA ANNA SALA
BÁRTOLO LONGO

HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II

Domingo, 26 de Outubro de 1980

 Caríssimos Irmãos e Filhos

Gaudeamus omnes in Domino, hodie, diem festum celebrantes sub honore Beatorum nostrorum!” (Alegremo-nos todos no Senhor, hoje, ao celebrarmos o dia de festa em honra dos nossos Beatos).

(…)

3. A Suor Maria Anna Sala ensina-nos a heróica fidelidade ao particular carisma da vocação.

Tendo entrado para as Irmãs Marcelinas aos 21 anos, compreendeu que o seu ideal e a sua missão deviam ser unicamente o ensino, a educação, a formação das meninas na escola e na família.

A Irmã Maria Anna foi, simples e totalmente fiel ao carisma fundamental da sua Congregação. Três grandes lições brotam da sua vida e do seu exemplo: a necessidade da formação e da posse de um bom carácter, firme, sensível e equilibrado o valor santificante do empenho no dever assinalado pela obediência e a importância essencial da obra pedagógica.

A Irmã Maria Anna quis adquirir aptidões do mais alto grau, convencida que tanto se pode dar quanto se possui; e apaixonou-se do seu cargo de mestra, santificando-se no cumprimento do próprio trabalho quotidiano. Pôs em prática a mensagem de Jesus: “Quem é fiel no pouco também é fiel no muito” (Lc 16, 10). Aprendam da nova Beata, sobretudo as Religiosas, a estarem alegres e serem generosas no seu trabalho, embora oculto, monótono e humilde. Aprendam, todos aqueles que se dedicam à obra educativa, a não se amedrontarem nunca com as dificuldades dos tempos, mas a empenharem-se com amor, paciência e preparação, na sua tão importante missão, formando as almas e elevando-as aos supremos valores transcendentes. Particularmente hoje a Escola precisa de educadores prudentes, sérios, preparados, sensíveis e responsáveis.

Fonte:http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/homilies/1980/documents/hf_jp-ii_hom_19801026_beatificazioni_po.html

Biografia

«Nesse momento, diante do Senhor, correu um vento impetuoso e forte que fendia as montanhas e quebrava as rochas; mas o Senhor não estava naquele vento; ascendeu-se um fogo, mas o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo, ouviu-se uma voz calma e suave. E Deus estava nesta voz doce e serena». (1a R. 19,11-13)O estilo de santidade de Ir. Marianna Sala nos sugere aquela voz calma e serena, na qual Deus estava presente. Para atingirmos tais alturas, para nos elevarmos a um alto nível espiritual, devemos começar pelos fundamentos da humildade. E, com humildade e confiança, irmos a Deus, que tudo pode! Eis a mensagem que Ir. Marianna Sala nos transmite com sua vida: um hino a Deus, urna oração contínua e um mergulho no mistério de Cristo que conheceu a humildade do sepulcro; um caminhar confiante, na certeza de ser amada por Deus, enquanto todo o seu ser possuía o Amor e cantava o Amor.

  Ir. Marianna deu o máximo de si, na observância religiosa e no apostolado, com um incomparável espírito de sacrifício, fazendo brilhar, porém sempre escondida, todos os dons da inteligência com que o Senhor a dotara, tornando-se educadora de valor. As alunas, ela deu não só a ciência necessária, num tempo em que a mulher se conservava afastada da cultura, mas deu também a sabedoria e o temor de Deus.

 Sem ostensiva tomada de partido, trabalhou sabiamente pela promoção da mulher, procurando dar-lhe urna cultura adequada e urna piedade baseada em seguros conhecimentos teológicos.

 Entre as alunas que deram testemunho dela, houve urna, Giuditta Alghisi, depois Montini, que foi a mãe de Paulo VI. Isto nos faz pensar no trabalho silencioso, porém grande, que as santas mães tiveram na formação de seus filhos. Ao lado das mães, as educadoras.

 Card. Pietro Palazzini

Os primeiros anos

 

As margens do rio Adda

Em Brivio, antigo subúrbio da alta Brianza, às margens do rio Adda, no território de Lecco, no dia 21 de abril de 1829, nasceu Maria Anna, a quinta de 8 filhos de Giovanni Maria Sala e Giovannina Comi.

Seu pai, homem de grande fé e trabalhador, comerciante de madeiras, possuía, no centro da cidade, urna casa cômoda, com entrada ampla, um pátio vasto e barulhento.

Nesta casa, Marianna nasceu e cresceu, como seus irmãos, no afeto do lar, num clima de paz e serenidade, alicerçada na fidelidade às tradições cristãs da numerosa família bem inserida na comunidade paroquial onde Giovanni Sala era sábio e prudente colaborador.

 Marianna foi levada à pia batismal, na paróquia vizinha, no dia do seu nascimento e ai recebeu aquele germe de vida divina, que amadureceu nela em fruto de santidade.

Na sua infância pura e simples, alimentou sua profunda piedade, com assíduo estudo das verdades da fé, sempre presentes em sua lúcida inteligência.

Particularmente caro à devoção de Marianna, quando criança, foi um pequeno santuário, oratório de São Leonardo, um pouco fora da cidade, onde se venerava urna imagem de Nossa Senhora, diante da qual os moradores de Brivio levavam as suas dores, as suas lágrimas, recébendo o conforto da esperança cristã e, não raro, graças importantes.

Diante desta imagem, Marianna e uma de suas irmãs se prostraram numa ardente prece, num momento de grande dor para o seu coração de criança: a enfermidade da mãe.

Enquanto as crianças rezavam – como mostra um quadro votivo da família Sala – a enferma se sentiu curada, com intima certeza de haver visto junto a si a Virgem Maria, abençoando-a.

Aluna das Marcelinas

Os pais de Marianna, conscientes da responsabilidade com relação aos filhos, ao mesmo tempo que, com o exemplo de urna vida integralmente cristã, preparavam os cidadãos da cidade celeste, olhavam com sábia providência os caminhos difíceis da cidade terrena, e eram abertos às conquistas do progresso, rico de novidades, na metade do seculo XIX.

Corria em Brivio a fama da recente fundação de um Instituto feminino – o das Marcelinas, aberto em Cernusco sul Naviglio, em 1838, pelo diretor espiritual do Seminário, o beato Luiz Biraghi.

  Cernusco sul Naviglio (Milão) primeiro Colégiodas Marcelinas

Objetivo do Instituto: educar, à luz da fé cristã, segundo programas sólidos de ensino, sem deixar de lado as atividades domésticas, as jovens de urna burguesia que se firmava, irreversivelmente, na vida civil.

Obtendo, imediatamente, amplo consentimento, as Marcelinas abriram em 1841, um segundo Colégio em Vimercate, na baixa Brianza.

Neste Colégio, Giovanni Maria Sala quis que suas filhas mais aptas, Marianna (1842), em seguida Genoveffa e Lúcia, completassem seus estudos.

Marianna distinguiu-se como aluna exemplar e em 1846 conseguiu, com ótimos resultados, o diploma de professora primária.

A vocação religiosa

No ativo recolhimento do Colégio, encontrou um tesouro superior àquele que os títulos de estudo lhe asseguravam: acolhera no coração o chamado de Cristo à vida consagrada, apostólica e evangelizadora, como suas educadoras, das quais admirara o zelo e a piedade, sob a orientação da Madre Videmari, fervorosa colaboradora do Fundador.

Ao chamado de Cristo, Marianna respondeu com o seu «SIM» de total devotamento, tendo, porém, que esperar dois anos antes de realizar seu desejo. A saúde da mãe, os afazeres do lar, a crise econômica, motivada pela falência do pai, exigiram de Marianna sua presença solicita e confortadora em casa. Sua mãe a considerava a melhor dos filhos; seu pai encontrava nela a força do perdão cristão e a coragem para retomar sua atividade.  

 Vimercate (Milão). Colegio das Marcellinas em Vimercate.

No dia 13 de fevereiro de 1848, Marianna voltou ao Colégio de Vimercate, como aspirante à vida religiosa.

Após o noviciado, teve a sorte de pronunciar os votos, por ocasião da aprovação canônica da Congregação: 13 de setembro de 1852.

O testemunho de vida

Começou, então, a vida da Irmã educadora, heróica na monótona fadiga do dia a dia, na observância regular que a levou, através de um exercício humilde e ininterrupto, às virtudes cristãs; à única e verdadeira realização da existência humana – a santidade. O campo de seu fecundo apostolado foram os Colégios de Cernusco, Milão, Via Amedei, Genova e, durante as férias de outono, Chambéry, na Savoia. Por fim Milão, na então casa geral de Via Quadronno.

A perfeita obediência de Irmã Marianna Sala não se manifestou só no acolhimento dócil dessas transferências, mas também na total dependência das Superioras e das coirmãs - parecia haver feito voto de obediência a todas as Irmãs, disse uma testemunha, e era disponível às alunas e aos que dela se aproximavam.

 Chambéry (Savoia-FR). Castelo dos Duques de Savóia.

«Vou já» – é a expressão de sua vida votada ao serviço. Um «vou já» que a levava a interromper até as mais importantes de suas ocupações, até as lições escrupulosamente preparadas, que não lhe deixava espaço nem para prolongados encontros com Cristo, ardente desejo de sua alma contemplativa.

Com aquele «Vou já» irmã Marianna Sala responder seu «sim» amoroso a Deus na humildade e na pobreza de quem deu tudo.

Tinha sempre consigo o Senhor: vivia sempre da presença de Deus, como do ar que se respira.

Percebiam-no também as alunas, quando ouviam em classe suas explicações, sempre marcadas por um profundo espirito de fé, que lhes atraiam a atenção e as comoviam, quando dela se aproximavam, na capela, no tempo das orações comunitárias; quando a viam passar, solicita pelos corredores do Colégio, preocupada com suas inúmeras incumbências ou quando a viam ajoelhada ao lado da cama nos últimos colóquios com Jesus Crucificado.

É uma Irmã extraordinária, diziam entre si;

É uma santa, ousavam afirmar alguns, naturalmente, depois de lhe haver notado a santidade, pondo-lhe à prova a paciência, a firmeza, a mansidão, a inexaurível capacidade de compreensão, de confiança, de esperança de amor, como costumam fazer as adolescentes de todos os tempos com professores e educadores. Irmã Marianna teve esses dons de verdadeira educadora, porque foi mansa na sua forte personalidade. E, dos mansos, teve a violência: a que conquista o reino.

Escrevia, em janeiro de 1869, à sua irmã, Ir. Genoveffa, também educadora Marcelina:

 Cara Genoveffa,

 Com a prontidão de sempre, respondo a sua cartinha que muito me agradou como também me agradou o santo que nela você incluiu. Agradeço muito a delicadeza que teve comigo. Lamento seu resfriado; espero que tenha juízo e procure livrar-se dele logo. Sim, mantenha-se com saúde, pois, com eia se cumpre melhor os deveres. Esteja sempre alegre e pense que Deus a ama verdadeiramente e ajudá-la-á, mais do que pensa, a instruir e educar bem suas alunas. Não considere inútil o cansaço sem fruto imediato; tenha paciência, que, com a ajuda de Deus, poderá ganhar muito, trabalhando na sua vinha. Quando acharmos que nosso trabalho supere nossas forças, não nos desanimemos, pois, então, teremos mais razões e quase um direito de esperar mais auxilio de Deus. Pois, se a vontade dos Superiores é para nós a vontade de Deus, devemos admitir que é Deus quem nos coloca naquela escola, naquela oficio, etc. Deus nunca no dará um peso superior às nossas forças; logo, é certo que, quanto major for a nossa insuficiência, major será também a sua ajuda, para que sua obra não fracasse.

 Coragem, pois, e alegria; esforcemo-nos para cumprir nossos deveres e pensemos que Cristo há de fazer sua parte e a fará como sempre.Eram as convicções profundas que sustentavam sua opção existencial, conhecia o peso do apostolado na escola, mas o amava porque ele a tornava colaboradora de Jesus Cristo.

 Escrevia a uma aluna:

 Sou-lhe gratíssima pela linda cartinha que me escreveu. Considero-a um feliz prenúncio de que, na entrada do novo ano escolar, terei em você uma das alunas que melhor saberá tornar suave o já agradável dever de educar. E verdade que pouco valho, mas esperemos que o, Senhor considere a boa vontade de me dedicar inteiramente ao seu bem e ao de todas as minhas queridas alunas. (5.10.1880).

 Irmã Marianna dedicava-se, incansavelmente, às suas alunas para que se tornassem não só cultas, mas também fortes na fé e em todas as virtudes cristãs, como a mulher forte, elogiada na Sagrada Escritura. E as encorajava nas dificuldades da vida:

 Coragem, minha Virginia, coragem e grande confiança em Deus, que sempre vela sobre você com um olhar de Pai amoroso. Ele nunca Me faltará; ajudá-la-á educar bem os queridos filhinhos que lhe confiou, qual depósito sagrado, reservando-lhe contudo, grande prêmio pelo que deles fizer para o céu e para a sociedade. Deus a sustentará nos momentos da prova; (…) se-lhe-á pródigo em conceder-lhe aquelas graças que mais deseja o coração de uma boa e virtuosa mãe de família. (a Virginia Limonta, 29.7.1877).

 Uma aluna declara no processo:

 Na educação das alunas tinha como único fim: formar verdadeiras cristãs que pudessem formar cristãmente as próprias famílias, difundindo o Reino de Deus.

 Urna outra acrescenta:

 O fim de todo seu ensinamento era formar as alunas, para que fossem mães de família verdadeiramente cristãs.

 Ir. Marianna tinha para com suas alunas um relacionamento de grande clareza, de lealdade, de sinceridade. Por ser verdadeira queria a verdade.

 As alunas entendiam-no e nutriam por ela urna sincera afeição. Que a afeição, por elas, fosse simples e autêntica, declara-o, surpreendentemente, a própria Ir. Marianna, numa carta que podemos considerar a mais significativa de seu epistolário: a da despedida da Superiora do Colégio de Genova, depois de ter recebido a obediência que a transferia para Milão:

 Milão, 1 de novembro de 1878

 Querida Superiora Catarina

 Recebi, ontem, a noticia da minha nova destinação. Eu estou ainda tão confusa que não sei exprimir o que ela produziu no meu espirito. Basta, o Senhor assim o quer; ele me ajudará.

 E aquela santa indiferença de que falávamos, quanto me falta para consegui-la! Envergonho-me de mim mesma. Enquanto me considerava pronta a qualquer sacrifício, na prática, a natureza ainda se ressente vivamente.

 Querida superiora, reze por mim (…).

 Eu a lembrarei, diariamente, junto ao Senhor, como único meio que me resta para compensá-la pelas múltiplas atenções e caridade que usou para comigo, que trarei, uma por uma, escritas no coração. Quantas vezes, talvez, a desgostei, principalmente com meu caráter selvagem e seco! Peço perdão à senhora e a todas as minhas boas irmãs pelas faltas cometidas para com todas. Cumprimente-as e diga-lhes que guardarei uma doce lembrança de todas.

 E as caras alunas? E as majores? Oh, se soubessem o quanto sinto a separação! Não sabia que as amava tanto! Querida Superiora, queira abraçá-las e dizer-lhes uma boa palavra por mim. Que o Senhor Me conceda um ano verdadeiramente abençoado, para a sua consolação e das Irmãs, especialmente das que se ocuparão mais delas.

 Devo terminar, embora tenha muito a dizer-lhe ainda. Fica para uma outra vez.

 Cumprimento-a e de novo Me agradeço. (…) recomendo-me às suas orações, para obter o auxilio no cumprimento da vontade de Deus.

 Creia-me sempre afetuosa e grata.

 Ir. Marianna Sala

 P.S. – Relendo a carta pareceu-me dar-lhe a impressão de que sofro muito aqui. Não, sinto a separação, mas Deus me ajuda. A Madre Superiora me trata com uma bondade acima do que mereço e as Irmãs se mostram verdadeiramente Irmãs. Deus me ajude a corresponder a tudo.

Seu sofrimento

Após o desabafo, embora controlado, de seus sentimentos, o post scriptum foi, da parte de Irmã Marianna, como um voltar a si, para não deixar pesar sobre os outros os próprios sofrimentos.

Era sempre assim. Só quem a observou, confirmando-o no processo, pôde intuir algo de sua participação no mistério da Cruz, ao qual Cristo chama os mais fiéis.

 

Milano, il Collegio di via Quadronno, dove mori la beata Maria Anna Sala.

Sem dúvida, foram-lhe causa de grandes sofrimentos não só as misérias humanas, diárias e inevitáveis da comunidade, sobre as quais passou sempre com inalterável paz, mas também as repreensões freqüentes e fortes da Madre Marina Videmari, de caráter forte e impulsivo, convencida, em boa fé, de que os santos devem ser provados.

Não lhe faltou o sofrimento físico. Uns oito anos antes da morte, quando Ir. Marianna estava na casa de Via Quadronno, em Milão, manifestou-se nela o mal que a levaria à morte: um tumor na garganta, externamente visível.

Uma echarpe preta, usada,. com desenvoltura, disfarçava as aparências, enquanto o sorriso imperturbável de seu rosto, após crises agudas de dor; que a constrangiam a interromper as aulas, fazia esquecer, a quem dela se avizinhasse, o quanto havia sofrido. Aliás, numa maravilhosa superação de si, ela se habituara a chamar, jocosamente, a horrível deformação do pescoço, seu colar de pérolas.

Nunca revelou angústia pelo mal, nem mesmo nos últimos meses de vida.

«Estou bem», escreveu a uma irmã, em 26 de julho de 1891.

Vivia o que afirmara, anos antes, com a lógica dos apaixonados pela Cruz:

Sirvamos o Senhor, com coragem, minha boa Genoveffa, ainda quando nos pede algum sacrifício, se assim se podem chamar as pequenas dificuldades que encontramos no caminho da virtude. Realmente, o que é o que sofremos nós em confronto com o que por nosso amor sofreu nosso amado Esposo? Aliás, não deveríamos antes alegrar-nos e agradecer-lhe, quando nos envia alguma ocasião de provar-lhe nosso amor e nossa fidelidade? Entreguemo-nos ao Senhor em tudo e por tudo, e Ele nos ajudará a nos
tornarmos santos (a Ir. Genoveffa, 16-10-1874).

Santificar-se foi, para Ir. Marianna, uma questão de verdade, de fidelidade, de coerência. Era seu compromisso de batizada e de consagrada, que viveu com aparente naturalidade, numa tensão ascética que se manifestou, não em atitudes extraordinárias, mas em exercícios contínuos das virtudes comuns.

Foi, porém, urna tensão atenuada pela alegre esperança do paraíso.
O seu desejo do céu, no qual sempre envolvia as alunas, parece ter-se tornado mais vivo e freqüente ao pressentir o fim de sua vida.

No dia 10 de agosto de 1891 escrevia a Annunciata Crosti:

Coragem e confiança, esteja certa de que rezo realmente por você e por seus caros. Você também diga algumas palavras, por mim, à Virgem, especialmente nestes dias em que nos preparamos para a bela solenidade da Assunção. Sursum corda! Nunca é demais o que se faz para ganhar o céu.

No outono de 1891, Ir. Marianna retomara suas numerosas e absorventes atividades e o ensino nas classes das maiores. Mas, após os primeiros dias de aula, foi obrigada a interromper o trabalho, recolhendo-se na enfermaria do colégio.

A doença venceu sua resistência física e moral. Passou quinze dias de sofrimento atroz.

Em 24 de novembro, enquanto as co-irmãs rezavam, na Capela, a Ladainha de Nossa Senhora, ela sentiu o esplendor da invocação «Regina Virginum» e, no leito de morte, urna beleza nova resplandecia em sua fisionomia, havendo desaparecido qualquer sinal do tumor.

Irmãs, alunas e ex-alunas divulgaram a fama de sua santidade. Umas, reconhecendo nela a religiosa exemplar, na fidelíssima observância das Regras; outras, lembrando, com o ensinamento impregnado de fé, o exemplo de vida, decisivo na formação da juventude.

O encontro casual de seus despojos intactos, em 1920, fez com que se voltasse a falar na, já esquecida, Ir. Marianna Sala. As ex-alunas se uniram às Marcelinas para pedirem a introdução da causa de beatificação e muitas testemunharam, no processo informativo, a heroicidade das virtudes.

Fonte: http://www.marcelline.org/sito-testi/beata-maria-anna-sala/p-og.htm

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