Biografia dos Santos

Santo Antônio Maria Claret

Posted on: julho 6, 2010

Um filho do Imaculado Coração de Maria é um homem que arde em caridade

e abrasa por onde passa; que deseja eficazmente e

 procura por todos os meios inflamar o mundo

no fogo do divino amor. Nada o detém.

Alegra-se nas privações. Enfrenta os trabalhos.

Abraça os sacrifícios.

Compraz-se nas calúnias e se alegra nos tormentos.

Seu único pensamento é seguir e imitar a Jesus Cristo,

no trabalho, no sofrimento,

procurando sempre e unicamente

a maior glória de Deus e a salvação das almas”.

Santo Antônio Maria Claret

 AUTOBIOGRAFIA Edição para Língua Portuguesa (Brasil) preparada por Brás Lorenzetti, cmf Oswair Chiozini, cmf

 Para a Família Claretiana, herdeira do espírito e missão de Santo Antônio Maria Claret, no bicentenário do seu nascimento.

 http://www.claret.org/po/espiritualidad/sc_textos_smc.php

 Início

 …Nasci 4 em Sallent 5, comarca de Manresa, bispado de Vic, província de Barcelona. Meus pais chamavam-se João Claret 6 e Josefa Clará. Casados, honrados e tementes a Deus, muito devotos do Santíssimo Sacramento do Altar e de Maria Santíssima.

 4. Fui batizado na pia batismal da paróquia de Santa Maria de Sallent, no dia 25 de dezembro, dia do Natal do Senhor, do ano de 1807. Embora nos livros paroquiais conste 1808, por iniciar a contar o ano seguinte por este dia. Por esta razão meu registro é o primeiro do livro do ano de 1808.

 5. Deram-me o nome de Antônio Adjutório João. Meu padrinho, um irmão de minha mãe, que se chamava Antônio Clará, ele quis que me chamasse pelo seu nome de Antônio. Minha madrinha, irmã de meu pai, que se chamava Maria Claret, casada com Adjutório Canudas, me pôs o nome de seu marido. O terceiro nome é João, que é o do meu pai. Depois, por amor à Virgem Santíssima, acrescentei o dulcíssimo nome de Maria 7, porque ela é minha mãe, minha madrinha, minha mestra, minha diretora e meu tudo, depois de Jesus. Assim, meu nome é Antônio Maria Adjutório João Claret e Clará…

 22. Tinha somente seis anos de idade quando meus queridos pais me mandaram à escola. Meu professor de primeiras letras foi o padre Antônio Pascual, 24 homem muito ativo e religioso; nunca me castigou nem repreendeu. Também procurava não lhe dar motivo para isso; eu era sempre pontual, assistia sempre às aulas, levando as lições sempre bem estudadas…

 30. Eu era pequeno, quando ainda estava na fase de alfabetização, ocasião em que um inspetor, ao visitar a escola, me perguntou o que gostaria de ser. Respondi-lhe que desejava ser sacerdote. 29 Tendo terminando com perfeição o primário, puseram-me nas aulas de Latim. O professor era um sacerdote muito bom e sábio, chamado João Riera. 30 Com ele aprendi ou decorei nomes, verbos, gêneros e alguma coisa mais. Como as aulas foram encerradas, não pude estudar mais o Latim e fiquei assim.

 31. Como meu pai era fabricante de fios e tecidos, colocou-me na fábrica para trabalhar. 31 Obedeci sem dizer uma palavra, sem fazer cara feia e sem manifestar contrariedade. Pus-me a trabalhar o quanto podia, sem ter jamais manifestado preguiça ou má vontade. 32 Fazia tudo da melhor forma que sabia para não causar aborrecimento em nada a meus queridos pais, pois os amava muito e eles também a mim.

 32. O sofrimento maior era quando meus pais tinham que repreender algum funcionário que não tinha executado bem o seu trabalho. Estou certo de que sofria muito mais do que o repreendido, pois tenho um coração tão sensível que, ao presenciar o sofrimento de alguém, fico profundamente condoído, mais do que a própria pessoa que sofre.

 …43. Já na minha infância e juventude, professava uma cordial devoção a Maria santíssima. Oxalá tivesse agora a devoção de então! Valendo-me da comparação de Rodríguez, 40 sou como aqueles criados velhos das casas dos grandes que quase não servem para nada, considerados como trastes inúteis, conservados na casa mais por compaixão e caridade que pela utilidade de seus serviços. Assim sou eu no serviço da rainha dos céus e da terra: por pura caridade e misericórdia me agüenta e, para que se veja que é verdade, sem exagero, para humilhação minha, direi o que fazia em obséquio a Maria santíssima.

 44. Ainda pequeno, deram-me um rosário, que agradeci muitíssimo, como se recebesse um grande tesouro. Com ele rezava, junto com as demais crianças da escola. Ao sair das aulas, à tarde, formando duas filas, íamos à igreja próxima, e todos juntos rezávamos uma parte do rosário, dirigida pelo professor…

 …47. Além de rezar o rosário nos dias de trabalho, rezava também uma Ave-Maria a cada hora do dia e a oração do Angelus Domini (O Anjo do Senhor) em sua devida hora. Nos dias de festa passava mais tempo na igreja do que em casa, porque quase não brincava com as demais crianças. Entretinha-me em casa e, enquanto estava assim, inocentemente entretido em algo, parecia ouvir uma voz; era a Virgem que me chamava para que fosse à igreja, e eu dizia: Já vou, e ia logo…

56. Desejoso de progredir nos conhecimentos da arte têxtil, pedi a meu pai que me enviasse para Barcelona. 48 Meu pai concordou, acompanhou-me até lá. Eu mesmo, a exemplo de São Paulo, ganhava com minhas próprias mãos o que necessitava para minha alimentação, vestuário, livros e para pagar os estudos, etc. A primeira coisa que eu fiz foi apresentar uma solicitação à direção da Casa Lonja a fim de ser admitido nas aulas de desenho; consegui e aproveitei bastante. 49 Quem diria, o desenho que aprendia para a arte têxtil, Deus queria que o usasse para a religião! Na verdade, muito me tem servido para ilustrar o catecismo e assuntos místicos.

 …71. Naquele último verão, a santíssima Virgem preservou-me do afogamento no mar. Como trabalhava muito, no verão passava muito mal.Perdia completamente o apetite. Encontrava algum alívio indo ao mar: lavava os pés, tomava alguns goles de água. Certo dia, fui ao Mar Velho, depois da Barceloneta. Estando na praia, o mar de repente se agitou e uma série de grandes ondas me carregou; sem esperar, estava mar adentro. Fiquei admirado ao ver-me flutuando sobre as ondas, mesmo sem saber nadar. Depois de invocar Maria santíssima, encontrei-me novamente na praia, sem que em minha boca tivesse entrado uma gota de água sequer. Enquanto estava na água sentia a maior serenidade; depois, ao encontrar-me na praia, horripilava-me ao pensar no perigo de que havia escapado por intercessão de Maria santíssima. 61

 90. Dos meus desejos de ser cartuxo só o diretor espiritual estava ciente; os demais o ignoravam completamente. Naqueles dias, havia em Sallent um benefício vacante pretendido por um sacerdote que não era natural da população local, ainda que vivesse nela e, infelizmente, não era o desejável. 77 Quando o vigário-geral viu a solicitação, falou ao bispo da inconveniência de conceder-lhe o benefício, a fim de impedir sua entrada na comunidade. Ofereceram-no a mim por ser filho do lugar e por isso deveria ser preferido. Obtive a graça. No dia 2 de fevereiro de 1831,78 recebi, no mesmo dia, do bispo a tonsura e do vigário-geral a colação. No dia seguinte, fui a Sallent para tomar posse do referido benefício. A partir desse, dia vesti os hábitos talares e comecei a rezar o ofício divino.

 Visão de Maria e os santos

 95. Quando cursava o segundo ano de filosofia em Vic, aconteceu-me o seguinte: No inverno tive um resfriado ou constipação. Mandaram-me ficar de repouso. Obedeci. Num daqueles dias em que estava acamado, às dez e meia da manhã, sofri uma tentação terrível. Recorria a Maria santíssima. Invocava o anjo da guarda. Rogava aos santos de meu nome e de minha especial devoção. Esforçava-me por fixar a atenção em objetos diferentes, distrair-me e assim afastar e esquecer a tentação. Persignava-me na fronte a fim de que o Senhor me livrasse dos maus pensamentos. Porém, tudo em vão.

 96. Finalmente, virei-me para o outro lado da cama para ver se assim afastaria a tentação. Eis que se apresenta Maria Santíssima, formosa e graciosíssima. Seu vestido era carmesim; o manto azul e, entre seus braços, vi uma enorme grinalda de belíssimas rosas. Em Barcelona eu tinha visto rosas naturais e artificiais muito bonitas, mas não eram como estas. Oh! Como tudo aquilo era belo! Ao mesmo tempo em que estava na cama, como que pasmado, via a mim mesmo como um menino branco formosíssimo, ajoelhado e com as mãos juntas. Eu não perdia de vista a virgem santíssima, em quem tinha fixos meus olhos. Recordo-me muito bem de que tive este pensamento: É mulher e não provoca nenhum mau pensamento; pelo contrário, afastou de mim todos os outros. A santíssima virgem dirigiu-me a palavra e disse: Antônio, se venceres, esta coroa será tua. Eu estava tão preocupado que não conseguia dizer-lhe uma palavra sequer. E vi que a santíssima virgem punha em minha cabeça a coroa de rosas que tinha em sua mão direita (além da grinalda, também de rosas, entre seus braços e no lado direito). Naquela criança, via-me coroado de rosas. Nem depois disto disse palavra alguma.

 97. Vi também um grupo de santos que estavam à sua direita, em atitude de oração. Não os conheci. Só um me pareceu ser santo Estêvão. Acreditei então, e ainda agora me convenço disso, que aqueles santos eram meus protetores, que rogavam e intercediam por mim para que eu não caísse em tentação. 84 Depois, à minha esquerda, vi uma multidão de demônios, que se puseram em enfileirados, como soldados em retirada após ter travado uma batalha, e eu dizia a mim mesmo: Que multidão e como são temíveis! Diante de tudo isto, eu estava como que surpreendido, nem sabia mais o que me estava acontecendo. E logo que tudo isso passou, fiquei livre da tentação e com tamanha alegria, que não sabia o que se passara comigo.

 102. No dia 13 de junho de 1835, fui ordenado presbítero pelo bispo de Solsona, pois o de Vic estava enfermo e da mesma enfermidade veio a falecer no dia cinco de julho. 91 Antes da ordenação, fiz os quarenta dias de retiro espiritual. 92 Nunca tinha feito um retiro com tanto sofrimento e tentação. 93 Mas certamente em nenhuma outra vez obtive tantas e maiores graças como no dia 21 de junho, festa de são Luís Gonzaga, patrono da Congregação, 94 em que cantei minha primeira missa. Minha ordenação foi no dia de santo Antônio, meu patrono.

 107. O projeto pessoal de vida que seguia era o seguinte: 102 Todos os anos, fazia os santos exercícios espirituais de dez dias, prática que segui sempre, desde que entrei no seminário. Confessava-me de oito em oito dias. Jejuava às sextas e sábados. Três dias por semana impunha-me a disciplina, a saber: às segundas, quartas e sextas. E noutros três dias, que eram terças, quintas e sábados aplicava-me o cilício.

 108. Todos os dias, antes de sair do meu quarto, fazia oração mental em particular, pois me levantava muito cedo, e à noite rezava juntamente com minha irmã Maria, hoje terciária 103 e, com o empregado, homem já idoso. Nós éramos as três únicas pessoas da casa paroquial.Além da oração mental, rezávamos também o Rosário.

 110. Diariamente celebrava a missa bem cedo. Logo em seguida ia ao confessionário e daí não me levantava enquanto houvesse gente para confessar. Diariamente, ao entardecer, dava uma volta pelas ruas da cidade, principalmente pelas ruas onde houvesse enfermos, visitava-os, desde que recebiam o Viático até morrerem ou ficarem sãos. 105

 Saída da Espanha

 121. Para sair da paróquia, tive de enfrentar muitas e grandes dificuldades, tanto da parte do superior eclesiástico como da população; mas com a ajuda de Deus consegui deixá-la. Dirigi-me a Barcelona com a intenção de tirar passaporte para o estrangeiro e embarcar com destino a Roma. Mas em Barcelona não quiseram conceder-me o passaporte e tive que voltar. Fui a Olost, onde tinha um irmão, chamado José, fabricante. De lá, me dirigi a Tria de Perafita, onde se encontrava um padre de são Filipe Néri, chamado padre Matavera, homem de muita experiência, ciência e virtude. Consultei-o sobre a viagem: o objetivo e os preparativos para empreendê-la, e as grandes dificuldades por que havia passado. O bom padre escutou-me com muita paciência e caridade e me animou a continuar. Acolhi sua orientação como a um oráculo e, imediatamente empreendi viagem. 7 Com documento de identidade, dirigi-me a Castellar de Nuch, Tosas, Font del Picasó e Ausseja. Este último povoado já pertencente à França. 8

 Oferta de atos bons a Deus

 143. A preparação era feita assim: Quando se aproximava uma festa do Senhor, da santíssima virgem ou de um santo especial, cada um, com permissão do diretor espiritual, propunha-se à prática de algum a virtude, segundo a inclinação ou necessidade particular. Cada um fazia seus atos correspondentes e continuava assim, praticando e anotando tudo o que fazia e como fazia. Na véspera da festa, encerrava-se alista do que cada um havia feito, em forma de carta, e eram colocadas na caixa que havia na porta do quarto do reitor. 31 Recolhidas as listas, organizava-se uma relação em forma de ladainha, que era lida na capela, à noite, com a presença de todos.

 144. A lista era encabeçada pelas seguintes palavras: Virtudes que os padres e irmãos desta casa praticaram em homenagem a Maria santíssima e como preparação à festa da Imaculada Conceição. Houve quem, a cada dia, fizesse uma porção de atos de tal virtude dessa ou daquela maneira. E assim ia seguindo o relatório de todos. Quantas virtudes praticadas vi naquela casa santa! Era essa uma das práticas de que mais gostava. Como não aparecia o nome de quem praticava aquela virtude, não havia perigo de vaidade e todos aproveitavam ao saber como a havia praticado para fazer uma coisa parecida em outra ocasião.Quantas vezes dizia a mim mesmo: Como ficaria bem para ti tal virtude! Deves praticá-la. E assim o fazia, ajudado pela graça de Deus.

Resumo dos pontos principais da pregação

 Resumia assim os pontos principais, por três motivos: l) Porque assim, escutando novamente o mesmo assunto, embora resumidamente, fixava-se melhor o aprendido, pois, como diz santo Afonso de Ligório, os camponeses têm a cabeça de‘madeira dura’ e, para que guardem bem essas coisas, são necessários muitos golpes de repetição. 141 2) Porque, se não estavam presentes no dia anterior, por terem ficado em casa guardando as casas, filhos, etc., etc., escutavam-no e sabiam de que se havia falado e assim sabiam melhor a doutrina do dia anterior. Além disso, se os que tinham estado no sermão anterior tivessem contado mal em casa, assim podiam retificar, pois não poucos entendiam mal as coisas e as referiam ainda pior e, em coisas de doutrina, convém que seja entendida com exatidão. 3) Assim, pois, o resumo servia de introdução ao assunto do dia, tornando-se mais fácil para o pregador e de mais proveito para o auditório do que buscar uma idéia geral e própria para o exórdio.

 Desprendimento

 361. Não tinha dinheiro, tampouco dele necessitava. Não precisava para andar a cavalo, de condução ou trem, porque sempre andava a pé, embora tivesse de fazer viagens longas, como direi noutro lugar. Dele não necessitava para comer, pois pedia de esmola aonde chegava. Não necessitava de roupa, nem de calçado, pois nosso Senhor conservava aquelas que tinha, de modo admirável, como aos hebreus no deserto. 210 Sabia claramente que era vontade de Deus que eu não tivesse dinheiro, que nada aceitasse, a não ser a comida necessária nas horas habituais de refeição, sem jamais querer provisão para levar de uma parte a outra.

 Mansidão

 373. Não há virtude que atraia tanto as pessoas como a mansidão. Um tanque cheio de peixes dá-nos uma idéia desse poder. Se, por exemplo, jogarmos migalhas de pão no tanque, os peixes afluirão de todos os lados até se aproximarem da margem e chegarem perto de nossos pés. Se, porém, em vez de pão lhes atiramos uma pedra, todos eles fogem e se escondem. O mesmo acontece com os homens: se os tratarmos com mansidão, acorrem para ouvir a palavra de Deus e para se confessarem: se forem tratados com aspereza, perturbam-se, não ouvem a palavra de Deus, além de ficarem em suas casas murmurando contra o ministro do Senhor.

 378. Como freqüentemente o mau gênio e a ira ou falta de mansidão acobertam-se com a máscara do zelo, estudei muito detidamente em que consistiam uma e outra coisa, a fim de não passar pelo equívoco em algo tão importante… 379. Observei que o verdadeiro zelo nos transforma em pessoas ardentemente zelosas pela pureza das almas, que são esposas de Cristo, conforme os dizeres do apóstolo Paulo aos coríntios: Eu vos consagro um carinho e amor santo, porque vos desposei com um esposo único e vos apresentei a Cristo como virgem pura. 230 Por certo Elieser se teria enchido de zelo se tivesse visto a casta e bela Rebeca correndo risco de ser violada, ele que a levava para esposa do filho de seu Senhor

 Zeloso na confissão

 401. Observei que alguns fazem como as galinhas que cacarejam depois de ter botado o ovo e o acabam perdendo. Observei que acontece o mesmo a alguns sacerdotes imprudentes: logo após terem ouvido confissões, pregado um sermão, dado uma palestra, ou feito qualquer boa obra, vão à procura da vaidade, falando com satisfação do quê e como disseram. Como já não gosto disso, penso que também seria desagradável a outros se falasse dessas mesmas coisas. E assim havia feito o propósito de nunca falar dessas coisas.

 402. O que absolutamente não aceitava era que falassem de coisas ouvidas em confissão; em primeiro lugar, devido ao perigo de profanar o sigilo sacramental e, depois, pela má impressão que causa às pessoas que ouvem falar dessas coisas. Assim, tinha como propósito nunca falar de coisas nem de pessoas que se confessam, seja de pouco ou muito tempo, se fazem ou não confissão geral; em uma palavra, repugna-me ouvir sacerdotes falarem de pessoas que se confessavam, do que elas confessavam e desde quando não se confessavam. Quando alguém me consultava, não admitia que me dissesse: Encontro-me neste caso, que faço? Respondia sempre que propusessem o caso na terceira pessoa. Por exemplo: Suponhamos que um confessor se encontrasse em uma situação dessa ou daquela natureza, que resolução se deveria tomar?

 O amor

 Capítulo XXIX

Virtudes de Jesus que procurarei imitar. 268

 428. 1. Humildade, obediência, mansidão e caridade: estas virtudes brilham singularmente na cruz e no Santíssimo Sacramento do Altar. Ó meu Jesus, fazei que vos imite!

 429. 2. Roupa: Jesus, durante toda a sua vida, teve somente uma túnica, feita por sua mãe e um manto ou capa, 269 mesmo assim, na hora de sua morte despojaram-no, morrendo nu, descalço e sem chapéu nem gorro. 270

 430. 3. Alimentação: Pão e água durante os trinta anos de vida oculta.No deserto, após quarenta dias de rigoroso jejum, os anjos levaram-lhe pão e água, como a Elias. 271 Nos anos restantes da sua vida pública, comia o que lhe davam e se conformava. O alimento que tomava com os apóstolos era pão de cevada e peixe assado e, ainda assim, nem sempre, pois tinham que colher espigas em dia de sábado e ainda serem criticados. 272 Na cruz, no momento em que disse ter sede, não lhe deram senão fel e vinagre, aumentando ainda mais o seu tormento. 273

 431. 4. Morada: Não possuía. As aves têm seus ninhos, as raposas, suas tocas, Jesus, porém, não tem sequer uma pedra onde reclinar a cabeça. 274 Nasce num presépio; para morrer, uma cruz. Para viver, escolhe o desterro no Egito. Reside em Nazaré e em qualquer outra parte.

 432. 5. Viagens: Anda sempre a pé, com exceção daquela vez em que monta num jumento para entrar em Jerusalém, cumprindo as profecias. 275

 433. 6. Dinheiro: Não teve. Para pagar o imposto, manda Pedro tirar o necessário da boca de um peixe. 276 Se pessoas piedosas lhe dão alguma esmola, quem a guarda é Judas, o único apóstolo infiel.

 434. 7. Durante o dia, pregava e curava, à noite rezava. Et erat pernoctans in oratione Dei (e passou toda a noite orando a Deus). 277

 435. 8. Jesus era amigo das crianças, dos pobres, dos enfermos e dos pecadores.

 436. 9. Não buscava sua própria glória, mas a do Pai celeste. 278 Fazia tudo para cumprir a vontade do Pai e salvar a humanidade, suas queridas ovelhas, e, como bom pastor, deu a vida por elas. 279

 437. Ó meu Jesus! Dai-me vossa santíssima graça, a fim que vos imite fielmente na prática de todas as virtudes. Vós bem sabeis que convosco tudo posso e sem vós não consigo, absolutamente nada.

 Capítulo XXX

A virtude do amor a Deus e ao próximo 280

 438. A virtude mais necessária é o amor. Sim, digo-o e o repetirei mil vezes: a virtude mais necessária ao missionário apostólico é o amor. Deve amar a Deus, a Jesus Cristo, a Maria santíssima e ao próximo. Sem esse amor, suas mais belas qualidades são inúteis, mas, se acompanhadas de grande amor, tudo possui.

 439. Para o que prega a divina palavra, o amor é como o fogo em um fuzil. Se um homem atirar uma bala com a mão, pouco estrago faz, mas, se essa mesma bala for arremessada com o fogo da pólvora, mata. Assim é a palavra de Deus. Se for dita naturalmente, sem espírito sobrenatural, pouco bem faz, mas se for dita por um sacerdote cheio do fogo da caridade, do amor a Deus e ao próximo, extirpará vícios, destruirá pecados, converterá pecadores, operará prodígios. Vemos isto em são Pedro, ao sair do cenáculo, ardendo no fogo do amor, que havia recebido do Espírito Santo, e o resultado foi a conversão de oito mil pessoas em dois sermões: três mil no primeiro e cinco mil no segundo. 281

 440. O Espírito Santo, aparecendo sob a forma de línguas de fogo pousando sobre os apóstolos no dia de Pentecostes, dá-nos a entender claramente esta verdade: que o missionário apostólico precisa carregar chamas do fogo divino da caridade na língua e no coração. Certa vez, um jovem sacerdote perguntou ao venerável Ávila o que era preciso para se tornar um bom pregador, e ele respondeu muito oportunamente: Amar muito. 282 A experiência ensina, e a história da Igreja confirma, que os melhores e maiores pregadores foram os que mais fervorosamente souberam amar.

 441. Na verdade, o fogo da caridade num ministro do Senhor produz o mesmo efeito que o fogo numa locomotiva de trem, e a máquina em um navio a vapor: arrasta-os com a maior facilidade. 283 Para que serviria toda aquela máquina se não tivesse o fogo e o vapor? Para nada serviria. De que valeria um sacerdote ter feito uma carreira brilhante, ter-se formado em teologia e em direito, se não tem o fogo da caridade? De nada. Para ninguém serviria porque seria uma máquina de trem sem fogo, antes, pelo contrário, talvez pudesse até estorvar. Não serviria nem para ele pessoalmente, como diz são Paulo: Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. 284

 442. Estou muito convencido da utilidade e necessidade do amor para ser um bom missionário: empenhei-me em buscar este tesouro escondido, ainda que fosse preciso vender tudo para comprá-lo. Depois de muito pensar, cheguei à conclusão de que os meios mais adequados para consegui-lo eram os seguintes: 1º Guardando bem os mandamentos da lei de Deus; 2º Praticando os conselhos evangélicos; 3º Correspondendo com fidelidade às inspirações internas; 4º Fazendo bem a meditação. 285

 Resumo cronológico da vida

de Santo Antônio Maria Claret

 A seguinte síntese cronológica oferece uma visão de conjunto da vida e obra de santo Antônio Maria Claret. Com ela será mais fácil enquadrar os fatos autobiográficos, que depois irão adquirindo relevância e significado.

 1807

23 de dezembro:

Nasce em Sallent, província de Barcelona e diocese de Vic. É o quinto dos onze filhos de João Claret e Josefa Clara, família de tecelões profundamente religiosa.

25 de dezembro:

Recebe o batismo e os nomes de Antônio, Adjutório e João.

 1812-1813

Embora criança, preocupa-se com a eternidade infeliz dos pecadores.

 1813-1814

Começa a freqüentar a escola de sua terra natal.

 12 de dezembro:

É crismado em Sallent por d. Félix Torres Amat.

 1817

Recebe a primeira comunhão. Intenso amor pela Eucaristia. Terna devoção a Nossa Senhora. Faz freqüentes visitas ao santuário da Nossa Senhora de Fusimanha com sua irmã, Rosa.

 1819

Primeiros indícios de vocação sacerdotal. Seu pai o coloca como aprendiz na fábrica de tecidos da família.

 1825

Muda-se para Barcelona para aperfeiçoar-se na arte têxtil. Consegue fama de tecelão a tal ponto que lhe oferecem a direção de uma indústria, mas ele não aceita.

 1827

Livra-se de uma tentação, invocando Nossa Senhora. Um falso amigo lhe rouba grande quantia de dinheiro.

 1828

Nossa Senhora salva-o de um afogamento na praia perto da Barcelona. Um dia, durante a missa, ouve as palavras do Senhor: “para que serve ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua alma?”.Estas palavras mudam o rumo da sua vida.

 1829

29 de setembro:

Pensa em entrar na Cartuxa, mas segue o conselho do seu pai, inicia os preparativos ao sacerdócio no Seminário de Vic, embora vivendo na casa de padre Fortián Brés.

 1830

Decide ingressar na cartuxa de Montealegre, mas logo desiste, ao ser comprovado seu delicado estado de saúde.

 1831

Sofre uma forte tentação contra a castidade. Vence-a, invocando Nossa Senhora, que lhe aparece e põe em sua cabeça uma coroa de rosas.

 1832

2 de fevereiro:

Recebe a tonsura das mãos de d. Paulo de Jesus Corcuera, bispo de Vic e um benefício em Santa Maria de Sallent.

 1833

21 de dezembro:

Recebe as Ordens menores na Igreja de São Felipe Neri.

 1834

24 de maio:

Ordenação de subdiácono na mesma celebração em que Jaime Balmes recebe o diaconato.

 20 de dezembro:

Ordenação de diácono na Igreja da Apresentação

 1835

13 de junho:

É ordenado sacerdote em Solsona por d. Frei João José de Tejada.

 21 de junho:

Celebra a primeira missa em Sallent, sua terra natal.

 1836-1839

Auxiliar e vigário paroquial na Paróquia de Santa Maria de Sallent.

 1839

Setembro:

Empreende viagem a Roma para oferecer-se à Propaganda Fide, com o desejo de que o enviem às missões.

Novembro:

Ingressa no noviciado dos jesuítas.

 1840

29 de fevereiro:

Sai do noviciado por enfermidade e regressa à Espanha.

 13 de maio:

É nomeado regente da paróquia de Viladrau.

 15 de agosto:

Pede exoneração do cargo para dedicar-se às missões populares.

 1841

23 de janeiro:

Muda-se para Vic para dedicar-se exclusivamente às missões.

 9 de julho:

Recebe de Roma o titulo de “Missionário Apostólico”

 1842

As circunstâncias políticas impedem-lhe de pregar as missões populares.

Junho:

É nomeado vigário de São João de Oló.

 1843

Publica o Caminho Reto, o livro de piedade mais lido na Espanha no século XIX.

1º de março:

Começa uma intensa atividade missionária por toda a Catalunha.

 1844

Maio:

Célebre missão em Santa Maria do Mar, em Barcelona.

 Agosto:

Missões em Montanha, Vallés e La Marina.

1845

5 de março:

Funda em Mataró a Sociedade Espiritual de Maria Santíssima contra a Blasfêmia.

 Setembro:

Missões nas dioceses de Solsona, Gerona e Tarragona.

 Dezembro:

Começa a funcionar a Pia e Apostólica União de orações e obras boas… sob a proteção do Coração de Maria.

 1846

Fevereiro:

Em Tarragona conhece o padre José Caixal, grande colaborador da Livraria Religiosa de Barcelona.

 Maio:

Famosa missão em Lérida.

 1847

3 de fevereiro:

Funda a Livraria Religiosa com os padres José Caixal e Antônio Palau.

 1º de agosto:

Funda em Vic a Arquiconfraria do Coração de Maria com 10.000 associados.

 Outubro:

Escreve os Estatutos da Irmandade do Santíssimo e Imaculado Coração de Maria e amantes da humanidade obra apostólica composta por sacerdotes e leigos, homens e mulheres.

 1848

6 de março:

Embarca em Cádiz para as Canárias com o bispo d. Boaventura Codina para missionar naquelas ilhas. A palavra do missionário regenerou totalmente a fé cristã naquelas terras.

 1849

Continua suas missões extraordinárias nas Canárias.

Maio: Regressa a Catalunha.

 16 de julho:

Funda a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria (Missionários Claretianos) com os padres Estêvão Sala, Manuel Vilaró, José Xifré, Domingos Fábregas e Jaime Clotet. No retiro inicial, Claret diz profeticamente: “Hoje se começa uma grande obra”.

 Agosto:

Funda em Vic a Irmandade da Doutrina Cristã, para ensinar o catecismo nas fábricas, nas ruas e oficinas.

 11 de agosto:

Recebe a nomeação de arcebispo de Santiago de Cuba. Pensa ser o episcopado um obstáculo ao seu ideal missionário.

 4 de outubro:

Depois de muita consulta, oração, convencido de ser a vontade de Deus, aceita a nomeação.

 Publica o Catecismo da Doutrina Cristã e uma coleção de opúsculos.

 1850

Dedica-se intensamente à pregação missionária.

 6 de outubro:

Recebe a consagração episcopal em Vic. Acrescenta ao seu nome o de “Maria”.

 20 de outubro:

Recebe o sacro pálio de arcebispo em Madri.

 28 de dezembro: Embarca, com um grupo de missionários, rumo à ilha de Cuba.

 1851

16 de fevereiro:

Desembarca em Santiago de Cuba.

 18 de fevereiro:

Toma posse na Catedral da Arquidiocese.

 2 de abril:

Inicia a primeira visita pastoral.

Junho:

Funda a Irmandade da Instrução da Doutrina Cristã

 1852-1853

Dedica-se à reforma do clero, criação de paróquias, missões, propaganda.

 1854

15 de fevereiro:

Funda as Caixas de Poupança nas paróquias.

 1855

5 de janeiro:

Inicia uma obra social de grande alcance “Casa de Caridade ou Granja Agrícola de Porto Príncipe” (hoje Camagüey). Escreve As delícias do campo.

 12 de julho:

Termina de escrever a carta pastoral sobre a Imaculada.

 25 de agosto:

Decreto de fundação das Religiosas de Maria Imaculada – Missionárias Claretianas, das quais é fundador junto com a Madre Antônia Paris de São Pedro.

 1856

1º de fevereiro:

Sofre um atentado em Holguín, sendo ferido no rosto e num braço.

 1857

18 de março:

Recebe a Real Ordem de Isabel II para que regresse a Madri.

 12 de abril:

Embarca de regresso à Espanha.

 2 de junho:

É nomeado confessor da rainha.

 Setembro-dezembro:

Exercícios ao clero, a homens e mulheres e missão em Madri

 1858

Fevereiro:

Preside as reuniões das Conferências de São Vicente. Prega missões nos bairros, cárceres, hospitais às crianças de primeira comunhão.

 Maio – junho:

Viagem com a rainha por Levante.

 Julho:

Viagem por Castela, Leão, Astúrias e Galícia.

 1º de novembro:

Funda a Academia de São Miguel, para escritores, artistas e propagandistas e pessoas influentes na sociedade.

 1859

28 de março:

É nomeado protetor do hospital madrileno de Montserrat.

 Maio:

Viagem pela Catalunha e Valência.

 28 de maio:

Preside o primeiro capítulo geral da Congregação dos Missionários, fundada por ele em 1849.

 9 de julho:

Consegue a aprovação civil da sua Congregação de Missionários.

 5 de agosto:

É nomeado oficialmente presidente do Escorial.

 1860

7 de junho:

O Senhor aprova sua obra: O Colegial ou Seminarista Instruído foi livro de formação sacerdotal clássico em todos os seminários da Espanha durante muitos anos.

 13 de julho:

Preconizado arcebispo de Trajanópolis.

 Setembro-outubro:

Viagem com os reis pelas ilhas Baleares, Catalunha e Aragão.

 21 de novembro:

Decreto de louvor da Congregação de Missionários dado pela Sé Apostólica.

 1861

Janeiro-março:

Exercícios e missões em Madri.

 Julho – agosto:

Viagem por Castela.

 26 de agosto:

Na Igreja do Rosário, da Granja, recebe “a grande graça” da conservação das espécies sacramentais.

 Outubro:

Começa a escrever sua Autobiografia

 1862

Maio:

Termina a redação da Autobiografia.

 7-14 de julho:

Preside o segundo capítulo geral da Congregação de Missionários, em Gracia (Barcelona).

 Setembro-outubro:

Importante viagem por Andaluzia e Múrcia

 1863

Funda a Associação das Mães Católicas.

 1864

Julho:

Preside o terceiro capítulo geral da Congregação, em Gracia (Barcelona).

 8 de dezembro: Funda as bibliotecas populares e paroquiais.

 1865

Janeiro-fevereiro:

Compila as Constituições da Congregação de Missionários.

 15 de julho:

Isabel II reconhece o chamado “Reino da Itália”.

 20 de julho:

Sai para a Catalunha, onde prega Exercícios aos missionários.

 4 de novembro:

Chega a Roma e no dia 7 é recebido pelo Papa Pio IX.

 23 de novembro:

Nova audiência com o Papa.

 22 de dezembro:

Regressa a Madri e reassume sua missão de confessor da rainha.

 1866

27 de janeiro:

Comunicação oficial da aprovação temporal da Congregação pela Santa Sé, outorgada no dia 22 de dezembro de 1865.

 Agosto-setembro:

Viagem aos Países Bascos.

 Dezembro:

Viagem a Portugal. Recebe a condecoração de cavalheiro da Gran Cruz da Ordem Militar de Nossa Senhora de Villaviciosa.

 1867

Maio:

Viagem relâmpago à Extremadura, perto de Portugal.

 Junho: Prega um tríduo em Burgos.

 Outubro: Prega Exercícios no Escorial.

 1868

22 de junho:

Isabel II aceita sua renúncia à presidência do Escorial.

 Agosto-setembro:

Viagem a San Sebastián.

 30 de setembro:

Juntamente com a rainha, é desterrado pela revolução.

 Setembro

A revolução sacrifica o primeiro mártir claretiano, padre Francisco Crusats, em La Selva del Camp.

 Outubro:

Reside em Pau (França).

 6 de novembro:  

Chega a Paris. Mora no colégio das Irmãs de São José.

 1869

Março:

Exercícios espirituais para emigrantes espanhóis na Igreja de São Nicolau, de Paris. Funda as Conferências da Sagrada Família.

 2 de abril:

Chega a Roma. Hospeda-se no convento mercedário de Santo Adriano.

 24 de abril:

Audiência com Pio IX.

 8 de dezembro:

Assiste à abertura do Concílio Vaticano I.

Publica a vida de São Pedro Nolasco, com o título O egoísmo vencido.

 1870

Ocupado nos trabalhos conciliares.

 31 de maio:

Pronuncia um discurso no concílio.

 23 de julho:

Traslada-se a Prades (França) com os seus missionários.

 6 de agosto:

Ao ser perseguido, refugia-se no mosteiro cisterciense de Frontfroide, perto de Narbona (França).

 5 de outubro:

Primeiro ataque de embolia cerebral. Vai piorando progressivamente.

 24 de outubro:

Morre na paz do Senhor, rodeado por alguns missionários e pelos monges cistercienses.

 27 de outubro:

Seus funerais são celebrados com muita simplicidade. Seu corpo é depositado em um túmulo do cemitério do mosteiro, pois as autoridades civis tinham negado a licença para enterrá-lo na igreja. Numa simples lápide são esculpidas as palavras de Gregório VII: “Amei a justiça e odiei a iniqüidade, por isso morro no desterro”.

 1887

Abre-se o processo de sua beatificação em Vic.

 1897

Seus restos mortais são trasladados à Igreja das Mercês, em Vic.

 1926

Pio XI proclama a heroicidade de suas virtudes.

 1934

25 de fevereiro: Beatificação.

 1950

7 de maio: Canonização.

 TEXTOS CARISMÁTICOS AUTOBIOGRAFIA

DE SANTO ANTÔNIO MARIA CLARET

 Aut 489:

      “Falei com alguns sacerdotes, a quem Deus havia dado o mesmo espírito com o qual eu já me sentia animado. Estes eram: Estêvão Sala, José Xifré, Domingos Fábregas, Manuel Vilaró, Jaime Clotet, Antônio Claret, eu, o menor de todos; e, na verdade, todos são mais instruídos e virtuosos que eu e me tinha por muito feliz e ditoso ao considerar-me criado de todos eles”.

Aut 490:

      “No dia 16 de julho de 1849, reunidos no seminário, com a aprovação do bispo e do reitor, iniciamos, nós sozinhos, o retiro espiritual, com todo rigor e fervor. Como justamente nesse dia se comemora a festa da Santa Cruz e de Nossa Senhora do Carmo, tomei como tema da primeira prática as palavras do Salmo 22,4: Virga tua et baculus tuus ipsa me consolata sunt: Tua vara e teu cajado me consolarão, frisando a devoção e a confiança que devemos ter na Santa Cruz e em Maria Santíssima, além de aplicar o salmo a nosso objetivo. Saímos desse retiro muito fervorosos, resolvidos e determinados a perseverar. Graças a Deus e a Maria santíssima todos perseveraram muito bem. Dois morreram e se acham neste momento gozando na glória celeste e do prêmio de seus trabalhos apostólicos e intercedendo por seus irmãos”.

 Aut. 491:

      “Assim iniciamos e assim continuamos vivendo uma vida perfeitamente comum, todos entregues aos trabalhos do sagrado ministério”.

 Aut 494:

      “Digo a mim mesmo: Um filho do Imaculado Coração de Maria é um homem que arde em caridade e abrasa por onde passa; que deseja eficazmente e procura por todos os meios inflamar o mundo no fogo do divino amor. Nada o detém. Alegra-se nas privações. Enfrenta os trabalhos. Abraça os sacrifícios. Compraz-se nas calúnias e se alegra nos tormentos. Seu único pensamento é seguir e imitar a Jesus Cristo, no trabalho, no sofrimento, procurando sempre e unicamente a maior glória de Deus e a salvação das almas”.

 Aut 609:

      “Às vezes eu ficava imaginando como era possível que reinasse tanta paz, tanta alegria, tão bela harmonia entre tantas pessoas e por tanto tempo. Eu não podia dar outra explicação senão dizer: Digitus Dei est hic: o dedo de Deus está aqui. Esta é uma graça singular que Deus nos dispensa por sua infinita bondade e misericórdia. Reconhecia que o Senhor abençoava os meios que de nossa parte colocávamos para obter esta graça especialíssima”.

 Aut 686:

      “No dia 24 de setembro, dia de nossa Senhora das Mercês, às onze e meia da manhã, o Senhor fez com que eu entendesse o texto do Apocalipse: Vi também outro anjo forte descer do céu, revestido de uma nuvem e sobre sua cabeça o arco-íris; seu rosto brilhava como o sol, seus pés eram como colunas de fogo. Ele trazia em sua mão um livro aberto, e pôs seu pé direito sobre o mar e o esquerdo sobre a terra (primeiro em sua diocese de Cuba e depois nas demais dioceses). Soltou um grande grito como o leão quando ruge. E, depois de gritar, sete trovões articularam suas vozes. Aqui vêm os filhos da Congregação do Imaculado Coração de Maria. Diz sete, mas o número é indefinido, quer dizer todos. Chama-os trovões porque, como trovões, gritarão e farão ouvir suas vozes; também por seu amor e zelo, como São Tiago e São João, que foram chamados filhos do trovão. E o Senhor quer que eu e meus companheiros imitemos os apóstolos Tiago e João no zelo, na castidade e no amor a Jesus e a Maria”.

 Aut 687:

      “O Senhor disse a mim e a todos esses missionários, meus companheiros: Non vos estis qui loquimini, sed Spiritus Patris vestri, et Matris vestrae qui loquitur in vobis: Não sois vós quem falareis, mas o Espírito de vosso Pai (e de vossa Mãe), que fala por vós. De tal modo que cada um de nós poderá dizer: Spiritus Domini super me, propter quod unxit me, evangelizare pauperibus misit me, sanare contritos corde: O Espírito do Senhor repousa sobre mim, pois me consagrou com sua unção divina e me enviou a evangelizar ou proclamar a boa nova aos pobres, a curar os que têm coração contrito”.

 Carta do Padre Fundador ao Núncio Apostólico (Vic, 12 de agosto de 1849)

       “Vendo a grande falta que há de pregadores evangélicos e apostólicos em nosso território espanhol, o grande desejo que o povo tem de ouvir a divina palavra e as muitas insistências que de todas as partes da Espanha fazem para que eu vá às suas cidades e povoados a pregar o Evangelho, determinei reunir e preparar uns quantos companheiros zelosos e assim poder fazer com outros o que sozinho não posso”.

 Carta do Padre Fundador a D. José Caixal

      “Os Missionários continuam muito bem e não se pode caminhar mais depressa: estamos ocupadíssimos das quatro da manhã às dez da noite, estamos de tal maneira ocupados que, como numa corrente, uma ocupação está encadeada a outra. Nossas ocupações são oração mental, vocal, ofício divino, conferências, catecismo, pregação, confissões, palestras de moral, mística e ascética. Há conferências internas e externas: nas internas, somos os privilegiados, somos sete, e nos exercitamos em todas as virtudes, especialmente na humildade e na caridade, e vivemos em comunidade neste colégio, vida verdadeiramente pobre e apostólica. Nas conferências externas assistem 56 clérigos e alguns deles sairão muito bons pregadores. Alguns pediram viver conosco, mas nós vamos com muito tino e vamos examinando suas condições físicas e morais, pois nestas matérias é preciso ir com muito cuidado, porque uma ovelha com sarna pode infectar as demais”.

 Carta do Padre Fundador ao Pe. José Xifré (Madri, 7 de maio de 1858)

       “É verdade que nossa Congregação é pequenina; mas não importa. É melhor sermos poucos, bem unidos e fervorosos, que muitos e divididos. Com o tempo crescerá”.

 Carta do Padre Fundador ao Pe. José Xifré (Madri, 30 de novembro de 1858)

      “Roguemos ao Pai celeste a fim de que envie operários, porque, na verdade, os operários são poucos e a messe é muito grande na Espanha e fora dela (…) Bem se recordará o que diz o nosso Divino Mestre aos apóstolos e a nós (…) procuremos primeiramente o Reino de Deus e sua justiça e o resto nos virá por acréscimo (…) Não repare em admitir pessoas que considere idôneas por seu saber e virtude e dêem esperança de utilidade, embora sejam jovens e não tenham ainda recebido todas as ordens. Além disso, gostaria que em nenhuma casa o número de membros não passasse de doze sacerdotes, entre jovens e velhos, em homenagem aos apóstolos. Deve fazer como o apicultor: formar novas colméias, até que haja uma em cada diocese e haja pessoas até para enviar ao estrangeiro.

 Carta do Padre Fundador ao Pe. José Xifré (Real Sítio de Santo Ildefonso, 13 de julho de 1859)

       “Muito o inimigo teme estas santas constituições e por isso as perseguiu tanto. Sejamos fiéis em guardá-las e Deus nos tirará sempre das dificuldades para o bem do todo”

 Carta do Padre Fundador ao Pe. Jaime Clotet (Madri, 1º de julho de 1861)

       “Diga-lhes (aos missionários) que leiam com freqüência as Regras ou Constituições da Congregação e que as observem com fidelidade. Vejo na história que todas as religiões (instituições) logo se estendiam não só pelo reino em que eram fundadas, mas também por diferentes partes do mundo; por que os nossos não se estenderão, pelo menos, por este reino?”.

 Carta do Padre Fundador ao Pe. José Xifré (Roma, 20 de agosto de 1861)

      “Vejo o que me diz sobre o modo de expandir nossa Congregação, e me parece que está bem e quanto mais para o interior da Espanha, melhor, por ser maior a necessidade (…). No entanto, diga aos meus queridíssimos irmãos, os Missionários, que se animem e que trabalhem quanto puderem, Deus e a Santíssima Virgem Maria lhes pagarão. Eu tenho tanto carinho para com os Sacerdotes que se dedicam às Missões que lhes daria meu sangue e minha vida, eu lhes lavaria e beijaria mil vezes os pés, eu lhes arrumaria a cama, lhes prepararia a comida e ficaria sem comer, para que eles comessem, quero tanto bem a eles quando penso que eles trabalham para que Deus seja mais conhecido e amado; e para que as almas se salvem e não se condenem, eu não sei o que sinto (…) agora mesmo que estou escrevendo tive que deixar a pena para acudir meus olhos (…) Ó Filhos do Imaculado Coração da minha queridíssima Mãe! (…) quero escrever-vos e não posso por ter os olhos rasos de lágrimas. Pregai e rogai por mim.

Adeus, querido irmão, aqui vai este papelzinho que gostaria que cada um dos Missionários copiasse e levasse consigo”.

 Carta do Padre Fundador ao Pe. José Xifré (Roma, 16 de julho de 1869)

      “Hoje faz vinte anos que Jesus e Maria deram início à Congregação e continua até aqui, não obstante esta perseguição que estamos sofrendo, que o Senhor permitiu, não para extingui-la, mas para aumentá-la e expandi-la. Como lhe dizia no ano passado, no princípio da revolução, esta seria para a Congregação como a neve que cai sobre um campo semeado: que não mata o trigo, mas o obriga a refazer-se. Assim será também a revolução: não matará a Congregação, mas lhe dará nova vida e lançará profundas raízes. Os seus membros serão mais perfeitos e darão mais fruto. Como? Vejamos (…) todos observarão as Regras e Constituições do modo mais perfeito possível. Haec est voluntas Dei, sanctificatio vestra. Terão sempre à vista o número 63 (c. 16) das mesmas e se refletirá sobre as palavras: Catechizare parvulos, pauperes et ignaros (…).

      Como Superior Geral, quando as circunstâncias o permitirem, e considerar oportuno, poderá nomear um ou dois que tenham boa letra, etc., para levar escolas para crianças, para fazer o que fazem os Irmãos das Escolas Cristãs, que são tantos na França, na Itália, etc., e que tanto bem fazem. Eu creio que atualmente são os que fazem mais bem para a Igreja e de quem mais se deve esperar. Esta missão especial Deus e a Virgem Santíssima têm reservado à Congregação na Espanha (…). Não quero dizer com isto que todos devem ocupar-se com estas escolas. Somente quero dizer que comecem uns poucos e muito poucos, que o senhor terá cuidado de nomear, segundo seu zelo, ou que o pedirem. Estas escolas irão crescendo segundo a fidelidade com que correspondam às graças. Deus e a Santíssima Virgem Maria trarão pessoas idôneas, de maneira que, sem perder de vista seu objetivo primário, se dediquem a este outro ramo: Haec oportet facere, et illa non ommittere”.

 Carta do Padre Fundador ao Pe. José Xifré (Roma, 16 de novembro de 1869)

      “O que sim lhe digo é que na América há um campo muito grande e muito fecundo e que com o tempo sairão mais almas para o céu da América que da Europa. Esta parte do mundo é como uma vinha velha, que não dá muito fruto e a América é vinha jovem”.

 Relato do Pe. Jaime Clotet

      “Seis bons sacerdotes, no pequeno quarto de um seminarista, sem outros móveis que uma pobre mesa, uma imagem e dois bancos de madeira, em lugar cedido, como os demais recursos com que contam, estão seriamente conferenciando sobre o modo de levar a efeito um dos maiores empreendimentos que podem ser concebidos para a glória de Deus e salvação das almas. Para os prudentes do mundo, isto não podia significar outra coisa senão a manifestação de alguns bons desejos. Na verdade, aqueles princípios eram tão humildes que nem todos os que estavam presentes compreenderam os prodigiosos resultados que aquela reunião haveria de dar.

      (…) Às três da tarde nos encontrávamos reunidos em dito local do seminário. Antes de começar os exercícios espirituais de abertura, disse o então Padre Antônio Claret: “Hoje se começa uma grande obra”. Respondeu o Pe. Manuel Vilaró, com ar festivo e sorrindo: “Que podemos fazer, sendo nós tão jovens e tão poucos?” “Verão os senhores, -respondeu o Servo de Deus- se somos jovens e poucos resplandecerá mais o poder e a misericórdia de Deus”.

      Verdadeiramente, aqueles inícios eram tão humildes, que nem todos os que estavam presentes compreenderam os prodigiosos resultados que aquela reunião haveria de dar, pois como disse o Fundador: “Hoje se começa uma grande obra” um deles sorriu, expressando assim o temor que lhe inspirava a consideração das difíceis circunstâncias em que se encontrava. Tendo percebido o Padre, voltando-se a ele, lhe disse com espírito de profecia: “Você não acredita, mas você verá”. E efetivamente o viu.

      A Congregação começou a funcionar invocando todos com fervor o Espírito Santo e colocando-se sob a proteção de Jesus e de Maria. Esta idéia feliz lhes foi sugerida pelo Fundador, ao usar como texto da bela prática, que começou a dirigir-lhes, as históricas palavras: “Virga tua et baculus tuus ipsa me consolata sunt, que acomodou às festividades de Nossa Senhora do Carmo e do triunfo da Santa Cruz, solenizadas naquele dia e aplicou à Congregação nascente, cujo espírito e orientações ele começou a esboçar naquela tarde.

 Relato do Pe. José Xifré

      “Os fundadores começaram com uns formais exercícios espirituais de dez dias, em absoluto silêncio, fervor e recolhimento. Durante estes dias todos os atos foram dirigidos pelo mesmo Fundador, pregando duas vezes por dia e fazendo todos os atos de humildade e mortificação muito edificantes. Nestes dias se falou e se propôs sobre a conduta de vida apostólica, que privada e publicamente deviam ter os Missionários. Nos mesmos exercícios propôs os meios práticos de vida espiritual e científica que no futuro deveriam empregar os Missionários, em casa, ou fora de casa, por causa das pregações”.

 Relato do Pe. Jaime Clotet

      “Todos apareciam pobres, desprendidos do mundo, simples e obedientes; e nas três conferências que se faziam durante o tempo que estavam em casa, escutavam as instruções que lhes eram administradas com a docilidade de uns verdadeiros meninos, pendentes dos lábios do professor. Suas delícias eram servir-se uns aos outros na mesa e ainda nos serviços humildes de casa. Não tinham empregados, nem Irmãos coadjutores, suprindo esta falta eles mesmos com santa dedicação, sobretudo na enfermidade que sobreveio a um deles, pouco tempo depois (…) Eram visíveis e admiráveis os efeitos do amor que lhes tinha Jesus e a proteção que lhes dispensava a Santíssima Mãe”.

      Algum tempo depois, preparados com a prática do ministério e exercitados convenientemente na virtude saíam nossos Padres a pregar missões e exercícios espirituais, tão abrasados em zelo, que era indizível o fruto que seus trabalhos por todas as partes produziam. Falando disto, alguns anos depois, o Revmo. Padre Domingos Costa, da Ordem dos Pregadores e missionário na Califórnia, disse a quem lhes escreve: “Parecia que aqueles Padres saíam do Cenáculo; eu o vi: era uma imagem de Pentecostes”.

 Relato do Pe. Jaime Clotet

      “A imitação do nosso amado Padre Fundador, íamos para as missões a pé, embora os povoados para onde nos enviavam estivessem a longas horas de distância. Não recebíamos dinheiro, nem coisa equivalente, por nossos trabalhos apostólicos; em alguns povoados, não estando hospedados na casa do Pároco, mas em outra casa que ele nos indicava, para que estivéssemos mais livres e pudéssemos seguir nosso regulamento, como em casa, vivíamos de esmola, isto é, dos alimentos frugais que, em espécie, o povo espontaneamente nos trazia. Concluída a missão, se distribuía o que sobrava para os pobres”.

 Carta do Padre José Xifré ao Padre Pablo Vallier (5 de outubro de 1870)

      “Neste Continente, (América) a necessidade é extrema.

      Não pensem os senhores que deverão fazer tudo, nem que a Congregação tenha que suprir todas as necessidades. É necessário fazer o que boamente for possível e não se preocupem com o resto.

      Aproveito a ocasião para dizer que o desejo de fazer o bem deve ser moderado e nunca se deixem levar por medidas contrárias à caridade bem entendida, que deve começar por si mesmos. Conseqüentemente: não devem e nem podem empreender trabalhos superiores às suas forças, nem trabalhar mais horas das que as próprias forças puderem suportar, sejam quais forem as necessidades. Nunca deixem o ofício divino nem a meditação que está prescrita, seja qual for o costume, a autorização ou a necessidade. Estas duas coisas são o alimento da alma, do que nunca se deve nem se pode prescindir em nossa Congregação.

      Quando o Fundador foi a Canárias e mais tarde a Cuba encontrou tantas e talvez muito mais necessidades espirituais que o senhor aí e, no entanto, nunca deixou as duas referidas coisas. Assim mo disse há poucos dias, encarregando-me de escrever ao senhor. Ele, apesar de tudo, ajeitava suas horas para as necessidades do corpo e da alma e destinava as restantes para os demais. Façam assim os senhores e não outra coisa, por mais que fique gente para confessar; e nem serve como justificativa o argumento sobre a conduta de outros Institutos, visto que o relaxamento monástico é geral nisto, coisa que lamentam o Papa e todas as pessoas piedosas. E, sobretudo, é neste país muito mais perigoso o relaxamento. Portanto, evitemo-lo com muito cuidado, sem esquecer nunca o espírito e as Constituições da Congregação, que devemos observar sempre com fidelidade em todos os lugares e países do mundo. Não se preocupem os senhores por nada nem por ninguém: acudam a Deus, tenham confiança n’Ele e sairão de todos os apuros…”

 Carta dos Mártires de Barbastro à Congregação

      “Querida Congregação: antes de ontem, dia 11, morreram com a generosidade com que morrem os mártires, 6 dos nossos irmãos; hoje, dia 13, alcançaram a palma da vitória 20; e amanhã, dia 14, esperamos morrer os 21 restantes. Glória a Deus! Glória a Deus! Quão nobre e heroicamente estão se comportando teus filhos, Congregação querida! Passamos o dia animando-nos para o martírio e rezando por nossos inimigos e pelo querido Instituto. Quando chega o momento de designar as vítimas, há em todos santa serenidade e desejo de ouvir o nome para adiantar e colocar-se nas filas dos escolhidos; esperamos o momento com generosa impaciência, e quando chegou, vimos uns beijarem as cordas com que são atados e outros dirigirem palavras de perdão à turba armada; quando vão no caminhão para o cemitério, os ouvimos gritarem: Viva Cristo Rei! Responde o povo, com raiva: morra! morra!, mas nada os intimida. São teus filhos, Congregação querida, estes que entre pistolas e fuzis se atrevem a gritar serenos quando vão para o cemitério: Viva Cristo Rei! Amanhã iremos nós, os restantes, e já temos os refrões para aclamar, embora soem os disparos, ao Coração de nossa Mãe, a Cristo Rei, à Igreja Católica e a ti, mãe comum de todos nós. Dizem-me os companheiros que eu inicie os Vivas! E que eles responderão. Eu gritarei com toda a força dos meus pulmões e em nossos clamores entusiastas, adivinha, Congregação querida, o amor que temos por ti, pois te levamos em nossas recordações até estas regiões de dor e morte.

      Morremos todos contentes sem que ninguém sinta desmaios nem pesares; morremos todos rogando a Deus que o sangue que cair de nossas feridas não seja sangue de vingança, mas sangue, que entrando vermelho e vivo por tuas veias, estimule teu desenvolvimento e expansão por todo o mundo. Adeus! Querida Congregação! Teus filhos, mártires de Barbastro, te saúdam desde a prisão e te oferecem suas dolorosas angústias em holocausto expiatório por nossas deficiências e em testemunho do nosso amor fiel, generoso e perpétuo. Os mártires de amanhã, dia 14, recordam que morrem em vésperas da Assunção; e que bela recordação! Morremos por levar a batina e morremos precisamente no mesmo dia em que no-la impuseram.

      Os mártires de Barbastro e em nome de todos, o último e mais indigno, Faustino Pérez CMF.

      Viva Cristo Rei! Viva o Coração de Maria! Viva a Congregação! Adeus, querido Instituto. Vamos ao céu rogar por ti. Adeus! Adeus!”

   Livro: Santo Antônio Claret – por ele mesmo. Traços biográficos preparados por Elias Leite, cmf. Editora Ave-Maria. 200 anos de Sto. Antônio Maria Claret.

 Animais que me aproximam do bem(p.160-164)

 O Espírito Santo me diz: “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso observa seu proceder e dela aprende a sabedoria. Desejo aprender não só da formiga, mas também  do galo, do burro e do cão.

 O galo

 “Quem deu a inteligência ao galo?(Jó 38, 36).

E nesse instante um galo cantou(Mt 26, 74)

  1. O galo acorda-me e eu, como Pedro, devo lembrar dos pecados para os chorar.
  2. Assim como o galo canta de dia e de noite, assim tenho de louvar a Deus a cada hora e levar os outros a fazer o mesmo.
  3. O galo vigia o galinheiro dia e noite. Eu devo cuidar noite e dia das almas que o Senhor me confiou.
  4. O galo, ao perceber o menor ruído de perigo dá alarme. Eu devo fazer o mesmo. Exortar as pessoas ao menor perigo de pecar.
  5. O galo defende seu terreiro quando o gavião ou outro animal ou ave de rapina vem para atacar. Devo defender as almas que o senhor me confiou, contra os gaviões dos vícios, erros e pecados.
  6. O galo é muito generoso, se encontra comida, chama as galinhas. Devo abster-me das comodidades e ser generoso e caritativo, principalmente com os mais necessitados.
  7. O galo, antes de cantar, agita as asas. Eu, antes de pregar, devo agitar as asas do estudo e da oração.
  8. O galo é muito fecundo. Eu o devo ser, espiritualmente, a tal ponto, que possa dizer como o apóstolo Paulo: “Pelo Evangelho, eu vos gerei em Cristo”(1 Cor).

 O burro

 

  1. O burro é o animal mais humilde por natureza. Seu próprio nome denota desprezo, sua habitação, uma cocheira. Sua comida é palha e pobre os seus arreios.Também devo ser humilde, pobre na moradia, na roupa e na comida, para dar exemplo às pessoas, como Jesus Cristo. Já que, pela natureza frágil, minha tendência é para o orgulho e o poder.
  2. O burro é um animal muito paciente. Leva pessoas e cargas, recebe pancadas, sem se queixar. Hei de levar com paciência a carga dos deveres e sofrer resignação, trabalhos, perseguições, calúnias.
  3. Nossa Senhora serviu-se do burro para sua viagem na fuga para o Egito, com a perseguição de Herodes. Também me ofereço a Maria para levar o seu nome a toda parte com prazer e alegria. Também meditar com devoção os santos mistérios, particularmente os dolorosos.
  4. Jesus usou um jumentinho para sua entrada triunfal em Jerusalém. Peço a Jesus que se digne servir-se de mim para levar a toda gente o seu triunfo sobre o mal dos pecados e com ele entrar triunfante na glória do Pai.

 O cachorro

 “Cães mudos que não sabem latir”(Is 56, 10)

  1. O cão é um animal tão fiel e constante companheiro do dono, que nem a pobreza nem o trabalho o separam dele. A mesma fidelidade e constância devemk ligar-me ao meu Senhor Jesus Cristo e conservar-me no meu serviço. Direi com São Paulo: “Nem a vida, nem a morte, nem outra coisa qualquer, me podem separar do amor de Cristo”(Rm 8, 35).
  2. O cachorro é um animal leal. Mais obediente que um filho ou empregado, mais dócil que uma criança. Não só faz voluntariamente o que manda seu dono, mas olha a fisionomia do seu senhor para conhecer sua intenção e vontade, a fim de cumpri-las sem esperar que o mande. E ainda o faz com maior prontidão e alegria e ainda corresponde aos afetos do dono, de tal maneira, que é amigo dos amigos e inimigo dos estranhos a seu amo.

Devo possuir essas excelentes qualidades e fazê-las servir a meu Deus e Senhor. Farei, portanto, o que ele me mandar diretamente ou por intermédio dos seus representantes. Os amigos de Deus serão meus amigos e os seus inimigos tratarei com respeito, porém sem tolerâncias. E sem contestação, deverei lutar contra os inimigos da alma, visto não serem amigos de Deus.

  1. O cachorro vigia durante o dia e à noite redobra a sua vigilância. É o guarda fiel. Se suspeita das más intenções de alguém, ladra sem parar e avança, se decide. A defesa do seu dono está acima de tudo. Proponho vigiar-me também e estar contra os inimigos de Deus.
  2. O maior prazer do cão é estar e andar na presença de seu dono. Mostrar-lhe contentamento. Procurarei andar sempre, com prazer e alegria na presença de meu Deus, o querido Senhor, e assim não pecarei e serei perfeito, segundo a palavra do Senhor a Abraão: “Anda na minha presença a sê perfeito”(Gn 17, 1)
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